sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O Senhor da Sua Vida

 

 

Deus: o Senhor da sua vida

 

O segredo para interpretar o Antigo Testa­mento é analisar os fatos narrados à luz daquela época, tirando lições práticas e aplicáveis à vida cristã de hoje.

Neste capítulo, analisarei a atitude de Isaías diante de Deus e suas conseqüências, mostran­do que, assim como o Senhor revelou Sua glória e Seu poder ao profeta, a partir da postura deste, o Todo-poderoso deseja revelar-se a você, mas está à espera de seu posicionamento correto ante Ele e a missão que tem para sua vida. Você está pronto para dizer: "Eis-me aqui, Senhor"?

 

Impedimento à glória de Deus

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas co­briam o rosto, e com duas cobriam os pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então, disse eu: ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o SE­NHOR dos Exércitos! Mas um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com ela tocou a minha boca e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e purificado o teu pecado. De­pois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis.

Isaías 6.1-9

 

O texto citado começa assim: No ano em que morreu o rei Uzias... Este rei foi muito podero­so; um dos maiores de sua época (veja 2 Crônicas 26). Ele foi um dos monarcas que mais tempo per­maneceu no trono; mais de cinqüenta anos.

A nação de Israel desfrutou de uma prospe­ridade incrível durante o reinado de Uzias. Ele foi maravilhosamente cuidado e ajudado pelo Senhor, e tornou-se forte. No entanto, o final de sua vida foi catastrófico. Ele se esqueceu de que a bênção vinha de Deus, corrompeu-se, deixando que a soberba e a arrogância tomassem conta do seu coração.

A Bíblia conta que, nos últimos anos de vida, Uzias ficou leproso1, justamente por deso­bedecer ao Todo-Poderoso, oferecendo sacrifí­cios a Ele no altar — função que era exclusiva dos sacerdotes.

Após a morte de Uzias, o profeta Isaías conseguiu ver a manifestação da glória de Deus. Por quê? Porque o pecado foi removido, a iniqüi­dade foi retirada. Essa é a primeira lição: o pe­cado separa o homem do Senhor, mas quando é expiado, o poder do Criador se manifesta.

 

________________________

¹ Na Bíblia, a lepra normalmente é um símbolo do pecado, pois esta infecção crônica produz sérias lesões na pele, nas mucosas e nos nervos perifé­ricos, tirando a sensibilidade na área afetada, provocando o apodrecimento dos tecidos e levando a pessoa à morte lentamente.

 

Faça uma rápida reflexão sobre sua condu­ta cristã e suas prioridades, e responda: o que está impedindo na sua vida a manifestação da glória de Deus?

O profeta Isaías, no capítulo 59.1,2, afirma que a mão do Senhor não está encolhida nem os Seus ouvidos fechados:

 

Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido agra­vado, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus: e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

 

Como no passado, nos dias atuais, o que afasta o homem de Deus são as iniqüidades. Não é o Senhor quem está longe ou não gosta de você. É o pecado que fere a santidade do Altíssimo, que aparta o homem do seu Criador.

Mais uma vez reflita: o que impede Deus de manifestar-se a você com poder, glória e autoridade? É hora de o pecado ser confessado e banido, para que o Senhor possa agir e modificar a sua história.

 

A experiência de Isaías com Deus

Profeta do Senhor que viveu durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias e foi conselheiro desses reis, Isaías teve uma experiên­cia pessoal com Deus e anunciou a mensagem do Criador ao povo.

No início do seu ministério, Isaías pregou acerca do juízo divino sobre Israel e as demais nações. Mais tarde, passou a falar de esperança, assegurando que o povo de Deus seria restaurado com o advento do Messias.

O profeta Isaías viu a glória de Deus, e isto fez toda a diferença em sua vida e em seu ministério. Experiências com o Senhor trazem resultados significativos. Ninguém pode ter in­timidade com o Pai e manter o mesmo estilo de vida. É impossível!

Três coisas incríveis aconteceram com Isa­ías a partir da sua experiência pessoal com o Rei dos reis. O profeta reconheceu a sua condição de pecador e identificou a sua iniqüidade; admitiu que convivia com pessoas que praticavam trans­gressões, ferindo os preceitos divinos; e que, se continuasse assim, seria destruído, tendo em vista a santidade de Deus.

 

Isaías disse: Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e ha­bito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o SENHOR dos Exércitos! (Isaías 6.5)

 

O profeta declarou seu pecado, a sua con­dição miserável e rendeu-se aos pés do Senhor: "Estou vivendo em pecado, errado, vou ser des­truído, pois não sou nada diante desse Deus e da Sua glória".

Quando você tem uma experiência pesso­al com o Senhor, o seu estilo de vida vem à tona. Você é confrontado, reconhece o seu estado pe­caminoso e deseja mudar de vida.

Quando toma a mesma atitude de Isaías, Deus começa a trabalhar em seu interior, porque você reconhece que é pecador e dependente totalmente da Sua graça e da Sua misericórdia para mudar a sua condição de vida.

 

Experiência pessoal

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi... (Isaías 6.1). Nesse texto há um detalhe interessan­tíssimo: o profeta diz: eu vi. Ninguém contou para Isaías. Ele presenciou, vivenciou o fato.

É de extrema importância que o cristão te­nha experiências pessoais com Deus. A vivência dos outros é gratificante, edificante. Entretanto, a nossa é fundamental e marcante, pois permite que renovemos o nosso compromisso pessoal com o Senhor.

Quantos testemunhos, relatos fantásticos do que Deus fez na vida dos meus irmãos, já ouvi ao longo da minha trajetória de vida cristã? Todos me alegraram. Mas não tenho condições de lem­brar de cada um. No entanto, as minhas experiên­cias pessoais com Deus, podem passar dez, vinte, trinta anos, que não serão esquecidas.

É imprescindível que cada um de nós tenha um encontro pessoal com Deus. Ninguém pode ter vida cristã a partir da vivência de terceiros!

Deus é o Deus do universo, de toda a terra, da Igreja, dos meus irmãos, da minha família. Mas Ele precisa ser o meu Deus. Eu preciso conhecê-lo; ter intimidade com Ele.

Maria Madalena foi uma mulher que tinha uma ligação estreita com Jesus. Mas isso só foi possível graças à sua postura e ao seu comprome­timento com o Filho de Deus. Ela teve sua vida transformada ao encontrar com Jesus face a face e permanecer em Sua presença.

Maria Madalena vivia sob possessão demo­níaca, mas um dia teve um encontro com Jesus, foi liberta por Ele e passou a ser sua fiel seguidora (Lucas 8.2).

A vida dela foi restaurada por Cristo; e mes­mo quando todos os discípulos fugiram de medo após a prisão do Mestre, Maria permaneceu firme ao lado dele até a crucificação, porque tinha consciência quanto a quem estava servindo.

A fidelidade de Madalena teve recompen­sa: ela foi a primeira pessoa a ver Jesus após a ressurreição (Marcos 16.9), sendo a responsável por anunciar aos discípulos que Ele havia vencido a morte.

Experiências com Deus geram aproxima­ção dele, intimidade, que conseqüentemente traz bênçãos e vitórias!

Também foi assim com Daniel. Posto à prova várias vezes, sua intimidade com o Senhor permitiu que ele não hesitasse quando proibido de fazer qualquer petição que não fosse ao rei (Daniel 6).

Outro exemplo relevante de fé e de in­timidade com o Altíssimo na Bíblia é Abraão. Comprometido com seu Deus, ele caminhava conforme o direcionamento divino, e mesmo diante da grande prova de oferecer seu filho Isaque em sacrifício, o patriarca de Israel não va­cilou em obedecer à ordem do Senhor, pois co­nhecia-o intimamente e confiava em Seu amor, Sua fidelidade e em Seu poder, crendo que Ele proveria o escape (Gênesis 22.8), ou se preciso fosse, ressuscitaria o filho da promessa (Hebreus 11.17-19).

Somente aqueles que têm experiência com Deus podem afirmar o que o apóstolo Paulo disse em 2 Timóteo 1.12:

 

Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.

 

O apóstolo Paulo quis dizer: "Conheço o Deus em quem creio". E nós? E a nossa geração? O que está acontecendo? Está faltando intimidade com o Criador. E sabe por que não há vida par­ticular com o Senhor? Porque existe carência de conhecimento e de experiência com Deus.

 

Uma geração longe do Criador

Observe o que o Senhor disse ao profeta Oséias sobre a falta de conhecimento sobre Ele:

 

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimen­to, também eu te rejeitarei, para que não sejas sa­cerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.

Oséias 6.4,6

 

No livro de Juízes 2.7,10, temos o relato de que uma geração inteira se perdeu depois que Josué morreu, porque ela não conhecia ao Senhor nem a obra que Ele fizera a Israel. O povo não teve mais experiências com Deus.

E serviu o povo ao Senhor todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que prolongaram os seus dias depois de Josué e viram toda aquela grande obra do Senhor, a qual ele fizera a Israel. E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o Senhor, nem tampouco a obra que fizera a Israel.

A época atual que vivemos também é de superficialidade quanto ao conhecimento sobre o Criador. É um tempo no qual as pessoas não co­nhecem realmente o Deus em quem afirmam crer e ao qual dizem servir.

Deus continua agindo com misericórdia e graça apesar da frieza espiritual de alguns, mas é importante lembrar que o desconhecimento so­bre Ele e Sua lei gera a desobediência, e esta traz conseqüências nefastas; enquanto a obediên­cia resulta em bênçãos (veja Deuteronômio 28). Sendo assim, cabe a cada um decidir obedecer-lhe; consciente de que sujeitar-se à vontade do Senhor implica vivenciar a Sua glória, o Seu po­derio e a Sua firmeza no propósito de restaurar e salvar o Seu povo.

 

Esmurrando o Corpo

 

Esmurrando o Corpo

 

I Coríntios 9:23-27; II Coríntios 11:27; I Coríntios 4:11-13; Romanos 8:11.

 

Paulo, escrevendo aos Coríntios disse: "Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar Cooperador com ele. Não sabeis vós, que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado". (I Coríntios 9:23-27).

No versículo 23, Paulo se apresenta como um servo de Deus, um pregador do evangelho. "Tudo faço por causa do evangelho", diz ele; e tendo de­clarado que atitude voluntária adotou para consigo mesmo, com o fim de realizar o seu objetivo, isto é, "mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão", ele nos relata como é que cumpre es­ta resolução de manter o domínio sobre seu corpo.

Desejamos, antes de tudo, deixar claro que o autor da epístola aos Coríntios não era um ascéti­co. Ele não concorda com os que ensinam que o corpo é um estorvo do qual devemos nos desfazer, é nem tampouco que ele seja a fonte do mal.

Pelo contrário, na mesma carta ele declara que o corpo do cristão é o templo do Espírito San­to, e que o dia virá, quando a redenção do nosso corpo será uma realidade e teremos corpos glorificados. Nenhum traço de asceticismo deve estragar a concepção cristã acerca do "esmurrar o corpo". Repudiamos o pensamento de que o corpo é um embaraço para nós e que é a fonte do pecado; po­rém, na verdade reconhecemos que podemos pecar com o corpo, e que ainda continuaremos a fazê-lo, mesmo que venhamos a tratá-lo drasticamente.

Neste nono capítulo de I Coríntios, Paulo con­fronta os obreiros cristãos com o desafio de fazer do corpo um subservo de seus interesses, como servos de Cristo. É como um obreiro cristão, como um pregador do evangelho que Paulo descobre o problema, e é pelos interesses do evangelho que ele procura resolvê-lo. Aqui está sua solução; "Es­murro o meu corpo, e o reduzo à escravidão. O termo "esmurrar" não é um termo leve; não há qualquer sugestão de meias medidas no tratamen­to de Paulo para consigo.

Agora, como Paulo esmurra seu corpo e ad­quire o domínio sobre o mesmo, ele explica clara­mente. Sendo este um assunto de suprema impor­tância para todo obreiro cristão, vamos observar cuidadosamente o que ele tem a dizer sobre isto. Aplicando de uma maneira prática para os servos do Senhor, Paulo usa como ilustração uma corri­da. "Não sabeis vos", diz ele no versículo 24, "que os que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis". Paulo diz que nem to­dos que entram na corrida são ganhadores do prê­mio e ele exorta seus leitores a correrem de tal maneira, que o possam alcançar. Como isto pode ser feito, ele explica no versículo 25, tirando sua analogia dos jogos olímpicos. "Todo atleta em tu­do se domina". Paulo enfatiza a necessidade de auto-disciplina por parte de todo competidor. Aqueles que competem pelo prêmio devem exer­cer um controle rigoroso sobre si mesmos. Antes dos jogos, durante o período de treinamento, não podem comer quando desejarem nem o que dese­jarem; muitas cousas que normalmente seriam permitidas, já não são mais. E quando entram na corrida, fortes regras devem ser usadas; do con­trário, estarão desqualificados.

Você diz: Eu preciso ter isto, preciso ter aquilo. Está bem! Se você não é um competidor nos jogos, você pode; mas se você é, então, você deve ter o seu corpo sob absoluto controle. O que significa a expressão "em tudo se denomina"? Significa que não devemos permitir que o corpo faça exigências excessivas; sua liberdade tem que ser cortada. O corpo não está na corrida para satisfazer suas exi­gências relacionadas à comida, bebida, vestimenta ou dormir; ele está lá para realizar uma função — correr, e correr de tal maneira que o prêmio seja garantido.

Paulo continua a discorrer, lançando mão da mesma ilustração: "Aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível". O vencedor nos jogos Olímpicos era coroado com uma coroa de louro; todavia, para alcançá-la, ele sujeitava-se a uma rigorosa disciplina durante bom período. Que auto-controle, então, não de­vemos nós exercitar para ganharmos a coroa in­corruptível?

"Assim corro também eu, não sem meta; as­sim luto, não como desferindo golpes no ar", diz Paulo, ainda desenvolvendo seu tema. Ele não es­tá sujeitando-se a toda essa disciplina à toa; ele tem em vista um objetivo claro; ele está indo di­reto para a meta. Este versículo tem que ser lido em união com o próximo. Ele não está correndo para lã e para cá, e não está lutando ao acaso; todos os seus movimentos são regulados, pois tem o seu corpo estritamente sob seu poder, e tem se tornado capaz de ganhar o senhorio sobre ele, disciplinando-o violentamente.

Irmãos e irmãs, se vocês ainda não trouxe­ram os seus corpos sob controle, seria melhor vocês refletirem sobre a obra e adquirirem do­mínio sobre eles, antes de tentarem exercer auto­ridade em qualquer esfera mais ampla. Você pode ter um grande prazer na obra, mas ela será de rouco valor se você for dominado pelas suas sú­plicas físicas. Servir ao Senhor não é só um pro­blema de pregar sermões de uma plataforma. Paulo sabia disto.

O que implica em trazermos nossos corpos à servidão? Para entendermos isto, devemos primei­ramente saber quais são as exigências do corpo. Falaremos apenas de algumas delas: comida e vestimenta; descanso e recreação; e em tempos de doença, um cuidado especial. Todas essas exigên­cias são legítimas, mas o obra do Senhor faz suas exigências também; e, se eu preciso cumprir estas, naturalmente terei que impor restrições ao corpo Quando a obra faz exigências especiais na parte física, esta só será capaz de suportar a necessi­dade, se tem sido constantemente disciplinada. Mas, se suas súplicas têm tido normalmente a permissão de governar, então estará sem condi­ções quando um trabalho árduo for requerido. Se o corpo não tem aprendido, habitualmente, a ser­vir seu mestre, quando este pedir que seus mem­bros ponham seus esforços coordenados na corri­da, os pés se recusarão a funcionar e os outros membros estarão muito lerdos para obedecer or­dens. Se a corrida é para ser vencida, o atleta não ousa relaxar suas restrições sobre o corpo quando este está fora da corrida. Se na vida nor­mal e cotidiana de um obreiro cristão, seu corpo nunca aprender a conhecer o seu mestre, como podemos esperar que ele responda às exigências extraordinárias que às vezes o obreiro terá que fazer sobre ele por causa da obra? Só se você fir­mar persistentemente a sua autoridade, é que ele irá eventualmente ceder á você o seu lugar.

Se, na vida diária, ele tem adquirido o hábito de obede­cer, você então pode contar com ele para lhe ser­vir fielmente, sob circunstâncias de excepcional necessidade.

Permita-me perguntar-lhe: Você é o senhor de seu corpo, ou você é seu escravo? Ele se submete às suas ordens, ou você se entrega aos seus desejos?

O seu corpo regularmente exige que você dur­ma, e esta exigência é permitida. Deus dividiu o tempo em dia e noite, provendo ao homem uma oportunidade de descansar; e, se o homem fizer pouco caso da provisão divina, ele não fará isto sem sofrer a pena. Por outro lado, se ele per­mite que o seu corpo governe e deixa que ele dur­ma quando quer que este se sinta inclinado a fa­zê-lo, ele se tornará mole e preguiçoso para tra­balhar. Normalmente, é certo dar ao corpo oito horas de descanso por dia. Porém, quando os in­teresses do Senhor o requerem, temos que redu­zir as horas de sono, ou até deixar de dormir por uma ou duas noites. Aquela noite, no jardim do Getsêmani, o Senhor tomou à parte três de seus discípulos e disse-lhes: "A minha alma está pro­fundamente triste até à morte; ficai aqui e vi­giai". Mas quando voltou da oração, Ele os achou dormindo, e disse a Pedro: "Simão, tu dormes? Não pudestes vigiar nem uma hora?" Não, eles não podiam vigiar com o nosso Senhor nem por uma hora; a súplica pelo sono os venceu. O que está errado em querer dormir à noite? Nada. Mas, se o Senhor nos pede para vigiarmos com Ele e nós obedecemos às súplicas de nosso corpo, invés de Lhe obedecermos, teremos falhado como Seus servos. Isto não quer dizer que podemos ficar eternamente sem dormir, pois somos seres humanos e não espíritos; mas isto, na realidade, significa que se queremos satisfazer a necessidade do Senhor, devemos manter constantemente o corpo sob con­trole, para que este se torne acostumado à fadiga.

O que significa correr a corrida? Significa fa­zer alguma coisa excepcional. Normalmente, ca­minhamos gradativamente, dando um passo após o outro, mas na corrida temos que apressar o pas­so. Portanto o corpo é chamado para exercer um esforço extra. Como regra, podemos permitir-nos oito horas de sono; porém, quando o serviço de Deus exige estas horas, devemos estar preparados para reduzir nossas horas de descanso; é quando isto ocorre, que devemos esmurrar o corpo. Quan­do nosso Senhor achou seus discípulos dormindo, depois de ter-lhes seriamente pedido que vigias­sem, Ele expôs o problema: "O espírito, na verda­de, está pronto, mas a carne é fraca". De que adianta ter um espírito pronto se a carne é impo­tente para fazer o que o espírito deseja? Se a car­ne está fraca, mesmo um espírito pronto não po­de manter você acordado. Se você deve vigiar com o Senhor quando Ele pede, você irá precisar de um corpo pronto tanto quanto um espírito pronto. O corpo não é um estorvo, é um servo que neces­sita de treinamento para servir bem; e o treina­mento tem que ocorrer sob circunstâncias, costu­meiras para que então, este esteja sempre pronto para satisfazer a exigência de circunstâncias ex­traordinárias.

Nicodemos veio ao Senhor à noite, e o Senhor podia conversar com ele sem cansaço, apesar da hora. Os evangelhos relatam que às vezes o Se­nhor podia passar noites inteiras em oração. Ele estava preparado para permitir que o seu ministé­rio vencesse o Seu sono; e nós precisamos estar preparados para fazer o mesmo. Não estamos in­centivando os obreiros cristãos a cultivarem o há­bito de passar noites em oração. Trocar a noite pelo dia e constantemente passar as horas da noi­te em oração é estragar o corpo e a mente, pois isto é anormal; contudo, perguntamos; é normal para os servos do Senhor nunca sacrificarem seu sono por causa da Sua obra? Se, neste caso do sono, fizermos habitualmente a vontade do corpo, ele irá recusar quando tentarmos impor-lhe qual­quer restrição, para satisfazermos alguma exigên­cia especial da obra.

O mesmo princípio se aplica no problema de comida e bebida.

Sob circunstâncias especiais, nosso Senhor podia abster-se de comida, mas quando não havia necessidade de abstinência, Ele podia comer bem. Seu corpo tinha que obedecê-Lo. Algumas pessoas dependem tanto de comida, que não podem trabalhar se tiverem que ir com fome. Sem dúvida, precisamos de comida e não ousamos ignorar nossas necessidades físicas; toda­via, o corpo deve estar treinado para ficar sem alimento quando as circunstâncias exigirem.

Você se lembra da ocasião quando o Senhor sentou-Se ao lado do poço de Jacó para descan­sar um pouco e foi trazido face a face com uma mulher em grande necessidade. Era hora de co­mer, mas o Senhor ignorou sua própria necessi­dade física e pacientemente mostrou a ela como que sua necessidade espiritual podia ser solucio­nada. Se chegarmos famintos em algum lugar e não conseguimos fazer nada até que nos alimente­mos, nossos corpos não estão nos servindo como devem. Sem sermos extremistas, certamente de­veríamos ter controlado-lhes até o ponto mínimo de deixarmos de lhes dar uma refeição, por causa da obra, para que eles não nos vencessem através de suas insistentes súplicas por comida.

No terceiro capítulo do evangelho de Marcos, lemos que o Senhor estava cercado por tão gran­de multidão de necessitados, que nem tinha opor­tunidade para comer. Seus, parentes reagiram pro­curando tirá-lo da multidão, pois diziam que es­tava fora de Si; mas Ele não podia fazer outra coisa senão renunciar por hora Suas próprias ne­cessidades físicas, por causa da urgente necessi­dade da multidão. Se você ou eu nunca pudermos perder uma refeição quando a obra exige nossa atenção imediata, então faremos um trabalho pou­co eficaz. Em tais ocasiões devemos frear nossos corpos por medo que eles consigam a superiori­dade e os interesses do Senhor sofram. A bíblia determina claramente que os cristãos devem jejuar quando a situação exige. Algumas vezes a situação pede oração prolongada que não deixa tempo para comer, e quando encontramos uma situação que não aceitará a oração separada do jejum, devemos, temporariamente, recusar as exi­gências racionais do corpo.

Uma outra exigência do corpo é o conforto. Não ousamos achar erro num obreiro que desfrute d'uma medida de comodidade quando as circuns­tâncias o permitem; no entanto, o que devemos lamentar, é da incapacidade do mesmo responder ao chamado do trabalho, por este não estar provi­do do conforto ao qual ele estava acostumado. Os servos do Senhor devem ser capazes de desfru­tar do relaxamento em condições mais fáceis, quando Ele assim ordena; e, aqueles que, apesar do fato de estarem confortavelmente situados, comumente esmurram o corpo, estarão mais capazes de se adaptar à circunstâncias de grande descon­forto do que aqueles cuja comodidade é inferior a daqueles, mas não têm se habituado a trazer Deus corpos à sujeição.

Em relação à vestimenta, não devemos dar indevida atenção. O Senhor Jesus, referindo-se a João Batista, disse que se alguém quisesse ver uma pessoa elegantemente vestida, nele não haveria ne­nhuma boa aparência; o lugar para ser visto era no palácio real. Alguns cristãos, contudo, têm estabelecido para si um padrão demasiadamente alto no que se refere à vestimenta, e insistem em sem­pre concordar com isto.

Asseguramos que o fato de vestirmos roupas de má aparência não signifi­ca que estamos glorificando ao Senhor; sim, de­vemos, quando possível, estar limpos, asseados e convenientemente vestidos; todavia, não devemos esquecer do exemplo que nos foi dado por Paulo, o qual, por causa do Senhor, podia deixar que tudo lhe faltasse.

Relatando suas próprias experiências, ele escreve: "em fome e sede, em jejuns muitas ve­zes; em frio e nudez" (II Coríntios 11:21).

Em tempos de doenças ou fraquezas o corpo faz exigências mais severas do que antes, e sob tais circunstâncias, muitos obreiros cristãos se des­culpam de não poderem trabalhar. Como podia Paulo ter feito o trabalho que lhe foi confiado se tivesse hesitado ao se sentir incompetente? E, o que teria acontecido com o ministério de Timóteo, se ele tivesse tratado seu corpo com delicadeza, quando sofria de suas "freqüentes enfermidades"? É necessário que tomemos um cuidado razoável de nós mesmos, na doença e na saúde, mas isto não anula a necessidade de esmurrarmos o corpo e reduzi-lo à escravidão. Mesmo em ocasiões de doença e dor intensa, Se o Senhor assim o orde­na, podemos recusar a dar ouvidos aos seus cla­mores e obedecê-Lo. Se queremos ser úteis para Ele, é imperativo que ganhemos total senhorio so­bre este nosso corpo.

Este principio deve ser aplicado, tanto para o desejo sexual como também para todas as outras súplicas do corpo. Se somos servos de Cristo, então Sua obra deve ter prioridade sobre as demais cou­sas. Em I Coríntios 4:11-13, Paulo diz: "Até a presente hora sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas pró­prias mãos. Quando somos injuriados, bendize­mos; quando perseguidos, suportamos; quando ca­luniados, procuramos conciliação: até agora temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escó­ria de todos". É óbvio que os muitos sofrimentos de Paulo não foram resumidos a um período iso­lado de sua vida, e que nenhum deles conseguiu impedir o serviço para o seu Senhor. No sexto capítulo desta mesma epístola, do versículo 12 até o fim, ele refere-se a dois problemas — o proble­ma de alimento e o problema sexual; e deixa bem claro que somos servos do Senhor, não do corpo. Depois, no capítulo sete, ele trata do assunto se­xual com mais detalhes e no capítulo oito, do assunto de alimento, enfatizando o seu parecer de que não estamos sob a obrigação de fazer a von­tade da carne, pois pertencemos a Cristo e deve­mos servi-Lo. Por sua causa precisamos aprender a dizer "Não" para as nossas súplicas físicas, e te­remos que reforçar o nosso "Não" com tratamen­tos suficientemente drásticos, para que estabele­çamos o fato de que as rédeas estão nas nossas próprias mãos. O Senhor é o criador do corpo e Ele o criou com certos impulsos que são perfeita­mente corretos; contudo, Ele criou o corpo para ser nosso servo, não nosso senhor, e até que isto seja estabelecido, não poderemos servi-Lo como devemos.

Mesmo uma pessoa como Paulo temia que pu­desse ser expulsa da corrida, e perder o prêmio; portanto ele tomou a precaução de subjugar seu corpo através de constantes esmurros. E, o que podemos dizer do nosso Senhor, que se privou da mais alta glória e se pôs nas profundezas da ver­gonha e do sofrimento? Por amor d'Ele, não orde­naremos que este corpo nos sirva, para que assim, O sirvamos sem embaraços? Não lhe ordenaremos que seja forte na força de Sua vida ressurreta? Ele não tem dito; "Se habita em vós o Espírito da­quele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que, ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também os vossos corpos mor­tais, por meio do seu Espírito que em vós habita"?

watchman nee 

Escalar Árvores ou Sentar nos Ramos

 

Escalar Árvores ou Sentar nos Ramos

 

José estava sentado firmemente no seu galho na árvore. Este era grosso, confiável e perfeito para servir de assento. Era tão forte que não tremia com as tempestades, nem se agitava quando os ventos sopravam. Aquele ramo era previsível e sólido e José não tinha intenção de deixá-lo.

 

Isso até que lhe ordenaram que subisse num outro ramo.

 

Sentado a salvo em seu ramo, ele olhou para aquele que Deus queria que subisse. Jamais vira outro tão fino! "Esse não é lugar para um homem ir!" disse consigo mesmo. "Não há lugar para sentar. Não há proteção das intempéries. E como seria possível dormir pendurado nesse galhinho vacilante?" Ele recuou um pouco, apoiou-se no tronco e pensou na situação.

 

O bom senso lhe dizia que não subisse no galho. "Concebido pelo Espírito Santo? Pense bem!"

 

A autodefesa lhe dizia para não fazer isso. "Quem vai acreditar em .mim? O que nossas famílias vão pensar?"

 

A conveniência o aconselhava a não fazê-lo. "Bem quando eu esperava estabelecer-me e criar uma família."

 

O orgulho lhe recomendava o mesmo. "Se ela pensa que vou acreditar numa história dessas..."

 

Mas Deus lhe dissera para fazer isso, sendo essa a sua preocupação.

 

A idéia o aborrecia porque estava feliz na situação presente. A vida perto do tronco era boa. O seu ramo era suficientemente grande para permitir que ficasse confortável. Ele estava próximo a inúmeros outros sentadores em galhos fizera algumas contribuições válidas para a comunidade de árvores. Afinal de contas, não visitava regularmente os doentes no Centro Médico do Ramo Norte? Não era ele também o melhor tenor no Coral do Arvoredo? E o que dizer da aula que dava sobre herança religiosa, com o título apropriado de "Nossa Arvore Genealógica"? Deus certamente não ia querer que deixasse tudo isso. Ele tinha... bem, poderia ter dito que tinha raízes no lugar.

 

Além disso ele conhecia o tipo de sujeito que se atira a uma aventura sozinho. Radical. Extremista. Liberal. Sempre se excedendo. Sempre agitando as folhas. Sujeitos com a cabeça cheia de idéias estranhas, procurando frutas estranhas. Os que são estáveis são aqueles que sabem como ficar perto de casa e deixar as coisas correrem.

 

Acho que alguns de vocês compreendem José. Sabem como ele se sente, não é? Já estiveram ali. Você sorri porque já foi também chamado para arriscar-se e subir em outro galho. Conhece o desequilíbrio gerado quando tenta manter um pé na sua própria vontade e outro na dele. Você também enfiou as unhas na casca da árvore para segurar-se melhor. Você conhece muito bem as borboletas que voam na boca de seu estômago quando percebe que há mudanças no ar.

 

Talvez mudanças estejam justamente no ar agora. Talvez você esteja em meio a uma decisão. É difícil, não é mesmo? Você gosta do seu ramo. Acostumou-se com ele e ele com você. Da mesma forma que José, você aprendeu a sentar. Você ouve então o chamado. "Preciso que suba em outro ramo e

... tome uma posição. Algumas das igrejas locais estão organizando uma campanha anti-pornografia. Elas precisam de voluntários”.

… mude. Pegue sua família e se mude para o exterior, tenho um trabalho especial para você"

… perdoe. Não importa quem feriu quem primeiro. O que importa é que você construa a ponte."

... evangelize. Aquela família da mesma rua? Eles não conhecem ninguém na cidade. Vá falar com eles."

… sacrifique. O orfanato tem uma hipoteca que vai vencer este mês. Eles não podem pagá-la. Lembra-se do abono que recebeu na semana passada?"

 

Qualquer que seja a natureza do chamado, as conseqüências são as mesmas: guerra civil. Embora seu coração possa dizer sim, seus pés dizem não. As desculpas surgem como folhas douradas quando sopra um vento de outono. "Essa não é a minha área." "É hora de outro tomar a responsabilidade." "Não agora. Faço isso amanhã"

 

Mas eventualmente você acaba contemplando uma árvore nua e uma escolha difícil: A vontade dele ou a sua?

 

José escolheu a dele. Afinal de contas, era realmente a única opção. José sabia que a única coisa pior do que uma aventura no desconhecido era a idéia de negar seu Mestre. Resoluto então, ele agarrou o ramo menor. Com os lábios apertados e um olhar decidido, colocou uma mão na frente da outra até que ficou balançando no ar com apenas a sua fé em Deus como uma rede protetora.

 

Conforme o desenrolar dos acontecimentos, os temores de José foram justificados. A vida não se mostrou mais tão confortável quanto antes. O galho que agarrou era de fato bem fino: o Messias deveria nascer de Maria e ser criado em sua casa. Ele tomou banhos frios durante nove meses para que o nenê pudesse nascer de uma virgem. Ele teve de empurrar as ovelhas e limpar o chão sujo para que sua mulher tivesse um lugar para dar à luz. Ele se tornou um fugitivo da lei. Passou dois anos tentando aprender egípcio. Houve ocasiões em que esse ramo deve ter balançado furiosamente ao sabor do vento. Mas José apenas fechou os olhos e continuou firme.

 

Você pode estar, no entanto, certo de uma coisa. Ele jamais se arrependeu. A recompensa de sua coragem foi doce. Um só olhar para a face celestial daquela criança e ele teria feito tudo de novo num momento.

 

Você já foi chamado a aventurar-se por Deus? Fique certo de que não vai ser fácil. Subir em galhos nunca foi fácil. Pergunte a José. Ou, melhor ainda, pergunte a Jesus.

 

Ele sabe melhor do que ninguém quanto custa ser pendurado num madeiro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

ASSENTADOS COM CRISTO

 

Assentados com Cristo

 

Mateus 28:18 diz: "Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na ter­ra."

Quando Cristo subiu aos céus, transferiu Sua autori­dade à Igreja. Ele é a cabeça da Igreja e os crentes com­põem o corpo. A autoridade de Cristo tem que ser perpetuada através do Seu Corpo que está sobre a terra. (Através de todo o livro de Efésios e em outras passa­gens nas epístolas, Paulo usa o corpo humano para ilus­trar o Corpo de Cristo.)

Cristo está assentado à direita do Pai — o lugar de autoridade — e estamos assentados com Ele. Se você tem noções de História sabe que sentar-se ao lado direito do rei é sinal de autoridade. Morremos com Cristo e fomos ressuscitados com Ele. Isso não é algo que será feito por Deus no futuro; Ele já o fez!

 

A MAIOR OBRA DE DEUS

 

EFÉSIOS 1:18-23.

18.  Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;

19.  E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder so­bre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,

20.  Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mor­tos, e pondo-o à sua direita nos céus,

21.  Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;

22.  E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,

23. Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.

 

Observe especialmente o versículo 19: "e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cre­mos, segundo a operação da força do seu poder". Em outras palavras, houve um tal transbordamento do po­der de Deus, ao ressuscitar Cristo dentre os mortos, que esta foi de fato a obra mais poderosa de Deus até então registrada!

Satanás e suas hostes se opuseram à ressurreição, sen­do, entretanto, confundidos e derrotados por nosso Se­nhor Jesus Cristo, que se levantou dentre os mortos, subiu ao céu e agora está assentado à mão direita do Pai, aci­ma de todos eles.

Lembremo-nos de Colossenses 2:15: “E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao des­prezo, triunfando sobre eles na cruz", (na sua morte, se­pultamento e ressurreição).

Estes são os mesmos poderes demoníacos com os quais temos de lidar, mas, graças a Deus, Jesus os derrotou. Outras traduções dizem: "reduziu-os a nada" ou "paralisou-os".

Nos tempos antigos, os reis vitoriosos, trazendo con­sigo os cativos, desfilavam mostrando-os publicamente. Jesus fez isso com o diabo, expondo-o diante dos três mundos — céu, inferno e terra — depois de o derrotar. Deus nos deu esse relato nas Escrituras de modo que nós aqui neste mundo soubéssemos o que acontecera.

Deus quer que tenhamos conhecimento do que acon­teceu na morte, sepultamento, ressurreição e tomada de posição de Jesus no trono. Deus quer que saibamos o lugar que Ele deu a Cristo "Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir..." (Efésios 1:21).

 

A FONTE DE NOSSA AUTORIDADE

 

A fonte de nossa autoridade se encontra nessa ressur­reição e exaltação de Cristo por Deus. Veja no versículo 18 que o Espírito Santo, por meio de Paulo, ora para que os olhos dos efésios possam ser abertos — seus es­píritos — para estas verdades. Ele queria que todas as igrejas — todos os crentes — fossem iluminados. A au­toridade do crente, entretanto, não é levada em conside­ração por muitos cristãos. De fato, a maioria das igrejas nem mesmo sabe que o crente possui tal autoridade!

Você nunca vai entender a autoridade do crente ape­nas pelo intelecto; é necessário que haja revelação espiri­tual. Você deve crer nela pela fé.

 

EFÉSIOS 2:1-7

1.  E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pe­cados,

2.  Em que noutro tempo andastes segundo o curso des­te mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.

3.  Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros homens.

4.  Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

5.  Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vi­vificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

6.  E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez as­sentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

7.  Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes ri­quezas da sua graça, pela sua benignidade para conos­co em Cristo Jesus.

No verso primeiro lemos: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados." Aqui o Espíri­to Santo está dizendo através de Paulo: "De acordo com a atuação da força do Seu poder quando Ele ressuscitou a Jesus dentre os mortos e a você, quando você estava morto.''

 

Veja, o mesmo verbo em Efésios 1:20 que expressa a revivificação de Cristo dentre os mortos, expressa a revivificação de Seu povo em Efésios 2:1. Em outras pala­vras, o ato de Deus que levantou a Cristo dentre os mortos também levantou o Seu corpo. Na mente de Deus, quando Jesus ressuscitou, nós também fomos ressuscita­dos dentre os mortos!

Já no capítulo 2 lemos: "Estando nós mortos em nos­sos delitos, (Ele) nos deu vida juntamente com Cristo... e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (versículos 5 e 6). Esta passagem trata da concessão dessa autoridade.

Note que a cabeça (Cristo) e o corpo (a Igreja) foram ressuscitados juntos. Além disso, esta autoridade não foi conferida somente à Cabeça, mas também ao Corpo, pois a Cabeça e o Corpo são um. (Quando se pensa numa pessoa, pensa-se na cabeça e no corpo como um todo.)

Até onde é do meu conhecimento, as igrejas crêem que fomos ressuscitados juntamente com Cristo. Por que não crêem que nos cabe o direito de nos assentar juntamente com Ele? Se parte desse verso é verdade, por que não todo o verso...

Se nós como uma Igreja obtivermos a revelação de que somos Cristo, nos ergueremos e faremos as obras de Cris­to! Até agora, as estamos fazendo somente de modo li­mitado.

Quando percebermos que a autoridade que pertence a Cristo também pertence aos membros individuais do Cor­po de Cristo e está à disposição de todos nós, nossas vi­das serão revolucionadas!

 

 

I CORÍNTIOS 12:12-14,27

12.  Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. (So­mos Cristo. Ele é chamado o Corpo, que é a Igreja, Cris­to.)

13.  Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Es­pírito.

14.  Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos...

27. Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.

 

Louvado seja o nome do Senhor, somos o Corpo de Cristo!

 

II CORÍNTIOS 6:14,15

14.  Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?

15.  E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?

 

O crente é chamado de "justiça" e o incrédulo é cha­mado de "iniqüidade". O crente é chamado de "luz" e o incrédulo, "trevas". O crente é chamado de "Cristo" e o incrédulo, "Belial".

 

ASSENTADOS COM CRISTO

 

Primeira Coríntios 6:17 diz: "Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele." Somos um com Cris­to. Somos Cristo. Estamos sentados à destra da Majes­tade nas Alturas. Todas as coisas foram postas debaixo de nossos pés.

Nosso problema é que temos pregado uma religião de "cruz" sendo que precisamos pregar uma religião de "tro­no". Quero dizer com isso que muitos pensam que o que deles se espera é que permaneçam na cruz. Alguns rece­beram o batismo com o Espírito Santo, voltaram para a cruz e aí têm permanecido desde então.

Cantamos: "Junto à cruz, junto à cruz". Sim, preci­samos vir até a Cruz para nossa salvação, mas não te­mos que permanecer lá; prossigamos para o Pentecostes, a Ascensão e o Trono!

"Na verdade, a Cruz é um lugar de derrota, ao passo que a Ressurreição é um lugar de triunfo. Quando se pre­ga a cruz, está-se pregando morte e deixa-se o povo na morte. Morremos, sim, mas ressuscitamos com Cristo. Es­tamos assentados com Ele. Essa é a nossa posição atual: Estamos assentados com Cristo no lugar de autoridade, nos lugares celestiais.

Muitos crentes ignoram completamente a autoridade daquele que crê. De fato, eles não crêem que tenhamos alguma autoridade. Crêem que mal podem contar com a salvação e que têm que passar por esta vida sendo do­minados pelo diabo, enquanto habitam na "Rua dos In­válidos". Exaltam desta forma mais ao diabo do que a Deus.

Precisamos ser libertos da escravidão da morte e an­darmos em novidade de vida. Não estamos na cruz. Mor­remos com Cristo, mas fomos ressuscitados juntamente com Ele. Glória a Deus. Aprenda como ocupar seu lu­gar de autoridade.

A destra do trono de Deus é o centro do poder do universo inteiro! O exercício do poder do trono foi en­tregue ao Senhor ressuscitado.

Sabemos que Cristo, com Seu corpo físico ressuscita­do, está lá em plena posse de Seus direitos, aguardando o tempo do Pai, quando Seus inimigos serão postos sob os Seus pés. Hebreus 1:13 diz:  "Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te a minha direita, até que eu po­nha os teus inimigos por estrado dos teus pés?"

A elevação do povo de Cristo com Ele nas alturas cla­ramente aponta para o fato de que estamos sentados com Ele, compartilhando não somente de Seu trono mas tam­bém de Sua autoridade. Essa autoridade nos pertence!

Não me admiro de Paulo ter dito, escrevendo aos Ro­manos: "Se pela ofensa (espiritual) de um, e por meio de um só, reinou a morte muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça, reinarão em vi­da por meio de um só, a saber, Jesus Cristo" (Romanos 5:17).

Algumas versões dizem: "reinarão como reis em vida". Será que só vamos reinar quando chegarmos ao céu? Não. Vamos reinar como reis em vida através de Jesus Cristo. Isto é autoridade, não é mesmo? Não importa o que dissesse o rei, seria lei; ele era autoridade máxima. Compartilhamos da autoridade que o trono de Cristo re­presenta.

Alguns têm exercido um pouco mais de autoridade so­bre os poderes do ar que outros, porque têm um pouco mais de compreensão espiritual, mas Deus quer que to­dos nós tenhamos essa mesma compreensão espiritual.

 

MANTENDO O EQUILÍBRIO

 

O Espírito Santo pediu ao Pai por meio de Paulo que todos pudéssemos ter sabedoria, entendimento e autori­dade sobre os poderes demoníacos e os problemas que criam através de sua constante manipulação das mentes dos homens.

Parece ser a coisa mais difícil do mundo a Igreja manter-se equilibrada. Você pode tomar qualquer assun­to — inclusive a autoridade do crente — esgotá-lo ao ponto máximo e, então, prejuízo e falta de benção é o que se terá.

Nos Estados Unidos um homem cujo apelido era "Pai Divino" tinha sido salvo e cheio com o Espírito Santo. Esta fora uma experiência autêntica em sua vida. Então começou a estudar estas mesmas Escrituras que temos estudado. Ele raciocinou: "Se estamos em Cristo, então Eu sou Cristo. Cristo é Deus, então eu sou Deus". Ele fundou uma seita que se tornou muito popular. O povo lhe prestava adoração.

É fácil cair nas valas laterais da estrada — a vala do excesso, do entusiasmo descomedido e do fanatismo. Ca­minhemos pelo meio da estrada e mantenhamos o equi­líbrio.

John Alesander Dowie, um escocês que recebeu uma revelação sobre cura divina, enquanto exercia seu minis­tério no final do século passado na Austrália, atravessou o oceano por muitas vezes durante sua vida. Ele enfren­tou muitas tempestades, mas todas as vezes fazia o mes­mo que Jesus, repreendia a tempestade e ela sempre cessava.

Não deveríamos ficar admirados com isso, porque Je­sus disse: ".. Aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai" (João 14:12). Alguém perguntará o que serão "maiores obras". Bem, vamos realizar primei­ro as obras que Jesus fez e só então pensemos nas "obras maiores"!

Jesus não disse que apenas uns poucos escolhidos fa­riam essas obras; Ele disse que aqueles que crêem Nele as fariam.

À medida que estudarmos o que a Palavra de Deus ensina e educarmos nosso espírito acerca da autoridade do crente, creio, seremos habilitados a andar nesta gran­de verdade mais e mais.