quarta-feira, 20 de abril de 2022

O ENSINO CRISTÃO

 

O ENSINO CRISTÃO

I. INTRODUÇÃO

O propósito deste manual é apresentar o ministério do ensino, especialmente a Escola Dominical. Através deste estudo notaremos que o professor da Escola Dominical é uma dádiva de Deus para a sua igreja e para sua classe em particular.. Ele foi suprido de compreensão espiritual e outros complementos para cumprir sua tarefa. A responsabilidade do professor em desenvolver e aperfeiçoar seu ministério assume o mais profundo significado em vista dessa verdade.

PARA SER EFICIENTE O PROFESSOR CRISTÃO DEVE:

1. Reconhecer a importância da sua tarefa.
2. Preparar-se com profundidade.
3. Esforçar-se em seguir o exemplo de Jesus.
4. Estudar a matéria a ser ensinada.
5. Entender o processo de aprendizagem.
6. Aprender variados métodos de ensino.
7. Planejar suas aulas.
8. Ensinar com motivação.
9. Despertar o aluno para a salvação e o crescimento espiritual.

II. O MINISTÉRIO DO ENSINO (Ef 4.11,12; Rm 12.1-8)

A Escola Dominical subsiste como o maior centro de ensino bíblico do mundo inteiro.
O Evangelista Billy Graham declarou: "Tenho a convicção de que a Escola Dominical é o único e maior centro para ensinar ao povo a Palavra de Deus, bem como, por si mesma, uma tremenda força evangelística".

A) A importância do ensino no Velho Testamento
Dt 4.10 "Aprendam a temer-me, e as ensinem..."
Dt 4.14 "Estatutos e juízos"
Dt 4.5 "Como me ordenou o Senhor meu Deus"
Dt 6.7 "Assentado em tua casa, andando pelo caminho..."
I Sm 12.23 "E eu vos ensinarei o caminho bom e direito"
Ne 8.8 "Leram no livro da lei de Deus, esclarecendo-a..."
Sl 25.4 "Ensina-me as tuas veredas"
Sl 27.11 "Guia-me pela vereda direita"

B) A importância do ensino no Novo Testamento
Mt 28.19, 20 "Portanto, ide e fazei discípulos..."
At 18.11 "Ficou ali um ano e seis meses, ensinando..."
At 5.42 "Não cessavam de ensinar, e anunciar a Jesus..."
I Tm 3.2 "Bispo, apto para ensinar..."
II Tm 2.2 "E o que de mim...confia-o a homens fiéis"

III. LEIS DO ENSINO

A) A lei do professor

1. Precisa viver o que ensina - Isso é especialmente verdadeiro no caso do professor cristão que deseja ensinar assuntos espirituais, transmitindo a vida abundante a seus alunos (Jo 10.10). Nenhuma outra qualificação é tão fundamental e essencial.

2. Características - O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, apresenta algumas características daquele que exerce liderança:

"Se alguém aspira ao episcopado...é necessário que seja: Irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso, que governe bem a sua própria casa, não neófito, e que tenha bom testemunho dos que estão de fora." I Tm 3.1-7

3. Deve estar em constante desenvolvimento - II Tm 2.15 - "Procura apresentar-te a Deus..."

Não é fácil ensinar na Escola Dominical. Contrariando a opinião de alguns, é muito mais do que "captar a atenção dos alunos durante uma hora e contar algumas histórias". O ensino da Escola Dominical, levando em conta seus resultados eternos e de grande alcance, exige do mestre o melhor que ele pode dar. Exige que se empenhe no treinamento, no preparo, na oração e no planejamento. Exige que se entregue a essa tarefa, com todas as suas forças. Nada menos do que a dedicação total permitirá o pleno desenvolvimento desse ministério.

Se o mestre faz algo menos do que seu melhor esforço em ocasiões comuns, não poderá esperar fazer um bom esforço em ocasiões especiais.

4. Deve ser avaliado constantemente

5. Trabalhar com dois professores por classe - Dois professores do mesmo nível, que não sejam trocados anualmente. Preparar uma equipe de apoio pedagógico para cada classe.

6. Evitar ao máximo atrasos e faltas - Uma vez que o professor ensina pelo seu testemunho, a pontualidade e a presença constituem exemplos fundamentais.

B) A lei do aluno

1. Deve prestar atenção, com interesse, à matéria a ser aprendida.

 

PRINCÍPIO DA ATENÇÃO

1. O professor deve despertar e manter o interesse dos alunos.
Para manter a atenção, o assunto deve ser interessante e estar relacionado à necessidade do aluno.

2. Será difícil manter a atenção se a matéria a ser estudada for conhecida ou complexa.

3. Verificar se o conteúdo está sendo assimilado pelos alunos

4. Explorar a curiosidade dos alunos, pois essa é uma grande arma para fixar a atenção e estimular o interesse.

5. Adequar a aula à personalidade do grupo.

 

1. As duas Leis

A Lei da Linguagem
A linguagem empregada no ensino deve ser comum entre o professor e o aluno.

A Lei da Aula
A verdade que se ensina ao aluno terá como base uma verdade já conhecida.

2. O professor, para aplicar essa lei, deve:
a. Descobrir aquilo que os alunos já sabem.
b. Começar com fatos e idéias que são familiares aos alunos.

3. Faça uso de ilustrações:
a. A ilustração deve ser mais clara que a verdade que se quer ilustrar.
b. A ilustração deve interessar o aluno e estar relacionada à sua experiência.
c. As ilustrações devem ter uma relação real com a lição.
d. Evite o excesso de ilustrações.
e. Evite o uso de ilustrações que causem má impressão.
f. Evite ilustrações que possam sugerir más idéias.

4. Como aplicar as ilustrações?
a. Cite a ilustração e aplique a verdade.
b. Cite a verdade e aplique a ilustração.

5. Organizar a matéria de tal modo que cada passo dê seqüência ao passo seguinte; preceito sobre preceito.

6. Relacionar a lição nova à anterior.

7. Levar em conta o desenvolvimento mental do aluno.

A Lei do Processo de Ensino
Ensinar é: despertar a mente do aluno para captar e reter a verdade.

1. O alvo é fazer do aluno um descobridor da verdade. Baseia-se na premissa de que o próprio aluno é que desenvolve a aprendizagem.

2. Essa lei diz respeito aos meios empregados pelo professor para despertar as atividades que o aluno empreende por conta própria.

3. O professor, para observar essa lei, deve:
a. Estabelecer com clareza na sua mente o que deseja que o aluno aprenda.
b. Estabelecer um ponto de contato.
c. Despertar o interesse do aluno.
d. Reprimir sua própria impaciência e o desejo de contar tudo quanto sabe.
e. Dar ao aluno tempo para pensar.
f. Fazer o aluno pensar, de tal modo que chegue aos fatos pessoalmente. É muito provável que ele não saiba como estudar e pesquisar.
g. Reformular perguntas que antes não receberam respostas.
h. Ensinar o aluno a pensar, mediante as perguntas: O quê? Por quê? Como? e também: Onde? Quando? Por quem?

OUÇO E ESQUEÇO;
VEJO E GUARDO NA MEMÓRIA;
FAÇO E COMPREENDO.

A Lei do Processo de Aprendizagem
Trata da maneira pela qual o aluno vai desenvolver e aplicar o assunto a sua vida.

1. O aluno, ao observar essa lei, enquanto orienta sua própria aprendizagem, deve:
a. Formar uma idéia clara daquilo que está sendo estudado.
b. Procurar expressá-la com suas própria palavras.
c. Cultivar o hábito da pesquisa.

A Lei da Revisão
Deve haver revisão e aplicação para testar e confirmar a obra de ensino.

IV. O PREPARO DA LIÇÃO

Dificilmente encontraremos um professor que nunca tenha tomado esta resolução: "vou preparar melhor a lição para o domingo que vem".

Muitos cumprem essa promessa, mas outros continuam empregando o mesmo modo descuidado e ineficiente de preparar suas lições. Os resultados exemplificam a qualidade de sua vida e ministério.

1. Falta de atenção na aula.

2. Alta porcentagem de ausências.

3. Falta de conversões a Cristo.
4. Inexistência de crescimento e desenvolvimento do aluno.

As pessoas querem saber mais sobre a Bíblia. Mas ninguém quer ser censurado durante 30 minutos numa sala de aula. Portanto, compete ao professor descobrir uma maneira agradável de transmitir a lição.

A FIM DE ATINGIR SEU OBJETIVO, O PROFESSOR DEVE:

1. Preparar-se através da oração (Mc 1.35; Lc 5.16). A oração é o segredo do poder no ensino. Em oração é que o coração do professor se prepara e através da oração é que seu ministério se desenvolve. O professor ora pedindo benefícios para seu ministério; e para seus alunos.

2. Preparar-se com antecedência. Alguns professores esperam até sábado à noite para começar seus preparativos. Esses são os que constantemente resolvem fazer de modo diferente, mas que raramente conseguem modificar-se.
O preparo de cada lição deve começar no início da sua respectiva semana. Assim haverá tempo adequado, e o professor estará confiante quanto à ministração da lição. Além da vantagem conquistada pelo estudo diário, há a vantagem extra da lei conhecida como "função cerebral subconsciente". O subconsciente nos ajuda muito. Depois de havermos feito um estudo árduo e consciente de determinado assunto, nossa mente continuará trabalhando nesse assunto, enquanto dormimos ou cuidamos de outras coisas.

3. Preparar-se com um propósito. Deve estabelecer o alvo da lição considerando as necessidades e características dos alunos. Anote seus planos enquanto for prosseguindo.

4. Possuir uma boa biblioteca. O professor deve ser amante da leitura e possuir boa biblioteca a fim de pesquisar e ir além do conteúdo de sua revista. No final deste estudo você encontrará sugestões bibliográficas de grande ajuda para sua vida e ministério.

V. PASSOS A SEGUIR NO PREPARO DA LIÇÃO

A interação entre classe e professor tem características muito próprias. Depende de vários fatores, como maturidade dos alunos, grau de informação, tamanho da turma e uma soma de características que podemos chamar de personalidade da classe. Nem todos os alunos têm o mesmo comportamento. Mas em todas as classes há um tipo de atitude que predomina. Os especialistas costumam citar quatro grandes grupos:

Rebelde - É a turma em que os alunos geniosos dão o tom, mesmo se estiverem na minoria. Costuma ser barulhenta, indisciplinada e pouco produtiva. Exige do professor firmeza para impor a autoridade, paciência e muita disponibilidade para testar várias técnicas até encontrar um foco de interesse capaz de prender a atenção.

Ansiosa - É aquela turma interessada. Falam muito; questionam; trazem novidades; desviam-se do tema central. Esse tipo de turma exige do professor muito trabalho para atender suas expectativas, sem falar na rapidez de raciocínio e capacidade de improvisação.

Acomodada - É aquela turma tranqüila, que faz o que é pedido, mas não sai do desempenho médio e tem dificuldades quando se exige algo mais criativo. Dá ao professor a sensação de passar roupa com ferro frio. Exige técnicas para ser estimulada e desafios que a façam tomar atitudes e posições mais participativas

Imatura - É a turma que trata a escola como uma extensão da própria casa e tenta estabelecer uma relação de parentesco com o professor. Costuma ser imaginativa, mas tem dificuldades para transformar isso em algo objetivo. O professor deve tomar cuidado para não infantilizar ainda mais os alunos e estimulá-los a serem independentes.

A) Leia previamente a série de lições
Aprender por unidades é muito mais fácil do que aprender parte por parte. Assim sendo, uma série de lições usualmente encerra um tema e um propósito global. Uma série constitui uma unidade. Cada lição dentro da série tem um propósito específico que se relaciona ao propósito global. Dessa forma, nenhuma lição deve ser planejada sem dizer respeito às demais aulas; pelo contrário, deve haver um exame prévio da série inteira. O professor poderá, com esse método, dominar o conteúdo e o propósito geral da unidade, e, por sua vez, transmiti-lo aos alunos. Cada lição passará então a ter mais significado para os alunos, que, por sua vez, perceberão quanto ela contribui para o tema da unidade.

B) Domine a lição específica
O professor deve conhecer a lição de tal maneira que possa levar outros a conhecê-la também. É necessário o perfeito domínio e preparo da lição.

C) Tenha em vista um alvo com a lição
Para determinar os alvos específicos da lição, o professor considerará as necessidades dos alunos e relacionará o conteúdo da lição a tais necessidades.

D) Reuna e organize materiais para a lição
Os materiais e as ilustrações que o professor reúne durante semanas, sempre serão úteis. A lição pode crescer como bola de neve, ou seja, vai reunindo mais e mais material, e, quando o professor inicia o preparo específico da lição, ele freqüentemente descobre que já tem mais material do que pode empregar no horário previsto para a aula.

E) Considere certos fatores para selecionar os métodos de ensino:
1. A natureza do objetivo. O objetivo pode ser desenvolver uma habilidade, aumentar o conhecimento ou desenvolver opiniões ou atitudes. Seja qual for o caso, os métodos serão determinados pelo objetivo.
2. A maturidade dos alunos. Levar em conta o nível das idades. Certos métodos são mais eficazes para um nível do que para outro.
3. A atitude do aluno em relação ao aprendizado. Alguns alunos têm grande interesse em aprender, outros não têm interesse e outros, total aversão. O professor terá de dedicar tempo para conquistar esses alunos, a fim de conduzi-los à verdade.
4. O ambiente da sala. O equipamento disponível, o tamanho e a arrumação da sala de aula eliminarão certos métodos e contribuirão para outros.
5. O tempo disponível para o ensino. Métodos como a preleção e a história oferecem economia de tempo. Debates, perguntas e respostas despendem mais tempo.
6. Habilidade e outras qualificações do professor. A personalidade do professor, suas características, seu treinamento, sua habilidade e sua experiência também influirão na seleção dos métodos. No decorrer do tempo, descobrirá quais métodos sabe empregar melhor. O professor deve sempre testar novos métodos.
7. Planeje alguma ajuda visual. Muitas instruções que acompanham as lições sugerem ajudas visuais que devem ser empregadas em conformidade com a lição. Esse recurso servirá para captar a atenção e manter o interesse dos alunos. Além disso, poupará tempo e facilitará o aprendizado.
Para que o aprendizado ocorra, o aluno precisa empenhar-se de modo ativo nesse processo. O único aprendizado que permanece é o auto-adquirido. O único aprendizado que resulta em mudança de sentimento e de ações é o realizado pelo próprio aluno.
Para que se entenda melhor essa idéia, consideremos os seguintes postulados:
· O aluno aprende até 10% do que ouve.
· O aluno aprende até 30% do que vê.
· O aluno aprende até 50% do que ouve e vê.
· O aluno aprende até 70% do que ouve, vê e repete.
· O aluno aprende até 90% do que ouve, vê, repete e faz.

Uma regra prática é a seguinte: quanto maior o número de sentidos envolvidos, tanto mais rápida e melhor será a aprendizagem.

8. Os alunos sentem-se motivados a aprender quando:
· Têm prazer no que estão fazendo.
· São oferecidas oportunidades de escolha.
· Experimentam um sentimento de realização.
· Percebem que são aceitos pelo professor.
· Percebem entusiasmo no professor, que acredita na importância do que está fazendo.

 

VI. O PLANO DA LIÇÃO

O plano da lição deve ser breve, simples e prático. Deve ajudar o professor a dirigir e organizar seus preparativos para a aula. Exemplo:

· Texto bíblico.
· Texto bíblico central (um versículo que resume o tema).
· Título da lição.
· Verdade central (resumo em uma palavra ou frase).
· Objetivo da lição.
· Métodos de ensino.
· Ajudas visuais e outros materiais necessários.
· Esboço da lição.
· Tarefas eventuais para a lição seguinte.
· Minha avaliação desse período da aula.

 

VII. O ALUNO

· Pense em três alunos seus.
· Sabe o nome completo deles?
· Pode lembrar-se onde eles moram?
· Sabe a data do aniversário deles?
· Como vão indo nos estudos?
· Mantêm boas relações com suas famílias?
· Conhece algum problema em particular?
· É capaz de citar alguns de seus passatempos favoritos?
· O que poderia dizer sobre seu testemunho cristão?
· Há alguma coisa em especial de que necessitam?
· Quando foi que aceitaram a Cristo como Salvador?

Você conhece realmente os seus alunos? Para ensinar de forma correta, o professor deve ser capaz de responder às perguntas acima.
A individualidade de cada pessoa é uma especialidade divina. Contudo, em determinada fase do desenvolvimento, muitos possuem características comuns. A Bíblia ensina que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Como tal, ele tem o potencial para o desenvolvimento. Mas é também pecador, separado do Criador, e necessita de salvação (Rm 3.23). É aqui que o educador cristão difere do humanista secular, que tem grande admiração pelas qualidades humanas e pela bondade do homem. O professor cristão procura dar oportunidade a cada aluno de passar pela experiência genuína e pessoal da fé em Deus, mediante a obra redentora de Jesus Cristo (Rm 5.1). Depois de experimentar a salvação, o aluno deve ser guiado à maturidade em Cristo (Ef 4.13-15).
Seguem-se duas sugestões práticas que auxiliarão o professor na tarefa de observar o desenvolvimento espiritual de seus alunos.

A) Observar a vida do aluno
Nenhum professor conhecerá realmente seu aluno se o vir apenas por alguns minutos na Escola Dominical. Observar a vida do aluno significa aproveitar todas as oportunidades para conhecê-lo nas mais variadas áreas.

B) Manter dados completos e atualizados
Os dados sobre determinado aluno servem como importante meio de acompanhar o seu desenvolvimento.
Seria ideal que o professor tivesse uma ficha de informação de cada aluno. Assim, no caso de o aluno ser transferido de classe, os professores trocariam informações sobre ele, e o novo professor teria conhecimento das suas características. Um bom registro deve incluir as seguintes informações:

1. Histórico familiar. A vida familiar exerce papel importante na formação da personalidade do indivíduo e no seu modo de vida.

2. Nível socio-econômico. O professor sensato cuidará para que todos os alunos se sintam à vontade, sejam amados e aceitos, independentemente da sua situação socio-econômica.

3. Cultura e valores étnicos. É provável haver dois ou mais grupos étnicos numa classe. O professor sábio aceita grupos distintos, e ainda aproveita para demonstrar, através de sua atitude, a necessidade comum a todos os homens de experimentarem o amor de Deus.

4. Capacidade, aptidão e inteligência. Um problema comum à escola secular e à cristã são os mais variados níveis intelectuais existentes entre alunos da mesma idade. Alguns podem ser muito inteligentes, mas não possuir motivação. Outros podem demonstrar interesse, mas não possuir aptidão ou habilidade. Outros podem estar pouco motivados para aprender. O professor precisa conhecer a capacidade de cada um e agir de acordo.

5. Necessidades pessoais e auto-estima. Intimamente relacionados com o histórico familiar estão os problemas pessoais e a auto-estima. Alguns alunos são seguros e confiantes. Sentem-se amparados e não requerem atenção especial. Por outro lado, há os que se sentem inseguros e inferiores, sobretudo diante de seus colegas. O professor precisa dedicar atenção especial a esses. Necessitam de um professor particularmente sensível aos seus problemas.

6. Interesse espiritual. Alguns alunos têm grande facilidade em compreender a verdade espiritual, ao passo que outros parecem indiferentes e passivos. Muitos fatores contribuem para isso. Uma das razões mais importantes é que muitos alunos são forçados a freqüentar a Escola Dominical. Nesse caso, sua resistência é um ato de rebelião contra os pais.

7. Limitações físicas. O aprendizado pode ser seriamente prejudicado por problemas de leitura, enxaquecas e outras incapacidades físicas ou mentais. É preciso cuidado e atenção para despertar o potencial de cada aluno, considerando suas limitações, a fim de que se sintam seguros e à vontade.
Fazendo essas observações e registrando-as, o professor tem meios a que recorrer para compreender melhor seu aluno. Isso abrirá as portas do relacionamento entre professor e aluno, facilitando o processo do aprendizado.

 

VIII. COMPREENDENDO SEMELHANÇAS E NECESSIDADES TÍPICAS

O professor deve estudar com muito cuidado e atenção as características e necessidades típicas da faixa etária que irá ensinar.
As informações que seguem, ainda que resumidas, nos trazem uma idéia das características e de suas implicações.

A) Berçário - 2 a 3 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Crescimento rápido; atividade; cansaço rápido; sentidos do gosto e do tato ávidos de estímulo.
Necessidade de variações, liberdade para mudar de atividade durante a aula, fornecendo material que possa ser sentido e manuseado.

2. Características mentais e suas implicações.
Aprendizado rápido a partir das coisas que os circundam. Usam os cinco sentidos para aprender; têm imaginação viva; vocabulário limitado mas em crescimento; período curto de atenção.
Deixem que olhem, sintam e toquem; use histórias das quais possam participar; figuras e objetos que possam segurar e completar; use métodos variados e curtos.

3. Características sociais e suas implicações.
Egocêntricos; confiantes; amorosos e carentes de amor; cheios de medo, raiva e frustrações; felizes; brincam sozinhos; pouco sentimento de grupo.
Ensine a compartilhar, a amar e a confiar em Deus, no professor e nos outros. Ofereça oportunidades para a livre expressão; torne agradável o tempo desfrutado na sala de aula.

4. Características espirituais e suas implicações.
Vêem a Deus como real e vivo; oram com facilidade; amam a Deus sem dificuldades; são imitadores; podem imaginar Jesus como um grande amigo; a Bíblia representa algo especial.
Ensine a orar, a cantar, a adorar; repita com freqüência versículos bíblicos fáceis de compreender.

5. Características emocionais e suas implicações.
Dependentes, tímidos; têm temores imaginários; são sensíveis ao ambiente; necessitam de segurança e atenção; irritam-se com confusão, quando cansados; têm compreensão literal; são cheios de deslumbramento e maravilha.
Atenção individual, voz baixa; seja calmo, evitando barulho e confusão. Faça que se sintam em casa; quando possível, inclua um professor do sexo masculino. Use programas variados que requeiram atividade muscular e atividades tranqüilas. Evite o uso de símbolos nos cânticos e nas histórias; leve-os a descobrir a Deus.

 

B) Pré-escolares ou Jardim de Infância - 4 a 5 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Crescimento rápido; desenvolvimento muscular com falta de boa coordenação; habilidade em certos jogos; agressividade; brincalhões; cansam-se com facilidade.
Tire tempo para atividades físicas; dê-lhes alguma responsabilidade; varie o período das aulas.

2. Características mentais e suas implicações.
Curiosidade; período curto de atenção; imaginação rica; vocabulário limitado; praticidade (tomam tudo ao pé da letra); muita fantasia.
Responda com atenção às perguntas deles; utilize-as em aula; varie; promova jogos que usem a imaginação; seja claro; empregue palavras que eles conhecem; raciocine com eles; exemplifique com histórias e ajudas audiovisuais.

3. Características sociais e suas implicações.
Egocêntricos; amistosos; imitadores; querem aprovação.
Ensine-os a compartilhar; seja amigo deles; dê bom exemplo; demonstre amor. Ensine o amor de Deus; oriente-os em suas formas de expressão.

4. Características espirituais e suas implicações.
Imaginam Deus de modo pessoal como o pai; confiam nele e o amam; diferenciam o certo do errado; prestam sincero culto a Deus; têm fé.
Ensine-os a relacionar-se com Deus através da oração; faça-os saber que Deus aprova o que é correto; proporcione-lhes tempo para adoração; ensine acerca de Jesus.

 

C) Primários - 6 a 8 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Ativos; crescimento irregular; abandono da primeira infância; querem fazer.
Promova muitas atividades; ofereça oportunidades para a livre expressão.

2. Características mentais e suas implicações.
Período curto de atenção; levam tudo ao pé da letra, pensam de maneira concreta; imaginativos, raciocínio crédulo; interesse pelas necessidades físicas; observadores.
Varie os procedimentos; seja claro e preciso; permita-lhes usar a imaginação, mas leve-os a distinguir o real do irreal; raciocine com eles; use ajudas audiovisuais.

3. Características emocionais e suas implicações.
Divirta-se com a classe; o professor deve ser calmo; ensine a confiança em Deus; incentive-os à solidariedade com as necessidades alheias.

4. Características sociais e suas implicações.
Amáveis com os companheiros da mesma idade e com o sexo oposto; egoístas; gostam de ajudar; necessitam de livre-expressão; preferem as atividades individuais.
Agrupe-os; ensine a compartilhar; promova tarefas que dêem oportunidades de colaboração; oriente a livre-expressão.

5. Características espirituais e suas implicações.
Têm fé natural e crêem na oração; são espiritualmente sensíveis; em geral gostam da Escola Dominical; são preconceituosos; visualizam Deus como santo, cheio de amor e de força.
Forneça-lhes tempo para orar e cultuar; incentive-os a ser obedientes a Cristo; leve-os a experimentar o amor e a ajuda de Deus.

 

D) Juniores - 9 a 11 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Energéticos e ativos; sadios; crescimento físico lento, exceto os músculos; resistentes; vagueadores.
Promova atividades ao ar-livre.

2. Características mentais e suas implicações.
Poder de concentração e de raciocínio; ansiosos pelo saber; fazem muitas perguntas; têm boa memória; gostam de colecionar; adoram histórias; gostam de investigar.
Raciocine com eles; leve-os a pensar; ative-lhes a memória proporcionando-lhes material para decorar, como versículos ou trechos bíblicos; oriente-os para algum interesse espiritual.

3. Características sociais e suas implicações.
Organizam-se em grupos, egoístas e impacientes, têm consciência do que é justo; culto aos heróis; menos tímidos; gostam de competir.
Encoraje o sentimento de "classe" através de tarefas para todo o grupo; ensine-os a discriminar as boas ações e as boas relações; dê bom exemplo.

4. Características espirituais e suas implicações.
Prontos para a salvação; têm fé singela; adquirem com facilidade o hábito de ler a Bíblia e de orar; determinam padrões elevados; podem crescer espiritualmente; preocupam-se com as necessidades espirituais dos outros; podem ver a Deus como o grande juiz.
Guie-os a Cristo; ensine-os a confiar em Deus; estabeleça alvos para o estudo bíblico; ensine-os a avaliar; encoraje-os a estabelecer alvos espirituais; dê ênfase ao trabalho missionário.

5. Características emocionais e suas implicações.
Têm menos temores; irritadiços; sentimentos mistos; são contra manifestações de afeição; raramente ciumentos; tendência a ódio forte; divertem-se com tudo, gostam de piadas.
Conte histórias de heróis; seja um guia e não um ditador; demonstre amor e aceitação; ensine-os a dar valor à habilidade dos outros; ajude-os a aprender a controlar o gênio; ria com eles na hora certa.

 

E) Pré-adolescentes - 12 a 14 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Mudanças e crescimento (meninas mais rapidamente); problemas com a pele e com a aparência, mudança de voz; consciência do sexo; um tanto desajeitados.
Atividades físicas como parte do currículo; dê oportunidade para que compreendam a si mesmos através das lições; mostre a visão cristã sobre os fatos da vida.

2. Características mentais e suas implicações.
Capacidade de raciocinar e inquirir; fazem escolhas; a memória melhora; "sonham acordados"; autoconsciência; julgamentos rápidos; ansiosos por respostas, mas aparentam indiferença.
Discussões em classe, enfatizando o cuidado que se deve ter nas opiniões; valores expostos e aceitos; alterne o exercício mecânico da memória com a retenção de conceitos; comece a colocar metas diante deles.

3. Características emocionais e suas implicações.
Instáveis, mal-humorados, inconstantes; solitários; ânsia de liberdade; incompreendidos; rebeldes; francos.
O professor precisa ter, acima de tudo, compreensão e firmeza; a orientação deve ser feita com cuidado, a fim de que seja aceita; amabilidade para com todos.

4. Características sociais e suas implicações.
Auge da idade da "turma", desejo de aprovação social; fortes laços de companheirismo; gostam de caçoar.
Atividades salutares nos dias úteis; incentive as atitudes corretas nas relações; organize trabalhos de grupo, incentive a cooperação e a ajuda mútua.

5. Características espirituais e suas implicações.
Crescimento da sensibilidade às coisas espirituais; fase crucial; perguntas honestas; ocasião oportuna para a conversão.
Envolvimento pessoal no culto; ajude-os a encontrar em Cristo "a resposta" para a vida e o centro controlador dela; organize a prática diária de uma vida cristã; leve-os a uma experiência com a plenitude do Espírito Santo.

 

F) Adolescentes - 15 a 17 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Mudança; saindo da fase desajeitada; maturação; dois extremos: muito sono e grande atividade.
Princípios cristãos para a compreensão própria, no desenvolvimento pessoal e na relação com outros; ajude-os a encontrar em Cristo um grande auxílio para a realização das tarefas diárias.

2. Características mentais e suas implicações.
Ativos e inquiridores; raciocínio; argumentação, debate; lembram-se de idéias; criativos; idealistas; independentes; dúvidas freqüentes; querem testar.
Ensino criativo, atencioso; oportunidades para discussão; oportunidades para expressar e fazer; oportunidades para ver todos os lados das questões; aumento de responsabilidades.

3. Características emocionais e suas implicações.
Românticos; mudáveis; emocionalmente instáveis.
Precisam de atividades durante a semana; precisam de compreensão.

4. Características sociais e suas implicações.
Atração pelo sexo oposto; problemas de namoro; padrões; querem ajuda; não gostam de sermões; rebelam-se contra a autoridade; imitadores; às vezes andam em rodinhas.
Oportunidades para associações sadias; princípios bíblicos; professor que é amigo e de confiança; oportunidade ampliada de pensar e tomar decisões.

5. Características espirituais e suas implicações.
Questionam e duvidam; a fé é posta à prova na educação; anseiam por segurança; capazes de uma vida cristã intensa, e forte crescimento e testemunho cristão.
Precisam ver um Cristianismo que funcione; precisam descobrir que a palavra é verdadeira e que Cristo é real; precisam de oportunidades para atividades evangelísticas.

 

G) Jovens - 18 a 24 anos

1. Características físicas e suas implicações.
Estão atingindo a idade adulta; a energia aumenta; época das grandes realizações.
Atividade; oportunidade para servir.

2. Características mentais e suas implicações.
A capacidade de raciocínio está totalmente desenvolvida; época de grandes decisões e de compromissos; independência intelectual; grande aprendizado; criatividade.
Responsabilidade de adulto; apreciam discussões e sabem tirar proveito delas; têm princípios para tomar decisões; desafie-os a descobrir o plano de Deus para suas vidas; amplitude e profundeza no estudo bíblico.

3. Características emocionais e suas implicações.
Aproximam-se da maturidade e mais estabilidade; estimativas animadas; menos medo e preocupações; interessados em sexo, amor e casamento.
Muita responsabilidade; instrução religiosa sobre o lar e o relacionamento familiar.

4. Características sociais e suas implicações.
Ampliam e aprofundam suas relações; procuram companheiro para a vida; alguns já estão casados; paternidade e maternidade; responsabilidade.
Oportunidades variadas para associações; encontrar e fazer novas amizades; classes de jovens casados; responsabilidades com a paternidade e compreensão.

5. Características espirituais e suas implicações.
Capazes de grande crescimento espiritual; estabelecem padrões de vida; época de provas.
Encoraje a tomada de decisões quanto aos princípios bíblicos; leve-os a almejar uma vida espiritual abundante; necessitam de fé firme e da prática da Palavra; necessitam de uma visão cristã da vida e do mundo.

H) Adultos - 25 anos em diante

1. Características gerais e suas implicações.
A idade adulta é, sob todos os aspectos, a idade da maturidade, a época da mais completa manifestação da vida, o tempo de grande produtividade, o apogeu e a queda do vigor físico; podem continuar aprendendo; época em que se manifesta a maior capacidade de discernimento; sérias responsabilidades; amizades estáveis; grande ambição e força de vontade.
A classe pode ficar sob a inteira responsabilidade dos alunos (metas de aprendizado e atividades); necessitam de firme estudo bíblico; as Escrituras são um guia para os princípios da vida, valores e prioridades; precisam de oportunidades para estabelecer serviços cristãos significativos e responsáveis.
Lembre-se que essas listas são generalizadas (em especial na categoria "Adultos", que englobam todo o resto da vida da pessoa). Não se deve presumir que todos os alunos se comportem da mesma maneira ou que tenham um desenvolvimento sincronizado. Seria simplificar demais. Use essas listas como guia para o ensino, mas dê prioridade ao indivíduo.

 

IX. O TRABALHO DO SUPERINTENDENTE

A) Promover relações entre a escola e a administração da igreja
Trabalhando com o Conselho da Igreja, com o pastor e com outros líderes para obter a orientação e providências necessárias às exigências da Escola.

B) Promover os interesses da escola
O Superintendente é responsável pelo progresso e desenvolvimento da Escola. Todo o plano para seu crescimento e melhora deve partir dele.
Seu dever supremo é pensar, planejar e pôr em execução os planos, por meio das forças organizadas que tem ao seu dispor.
Sobretudo deve procurar fazer a Escola crescer em qualidade e quantidade. Um dos deveres principais do superintendente é alcançar as crianças, jovens e adultos na sua comunidade. Um planejamento anual, seguido pela organização de novos grupos de alunos e a visita pessoal a eles pelos professores e obreiros significará uma campanha permanente de esforço pessoal, cujo resultado não pode ser outro senão o crescimento.
O crescimento numérico sempre traz consigo novo entusiasmo e maior interesse. O ingresso de novos alunos, a formação de novas classes, o recrutamento de novos obreiros inspira o pessoal a dedicar maiores esforços.

C) Desenvolver um plano para obter e treinar pessoas
capacitando-as para o ensino e administração
Quando não existir nenhum plano nesse sentido, deve-se iniciar um e determinar as responsabilidades para sua manutenção.

D) Elaborar um programa educacional e administrativo
Reconhecer a necessidade de um programa, ajudar no seu planejamento e executá-lo.

E) Dirigir as atividades gerais da escola
Numa EBD organizada, o superintendente trabalha em grande parte através dos diretores de departamento, e não diretamente com os professores e alunos. Esse arranjo não diminui suas responsabilidades, mas sim o isenta dos detalhes departamentais e lhe permite dar maior atenção aos interesses gerais da EBD.
Além de dirigir o trabalho dos oficiais gerais, ele é inspirador e responsável pelos diretores de departamento. Deve manter-se em contato com cada diretor de departamento e, ao formular os planos e a política da escola, deve buscar conselhos e ajudas deles. Não deve traçar planos e logo ordenar aos diretores de departamento que os levem a cabo. Essa não é a maneira de obter a cooperação de todo o coração. O melhor é convidar os oficiais para uma reunião, pedir suas sugestões, às quais deve dar toda a consideração ao formular a política da Escola. O superintendente deve sempre lembrar que seu propósito supremo é promover o ministério de ensino e que todo plano deve, de uma maneira ou outra, conduzir a esse fim.

F) Manter reuniões mensais de professores e oficiais
Toda instituição educacional tem reuniões do corpo docente. Sem reuniões de discussão e de consulta é impossível uma organização eficiente, e, sem elas, nenhum corpo de professores e oficiais pode trabalhar no prosseguimento de ideais comuns, nem manter a unidade de pensamento ou de ação.

G) Promover condições para o ensino eficiente
O programa para criar uma EBD maior e mais eficiente deve incluir o aspecto de alojamento necessário para uma Escola crescente. A falta de espaço retarda ou impede o crescimento das Escolas e em muitos casos provoca desânimo no superintendente.

H) Liderar com autenticidade espiritual
Alguém disse que "uma instituição é somente a sombra prolongada de um homem", e isso é verdade à proporção que o superintendente vai permanecendo no cargo. Tanto para os que estão dentro da Escola, como para os que estão fora, o superintendente simboliza a EBD, pois, além de seus deveres como organizador e administrador, ele deve representar na igreja uma liderança espiritual vital.
Na sua vida pessoal, é preciso que seja irrepreensível e respeitado por toda a igreja. Através de contatos pessoais, deve irradiar sinceridade e simpatia que inspirem confiança.
Seu entusiasmo pela escola e pelo seu trabalho deve ser tão evidente, que todos aqueles que vivem sob sua influência assimilarão seu espírito e cultivarão um sentimento semelhante. Sua fé sincera e zelo pelo reino de Deus devem penetrar todos os programas e planos da escola. Precisa mostrar uma vitalidade e atividade que revelem seu amor pela escola. Deve dar o exemplo de fidelidade, pontualidade e devoção, tanto aos alunos, como aos professores, e mostrar solicitude pelo crescimento espiritual das pessoas.

I) Procurar estar informado e desenvolver sua capacidade de desempenhar o cargo
O superintendente não pode exercer seu cargo sozinho. Depende de muitas pessoas para ajudá-lo. Sua tarefa é de cooperação e nesse espírito deve ser executada. Poucos superintendentes começam seu trabalho plenamente preparados e equipados para a tarefa. Mesmo o que tem mais preparo terá que crescer com o cargo; por isso recomendamos que o superintendente visite outras escolas de vez em quando. Ele descobrirá, também, muitas sugestões em publicações evangélicas.
Pode haver muitos aspectos desanimadores no trabalho do superintendente, mas, quando um homem tem sua visão ampliada quanto ao ensino da Palavra de Deus, tem experimentado seu poder transformador na sua própria vida e tem observado esse mesmo poder mudar a vida de outros, então pode assumir o cargo de superintendente. Ninguém jamais conseguiu ser um superintendente perfeito, mas muitos têm tido oportunidade de exercer o cargo, dedicando-se a ele e crescendo na convicção e fé de que "com a ajuda de Deus, nós podemos".

X. CONCLUSÃO

Queremos agradecer a você que chegou até aqui. Certamente você quer ser um professor preparado para enfrentar o grande desafio do ensino na igreja.
Sendo um material contextualizado, o Plano de Estudos Vida Radiante permite que você se prepare cada vez melhor para ensinar em qualquer classe da Escola Dominical, possibilitando, ao final de cada período letivo, alunos mais maduros espiritualmente.
Seguindo os conceitos aqui apresentados, suas aulas serão diferentes. Seus alunos logo perceberão que você mudou. E mudou para melhor! Nosso desejo é que você saia desta reunião com o desejo ardente de preparar, imediatamente, sua próxima lição da Escola Dominical. Lógico... usando o Plano de Estudos Vida Radiante.
Ensinar é um grande desafio. O Plano de Estudos Vida Radiante foi preparado para ajudá-lo a vencer esse desafio.

Sê tu uma bênção.


 

HOMEM - A IMAGEM E O ORIGINAL

     HOMEM - A IMAGEM E O ORIGINAL

 Deus criou o homem, macho e fêmea, á sua própria imagem: isso é uma questão de fé. Durante séculos, nossos antepassados esforçaram-se para se aperfeiçoar á imagem de Deus: isso é uma questão histórica. Durante os longos séculos em que o Deus dos judeus e dos cristãos constituiu a realidade última do Ocidente, europeus e, mais tarde, americanos procuraram conscientemente nele se moldar. Acreditavam que conseguiriam transformar a si mesmos em cópias melhores do original divino, e empenharam-se diligentemente nessa tarefa. Imitatio Dei, a imitação de Deus, constituía categoria central da piedade hebraica.  A imitação de Cristo, Deus feito homem, era igualmente central para os cristãos.

Muita gente no Ocidente não acredita mais em Deus, mas a crença perdida, assim como uma fortuna perdida, tem efeitos duradouros. Um jovem que cresce na riqueza pode, quando atinge a maioridade, doar toda a sua fortuna e viver na pobreza. Seu caráter, porém, continuará sendo o de um homem criado na riqueza, uma vez que não pode livrar-se de sua história. De forma semelhante, séculos de rigorosa moldagem do caráter á imagem de Deus criou um ideal de caráter humano que ainda hoje é forte, mesmo que para muitos seus fundamentos tenham sido removidos. Quando ocidentais encontram uma cultura com ideais diferentes, quando dizemos , por exemplo: “Os japoneses são diferentes”, descobrimos, indiretamente, quão estranho e duradouro é nosso próprio ideal, a idéia que herdamos de como deve ser um ser humano. Em inúmeros aspectos externos, o Japão e o Ocidente passam a se parecer. Os japoneses comem carne vermelho; os ocidentais comem sushi. Os japoneses usam terno; o quimono passou a fazer parte do vocabulário ocidental. No entanto, persiste uma profunda diferença, pois o Japão usava um espelho religioso-cultural diferente durante os séculos em que o Deus da Bíblia serviu de espelho para o Ocidente. Este assunto sobre o homem procura colocar o espelho bíblico, limpo e polido, nas mãos de nossos alunos.

Para os não-ocidentais, o conhecimento do Deus venerado no Ocidente abre uma via direta para o cerne e para a origem do ideal ocidental de caráter. Para os próprios ocidentais, um conhecimento aprofundado desse Deus pode servir para tornar conscientes e sofisticadas coisa que permanecem inconscientes e ingênuas. De certa forma, somos todos imigrantes do passado. E assim como um imigrante que retorna, depois de muitos anos, á terra onde nasceu pode enxergar seu próprio rosto no  rosto de estranhos, assim também o homem ocidental moderno, secular, pode sentir um tremor de reconhecimento na presença do antigo protagonista da Bíblia.

Como pode um não-crente chegar á presença de Deus? De geração em geração, o judaísmo e o cristianismo transmitiram seu conhecimento de Deus de diversas maneiras. Para poucos, existiram e ainda existem as exigentes e ás vezes esotéricas disciplinas do ascetismo, do misticismo e da teologia.

Os filósofos da religião afirmam ás vezes que todos os deuses são projeções da personalidade humana, e pode ser que isso seja verdade. Mas nesse caso devemos ao menos reconhecer o fato empírico de que muitos seres humanos, ao invés de projetarem as suas personalidades em deuses criados inteiramente por eles próprios, preferem introjetar - imprimir em si próprios - as projeções religiosas de outras personalidades humanas.

É por isso que a religião desperta tamanha fascinação, inveja e (ás vezes) raiva em escritores e críticos literários que se dedicam demais ao assunto. A religião - a religião ocidental em particular - pode ser considerada como uma obra literária mais bem sucedida do que qualquer autor ousaria sonhar. Qualquer personagem que “ganhe vida” numa obra de arte literária exerce algum grau de influência sobre as pessoas reais que lêem essa obra. O Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, obra em que o personagem-título toma por modelo a literatura popular de sua época, t raça um retrato cômico e pungente desse processo em ação. Cervantes sem dúvida meditou sobre a influência que sua própria obra viria a Ter, e mostra o seu Dom Quixote “real” encontrando pessoas que conhecem um personagem literário com esse mesmo nome. Em nossos dias, milhões de pessoas misturam a vida real dos artistas de cinema com suas vidas fictícias, e atribuem a essa cominação uma importância maior do que a que concedem a qualquer ser humano real que de fato conheçam, sofrendo as melancólicas conseqüências dessa atitude. Sua carne  é triste, sim, e elas assistiram a todos os filmes.

Nenhum personagem, porém - no palco, na página ou na tela, jamais teve o sucesso que Deus sempre teve. No Ocidente, Deus é mais que um nome familiar, ele é, queira-se ou não, um membro virtual da família ocidental. Pais que não querem saber dele não conseguem impedir que seus filhos venham a conhecê-lo, pois não só todo mundo já ouviu falar dele, como todo mundo, mesmo hoje em dia, tem algo a dizer a seu respeito. O dramaturgo Neil Simon publicou há alguns anos uma comédia, God’s favorite, inspirada no Livro de Jó da Bíblia. Das pessoas que assistiram á peça, poucas haviam lido o livro bíblico, mas isso não era preciso: já sabiam como era Deus para poderem entender as piadas. Se nada for sério, nada será engraçado, escreveu Oscar Wilde. De onde veio a imagem de Deus que os espectadores da Broadway tinham em mento ao rirem da peça de Simon?

Veio inteiramente da Bíblia e, em termos mais especificamente humanos, daqueles que escreveram a Bíblia. Aos olhos da fé, a Bíblia não é só um conjunto de palavras sobre Deus, é também a Palavra de Deus: Ele  é seu autor e seu protagonista. Não importa se os antigos autores da Bíblia inventaram Deus ou meramente registraram as revelações de Deus sobre si mesmo: sua obra atingiu, em termos literários, um estrondoso sucesso. Ela vem senso lida em voz alta, toda semana, há 2 mil anos, para platéias que recebem com total seriedade, procurando conscientemente  assimilar ao máximo a sua influência. Sob esse aspecto, não tem paralelos na literatura ocidental e provavelmente em nenhuma literatura. O Corão vem imediatamente á cabeça, mas os muçulmanos não consideram o Corão como literatura: essa obra ocupa, para eles, um nicho metafísico todo próprio. Os judeus e cristãos, ao contrário, mesmo reverenciando a Bíblia como algo mais que mera literatura, não negam que ela  é também literária e  concordam, em geral, que ela pode ser assim apreciada sem blasfêmia.

A apreciação religiosa da Bíblia coloca como foco central e explícito a bondade de Deus. Judeus e cristãos adoram Deus como origem de toda virtude, fonte de justiça, sabedoria, misericórdia, paciência, força e amor. Mas implícita e perifericamente foram se acostumando __ e depois, ao longo do séculos, também se apegando __ a algo que podemos chamar de ansiedade de Deus. Deus é um amálgama de diversas personalidades num único personagem. A tensão entre essas personalidades faz com que Deus seja difícil, mas faz também que seja atraente, e até mesmo viciante. Ao emular conscientemente suas virtudes, o Ocidente assimilou de modo inconsciente essa tensão entre unidade e multiplicidade. No fim das contas, apesar do desejo que os ocidentais  ás vezes manifestam de um ideal humano mais simples, menos ansioso, mas “centrado”, as únicas pessoas que achamos satisfatoriamente reais são aquelas cujas identidades contêm diversas subidentidades aglomeradas num todo. Quando nós, ocidentais, procuramos nos conhecer pessoalmente, é isso que procuramos descobrir uns sobre os outros. Na cultura ocidental, a incongruência e o conflito interno não são apenas permitido, chegam quase a ser exigidos. Pessoas meramente capazes de desempenhar vários papéis não correspondem a esse ideal. Elas têm personalidade __ ou repertório de  personalidades __ mas não têm caráter. Pessoas simples sem complicações, que sabem claramente quem são e assumem um papel determinado sem relutar, também não correspondem a esse ideal. Podemos admirar sua paz interior, mas no Ocidente jamais as imitaremos. Centradas ou centradas demais, elas têm caráter, mas pouca personalidade. Entediam-nos como nós mesmos nos entediaríamos se fôssemos como elas.

Tornamos as coisas assim tão difíceis para nós mesmos porque nossos antepassados viam a si próprios como imagem de um Deus que, na verdade, havia complicado as coisas para si de maneira semelhante. O monoteísmo reconhece um único Deus: “Ouvi, ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um”. A Bíblia insiste na unidade de Deus mais do que em qualquer outra coisa. Deus é a Rocha das Idades, a integridade em pessoa. E, no entanto, esse mesmo ser combina diversas  personalidades. Mera unidade (caráter penas) ou mera multiplicidade (personalidade apenas) seriam bem mais fáceis. Mas ele é ambas as coisas e assim a imagem do humano que dele deriva (O HOMEM) exige ambas as coisas.

É estranho dizer isso, mas Deus não e nenhum santo. Muitas objeções podem ser feitas a seu respeito e já houve várias tentativas de melhorá-lo (as religiões assim fazem). Muitas coisas que a Bíblia diz a seu respeito raramente são pregadas no púlpito porque, se examinadas mais de perto, seriam um escândalo. Mas, mesmo que só parte da Bíblia seja ativamente pregada, nenhuma de suas parte é contestada. Em qualquer página da Bíblia, Deus continua sendo o que sempre foi: o original da FÉ de nossos pais, cuja imagem ainda vive dentro de nós como um ideal secular difícil mas dinâmico. A originalidade de Deus é contagiante e o seu amor pelo HOMEM nos faz, através deste, conhece-lo, isto é, através do HOMEM podemos conhecer DEUS.

 

 

CRIADOR DO HOMEM “ONDE ESTÁS?”

(Gn.1-3)

 

“Também disse Deus: ‘Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra’. Criou Deus, pois, o homem á sua imagem, á imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeita-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra’

E Deus disse ainda: ‘Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será por mantimento’. E assim se fez. Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia. Gn.1:26-31

 

O sentido real de imagem é fornecido na instrução sobre o domínio da terra que vem imediatamente a seguir. Por que da á humanidade essa versão do domínio divino? Porque a humanidade se transforma, assim numa melhor imagem do “nós” que comanda a criação. E por que fecundidade e multiplicação? Porque, quando os seres humanos se reproduzem, são a imagem de seu criador em seu ato criativo. A reprodução produz reproduções, imagens: os filhos não se parecem com os pais? O motivo para tudo aquilo que precede a criação da humanidade é, em última análise, prover o ato culminante com o qual Deus cria outro tipo de criador.

Repetindo: Deus faz o mundo porque quer a humanidade, e quer a humanidade porque quer uma imagem. Outros motivos podiam estar igualmente em jogo. Para citar um relacionado ao antigo Oriente Próximo, ele podia querer um servo. Para escolher outro, posterior em sua própria história, ele podia querer uma amante. Podia querer até um adorador. Mas neste ponte ele não é __ a julgar por tudo o que diz __ um Deus que deseje amor ou adoração ou qualquer outra coisa que se possa citar com facilidade. Ele que uma imagem: mas por que haveria de querer isso? Neste ponto, só podemos “adivinhar”.

Deus é reservado em sua maneiras, mas o que ele está escondendo? Ouvimos que fala o plural “nós”, que diz “nossa” imagem e queremos saber mais. Se “nossa” imagem é macho e fêmea, será que “nós” também é macho e fêmea? Essa inferência seria a mais lógica e imediata, mas nada do que vem em seguida parece corroborar isso. O texto fala de Deus no masculino e no singular. E se esse Deus tem uma vida privada ou mesmo, por assim dizer, uma vida social entre outros deuses, ele não nos admite nela. Ele parece estar inteiramente sozinho, não apenas sem esposa, mas também sem irmão, sem amigo, sem servo, sem nem mesmo um animal místico. Sua vida está a ponto de enredar-se definitivamente na determinação de sua imagem de produzir imagens próprias. Porém, se faltavam á vida de Deus laços humanos, que tipo de vida levava? Só podemos “adivinhar”. Não existe nenhum indício, humano, de esforço em sua atividade. Os Seis Dias da Criação não têm nenhuma semelhança com os Doze Trabalhos de Hércules, cheios de músculos em ação e suor escorrendo. Soberania inquestionável e sem esforço é o seu traço característico, portanto, sua VIDA nada tem a haver com os mitos gregos. E, no entanto, no sétimo dia, ele descansa “de toda obra que, como Criador, fizera”. Será que custou-lhe mais esforço do que percebemos de momento? Será mais fraco do que demonstra?

O sexto dia da criação tem um resultado ligeiramente ambivalente. Seu mandamento ao macho e á fêmea que acabou de criar é: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”, e o texto diz: “E assim se fez”. Mas ainda não se fez. O macho e a fêmea ainda não se mostraram, nesse momento, fecundos, ainda não se multiplicaram. E deles Deus não diz diretamente, como diz de todas as suas outras criações: “E Deus viu que era bom”. O julgamento final, expresso pelo narrador, que misteriosamente lê a mente de Deus, diz respeito apenas á criação como um todo: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”. “Muito” ocorre pela primeira e única vez aqui, mas só depois de uma elisão ligeiramente perturbadora no que tange á humanidade. E então, repentinamente, esse mergulho num dia inteiro de descanso. Deus já é, nesse primeiro momento de sua história, uma mistura de fraqueza, de determinação e “arrependimento.”

Um  segundo relato da criação, de fonte original independente, começa em Gênesis 2:4. Aqui, “Deus” elohim, é substituído por “Senhor Deus”, yahwer elohim. A divindade é chamada por seu nome próprio, yahwer, com o substantivo comum (em vez de seu nome próprio alternativo) elohim acrescentado como adorno. A expressão “o Senhor”, que se usa por convenção para traduzir yahwer em todas as Bíblias em português, é de fato uma tradução da palavra hebraica edonay, literalmente, “meu Senhor”. A palavra edonay, que não se encontra no texto, era usada pelos judeus piedosos de outrora como forma de referir-se a Deus sem desrespeitar o sagrado nome próprio de Deus pronunciando-o Mais adiante, em certos pontos de sua longa história, Deus será algumas vezes elohim, como mito maior freqüência yahwer, e algumas vezes será chamado por algum de seus nomes ou epítetos menos freqüentes. Embora o texto considere claramente todos esses nomes como referentes a um mesmo e único ser, esse ser, como vemos, se conduz de maneira um tanto diversa quando sob seus diferentes nomes no LIVRO do GÊNESIS.

O segundo da criação __ que, numa leitura contínua, constitui mais uma seqüência do primeiro relato do que uma alternativa a ele __ tem um foco mais delimitado, aumentando a tensão entre o criador e a criatura humana. A humanidade não é mais situada “na terra”, concebida como um gigantesco paraíso natural no qual deve ser fecunda e multiplicar-se, mas sim em “um jardim no Éden, na bando do Oriente”, que Deus plantou e deu ao “homem” para que plantasse e cuidasse. E o domínio que a humanidade deveria exercer como imagem de Deus é também restringido: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia que dela comeres, certamente morrerás” (Gn.2:17).

No primeiro relato da criação algo é ordenado, mas nada é proibido. Agora, pela primeira vez, existe uma proibição. Parece imposta no interesse do homem, mas podemos conjeturar: se o homem deve dominar a terra (relembrando o primeiro relato da criação), por que não lhe é permitido o conhecimento do bem e do mal? Não é oferecida ao homem nenhuma razão para que obedeça, a não ser uma que não faz nenhum sentido. E o Senhor Deus desta Segunda história da criação parece notavelmente mais ansioso no confronto com sua criatura do que parecia o Deus da primeira e porque?

O tom de ansiedade fica mais agudo quando o Senhor Deus cria a mulher. No contexto, este segundo relato pode ser lido como a história do que realmente aconteceu no sexto dia da criação, uma explicação de por que Deus, ao contrário de Deus, não vê o homem como bom nem mesmo por extensão. Não, há algo errado como o homem, e sobre essa falho o Senhor Deus são pode dizer: “Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Mas todos os esforços do Senhor Deus para fabricar uma auxiliadora adequada acabam falhando. Ele traz para diante do homem “todos os animais do campo, e todas as aves dos céus”, num cortejo excepcional, e atribui ao homem o poderoso privilégio de dar nome a eles, mas “não achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea”. A implicação clara é que o homem rejeita todo o esforço divino de criar outras criaturas viventes: elas podem ser “boas”, mas não são boas para ele. Não adianta fabricarmos pessoas para nós, só as nascida em Deus, ou melhor dizendo, as nascida de Deus se torna importante para o homem. O Senhor Deus, agora trabalhando de fato, é levado a um expediente extremo e cria a mulher a partir de uma costela do homem.

O homem, nas primeiras palavras faladas por um ser humano na Bíblia, celebra-a com alegria, mas sem expressar nenhuma gratidão ou nenhum outro reconhecimento pelo Senhor Deus:

“Esta, afinal,

é osso dos meus ossos e carne da minha carne;

chamar-se-á Mulher,

porque do homem foi tomada”. (Gn.2:23)

No primeiro relato da criação, o macho e a fêmea também nada dizem em resposta ao Deus que o criou, mas de sua parte Deus não parece esperar nada. Sua única expectativa é que sejam fecundante eles próprios, dominando a terra e servindo, assim, como sua imagem. A primeira história da criação não contém, portanto, nenhuma narrativa de transgressão humana e isto vem dizer que alguém transgrediu e sabemos que o culpado foi Lúcifer e que, nos primórdios, antes de Adão houve alguém responsável pelo pecado e que de alguma maneira passou para o homem, através da alma pois Deus busca almas perdidas, daí o pecado já existente no Éden e no mesmo a Árvore da Ciência do Bem e do Mal, aliás composição do homem, duas leis que se guerreias, como disse Paulo. O homem portanto é, no  seu espírito propriedade de Deus e na sua alma  propriedade de Lúcifer. Se o mundo está no maligno a alma da mesma forma, está mais não é dele. Jesus veio tirar este direito luciférico e isto é claro em Cl.214.

Paulo fala que devemos ser imitadores dele como ele foi de Cristo Jesus, só que Paulo teve um encontro real com o Senhor. Paulo conhecia bem o Senhor pois só podemos imitar o que conhecemos. Todo este material já escrito em cima é uma tentativa pálida de passar a realidade de Deus para podermos imita-lo. Todo o material que virá adiante nos dará melhor esclarecimento sobre a natureza do homem, o mesmo ser que foi feito a imagem e semelhança de Deus e que a perdeu.

 

O HOMEM

 

Segundo Gn.2:7 o homem se compõe de duas substâncias, notem, o homem em Gênesis, __ substância material, chamada corpo, e a substância imaterial, chamada alma. A alma é a vida do corpo e quando a alma se retira do corpo morre. (vejamos alguns pensamentos, usado neste sentido, por uma dos maiores teólogos do mundo, o judeus Myer Pearman).

Peraman acha que segundo 1ª Ts.5:22 e Hb.4:12, o homem se compõe de três substâncias __ espírito, alma e corpo; alguns estudantes da Bíblia defendem essa opinião de três partes da constituição humana, versus, doutrina de suas partes apenas, adotada por outros.

Se estudarmos o homem antes da queda e pós queda descobriremos que a dicotomia e tricotomia estão corretas. É necessário que ambas sejam bem compreendidas. O espírito e a alma representam os dois lados da substância não física: uma espiritual e outra psicológica. Embora  distintos, o espírito e alma são inseparáveis, são entrosados um no outro. Por estarem tão interligados, as palavras “espírito” e “alma” muitas vezes se confundem. (Ec.12:7; Ap.6:9); de maneira em um trecho a substância espiritual do homem se descreve como alma (Mt.10:28), e em outra passagem como espírito. (Tg.2:26)

Embora muitas vezes os termos sejam usados alternativamente, tem significados distintos. Por exemplo: “A alma” é o homem como o vemos em relação a esta vida atual. As pessoas falecidas descrevem-se como “almas” quando o escritor se refere á sua vida anterior. (Ap.6:9; 20:4) “O espírito” é a descrição comum daqueles que tem passado para a outra vida (At.23:9; 7:59; Hb.12:23; Lc.23:46; 1ª.Pd.3:19). Quando alguém for “arrebatado” temporariamente fora do corpo (2ª.Co.12:2) se descreve como “estando no espírito” (Ap.4:22; 17:3).

 Vejamos, portanto o que quer dizer ESPÍRITO HUMANO. Habitando no homem existe o espírito dado por Deus em forma individual e se é dado por Deus é bom e incorruptível (Nm.16:22; 27:16). O espírito foi formado pelo Criador na parte escondida da natureza do homem, o qual é capaz de renovação e desenvolvimento. (Sl.51:10). Esse espírito é o centro e a fonte da vida humana; a alma  possui e usa essa vida e lhe dá expressão por meio do corpo. No princípio Deus soprou o espírito de vida no corpo inanimado e o homem “foi feito alma vivente”. Assim é que a alma se pode chamar do corpo do espírito, isto é, o espírito se expressa através da alma e o corpo a expressão da alma. Portanto vejamos esta cadeia: O Espírito de Deus testifica com o meu espírito o meu espírito com minha alma e minha alma com meu corpo. A combinação desses dois elementos constitui o homem em “alma”. A alma sobrevive á morte porque o espírito a dota de energia de Deus através da Palavra, no entanto, a alma e o espírito são inseparáveis porque o espírito está entrosado e confunde-se com a substância da alma, isto é, Deus unido ao homem, espírito e alma e se Deus é eterno, quando unido a alma Ele a faz eterna, isto se o homem entender a doutrina do Pai pois se o homem morre, o corpo perde a vida física e a alma perde a eternidade do espírito  humano que é a morada do Espírito de Deus.

O espírito é aquilo que faz o homem diferente de todas as demais coisas criadas. É dotado de vida humana (e inteligência, Pv.20:27; Jó 32:8) em distinção da vida animal. Os animais tem alma (Gn.1:20 no original) mas não tem espírito. Em Ec. 3:21 a referência trata aparentemente do princípio de vida, tanto no homem como no animal. Salomão registrou uma pergunta que fez quando se afastou de Deus. Assim é que, dissemelhante  dos homens, os animais não podem conhecer as coisas de Deus. (1ª Co.2:11; 14:2; Ef.1:17; 4:23) e não podem Ter relações pessoais e responsabilidades para com Ele. João 4:24. O espírito do homem, quando se torna morada do Espírito de Deus (Rm8:16), é centro de adoração (João 4:23,24); de oração, cântico, bênção (1ª.Co.14:15), e de serviço (Rm.1:9; Fp.1:27).

O espírito humano, representando a natureza suprema do homem,  rege a qualidade de seu caráter. Aquilo que domina o espírito torna-se em atributo de seu caráter. Por exemplo, se o homem permitir que o orgulho o domine, ele tem um “espirito influenciado pela altivez”. (Pv.16:18) Conforme as influência respectivas que domine sua alma, um homem pode ter um espírito não produzindo a bondade, fruto do espírito (Gl.5; cf. Is.19:14), um espírito na irritação da alma não produz tranqüilidade (Sl.106:33), um espírito não produzindo o fruto da paz a alma produzira impaciência (Pv.14:29). O espírito não produzindo sua verdadeira natureza não terá a alma paz, descanso, domínio próprio (Gn.41:18, Is.57:15; Mt.5:15; Rm.8:15; Nm.5:14) Assim é que o homem deve guardar seu espírito dos sentimentos da alma sem Deus (Ml.2:15), dominar a sua alma, ou melhor dizendo, o ânimo da alma (Pv.16:32), pelo arrependimento tornar-se em novo a nova lei, lei do espírito (Ez.18:31) e confiar em Deus para transformar, isto é fazendo nascer em nos a Lei do Reino de Deus que está entre nós, daí o Novo Nascimento, a Lei de Deus no Fruto do Espírito, desta maneira teremos um novo coração, o transplante real (Ez.11:19).

Quando as paixões vis exercem o domínio e a pessoa manifesta um sentimento perverso, isso significa que a alma (a vida egocêntrica ou vida natural, psíquica, pois psicologia significa estudo da alma), está guerreando com o espírito humano e a vitória está no livre arbítrio, isto é na escolha do homem pois este tem a vida e a morte, a bênção e a maldição para escolher e o espírito e alma só agem na autorização desta livre escolha no homem e para que o homem escolha bem é necessário que conheça bem o seu interior e a Bíblia é o ÚNICO MANUAL e que porá o homem no Éden da Vida e não correrá o mesmo perigo de Adão, não escolherá a morte pois quem da Árvore da Ciência comesse morreria (Gn.3:3). Paulo convida o homem dizendo: “Examine o homem a si mesmo...”. Portanto, se o homem tiver o conhecimento de Deus o seu espírito será vitorioso e este terá o testificar do Espírito de Deus, caso contrário, o espírito do homem continuará escondido sem expor a natureza de Deus. O homem é vítima de seus sentimentos e apetites naturais; e é “carnal”. O espírito já não domina mais, e essa, e essa impotência em que o homem o deixa se descreve com um estado de morte, note estado e não a morte. Dessa maneira há necessidade de receber uma dosagem das coisa de Deus para que o espírito transmita o seu dom natural e novo para o velho homem (Ez.18:31; Sl.51:10); e somente Deus, que originalmente soprou no CORPO do homem o fôlego da vida poderá sopra-lo na alma, o corpo do espírito, uma nova vida  - isto é, regenerá-lo. (Jo.3:8; 20:22; Cl.3:10) Quando assim sucede, o espírito do homem novamente ocupa o lugar de ascendência, ele volta ao lugar de origem, “façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, isto é, quando o arrependimento acontece em nossas vidas e arrependimento significa:

 

AR: RUHAR- Espírito (Ruhar – espírito em hebraico. (Pneuma – espírito em grego)

RE: VOTA – De volta a Deus

PENDIMENTO – O Homem Pleno.

 

Quando o espírito do homem está exercendo as coisa do Reino de Deus o homem novamente ocupa o seu lugar verdadeiro e chega a ser o homem “espiritual”. Entretanto, o espírito não pode viver de si mesmo, mas deve buscar a renovação constante do Espírito de Deus.

 

 

O QUE VEM A SER ALMA HUMANA.

 

Alma é aquele princípio e vivificante que anima o corpo humano, usando os sentidos físicos como seus agentes na exploração d as coisas materiais e os órgãos do corpo para se expressar e para comunicar-se com o mundo exterior. Originalmente a alma veio a existir em resultado do sopro sobrenatural de Deus. Podemos descreve-la como espiritual, quando ligada beneficamente ao espírito e puramente vivente se estiver no curso natural em que a terra tomou com o pecado. A alma se manifesta através do corpo. No entanto, não devemos crer que a alma seja parte de Deus, pois a alma peca. É mais correto dizer que é o Dom e a obra de Deus (Zc.12:1) e que a alma que pecar esta morrerá e que Jesus veio salvar a alma do homem e somente o Espírito de Deus, testificando com o espírito do homem, poderá o realizar o Plano de Deus __ salvar as almas.

A alma distingue a vida humana e a vida animal das coisas INANIMADAS e como também da vida INCONSCIENTE como seja a vegetal.

Tanto os homens como os animais possuem almas (Gn.1:20, a palavra “vida” é “alma” no original) porém vida sem CONSCIÊNCIA, isto é, vida ou alma inconsciente - animal e vida ou alma consciente- racional, daí o texto que Paulo expressa: “...  que o vosso seja culto racional” (Rm.12:1). Podemos dizer que as plantas tem uma alma (no sentido de um princípio de vida), mas não é uma alma CONSCIENTE.

A alma do homem o distingue dos animais. Os animais possuem uma alma, mas é alma terrena que vive somente enquanto durar o corpo. (Ec.3:21) A alma do homem é de qualidade diferente denso vivificada pelo espírito humano. Como “toda carne não é a mesma carne”, assim sucede a alma; existe alma humana e existe alma animal.

Evidentemente os homens fazem o que os animais, por serem inferiores, não podem fazer, por muito inteligente que sejam; a sua inteligência é de instinto e não proveniente da razão. Tanto os homens como os animais constróem casas. Mas o homem progrediu, vindo, a construir catedrais, escolas e arranha-céus, enquanto os animais  constróem suas casas hoje da mesma maneira como as construíam quando Deus os criou. Os animais podem guinchar (como o macaco), cantar (como o pássaro), falar (como o papagaio); mas somente o homem produz a arte, a literatura, a música e as invenções científicas. O instinto dos animais pode manifestar a sabedoria do seu Criador, mas somente o homem pode conhecer e adorar o seu CRIADOR.

Para melhor ainda ilustrar o lugar elevado que ocupa o homem na escala de vida, vamos observar os quatro degraus da vida, que se elevam em dignidade um sobre o outro, conforme a independência sobre a matéria:

1ª- A Vida Vegetal, que necessita de órgãos materiais para assimilar o alimento;

2ª- A Vida Sensível, que usa os órgãos para perceber e Ter contato com as coisa materiais;

3ª- A Vida Intelectual, que percebe o significado das coisa pela lógica, e não meramente pelos sentidos;

4ª- A Vida Moral, que concerne á lei e á conduta. Os animais são dotados de vida vegetativa e sensível; o homem é dotado de vida:

 

a- Vegetativa

b- Sensível

c- Intelectual e

d- Moral.

 

A alma distingue o homem de outro e dessa maneira forma a base da individualidade. A palavra “alma” é, portanto usada freqüentemente no sentido de “pessoa”. (Ex.1:5) “cada alma” significa “setenta pessoas”. Em Rm.13:1 “cada alma” significa “cada pessoa”. Atualmente dizemos, “Não havia nem uma alma presente”, referindo-se ás pessoas, portanto, é bom que não esqueçamos que são chavões que mudaram e mudam o sentido de muitos textos bíblicos, aliás existem muitos textos na Bíblia em que os homens traduziram segundo estes chavões.

A alma distingue o homem não somente das ordens inferiores, como também das ordens superiores dos “anjos”, porque  não tem corpos semelhantes aos dos homens. O homem tornou-se um “ser vivente”, quer dizer, a alma enche um corpo terreno sujeito ás condições terrenas. Os “anjos” se descrevem como espíritos e não almas (Hb.1:14), porque não estão sujeitos as condições materiais. Por essa mesma razão se descreve Deus como “ESPÍRITO”. Mas os “anjos” são espíritos criados e finitos, enquanto Deus é o ESPÍRITO ETERNO e INFINITO.

 

 

QUANTO A ORIGEM DA ALMA

 

Sabemos que a primeira alma veio a existir em resultados de Deus Ter soprado no homem o sopro de  vida. Mas como chegaram a existir as almas desde esse tempo? Existem duas idéias, ou dois grupos diferentes quanto esta questão de alma:

1ª- Um grupo afirma que cada alma individual não vem proveniente dos pais, mas sim pela criação Divina imediata. Citam Is.57:16; Ec.12:7; Hb.12:9; Zc.12:1.

2ª- Outros pensam que a alma é transmitida pelos pais. Apontam o fato de que a transmissão da natureza pecaminosa de Adão á posterioridade milita contra a criação divina de cada alma; também o fato de que as características  dos pais se transmitem á descendência. Citam as seguintes passagens: João 1:13; 3:6; Rm.5:12; 1ª.Co.15:22; Ef.2:3; Hb.7:10.

A origem da alma pode explicar-se pela cooperação tanto do Criador como dos pais. No princípio duma nova vida, a Divina criação e o uso criativo de meios agem em cooperação. O homem gera o homem em cooperação com
“o Pai dos espíritos”. O poder de Deus domina e penetra o mundo (At.17:28; Hb.1:3), de maneira que todas as criaturas venham Ter existência segundo as leis que ele ordenou. Portanto, os processos normais da reprodução humana põem em execução as leis de vida fazendo com que a alma nasça no mundo, a alma puramente com o código de vida animal (inconsciente) e a alma racional (consciente) e também com o código de vida.

A origem de todas as formas de vida está encoberta por um véu de mistérios e que no passado estava velado (Ec.11:5; Sl.139:13-16; Jó10:8-12) e agora revelado através do Novo Pacto que está no EVANGELHO nos dado por JESUS CRISTO.

A relação entre alma e corpo pode ser descrita e ilustrada da seguinte maneira:

1-   A alma é o depositário da vida; ela figura em tudo que pertence ao sustento, ao risco, e á perda da vida. É por isso que em muitos casos a palavra “alma” tem sido trazida “vida”, (Gn;9:5; 1º Rs.19:3; 2:23; Pv.7:23; Ex.21:30; 30:12; At.15:26), daí o espírito a vida da alma. A vida é o entrosamento do corpo com a alma, enquanto o Espírito de Deus entrosa com o espírito humano. Quando a alma e o corpo se separam, o corpo não existe mais; o que resta é apenas um grupo de partículas materiais num estado de rápida decomposição.

2-   A alma penetra e habita em toda a parte do corpo e afeta mais ou menos diretamente todos os seus membros.

          Este fato explica porque as Escrituras atribuem sentimentos ao coração e aos rins, {notem, coração: as três partes da alma- MENTE, VONTADE e EMOÇÃO, e a primeira divisão do espírito- CONSCIÊNCIA} (Sl.73:21; Jó16:13; Lm.3:13; Pv.23:16; Sl.16:7; Jr.12:2; Jó.38:36; ás entranhas (Fl.12; Jr.4:19; Lm.1:20; 2:11; Ct.5:4; Is.16:11); e ao ventre (Hc.3:16; Jó20:23; 15:35; Jo.7:338). Esta mesma verdade, de que a alma penetra o corpo, explica porque em muitas passagens se descreve a alma executando atos corporais. (Pv.13:4; Is.32:6; Nm.21:4; Jr.16:16; Gn.44:30; Ez.21:17,22,28).

          “AS partes externas e internas” é a expressão que geralmente descreve o entrosamento da alma com o corpo (Is.16:11; Sl.51:6; Zc.12:1; lIs.26:9; 1ºRs.3:28), (sendo o espírito a parte escondida). Essas passagens descrevem as partes externas e internas como o centro dos sentimentos, de experiência. Mas notemos que não é o tecido material que pensa e sente mas sim a alma operando através dos tecidos.  Corretamente falando, não é o coração de carne, mas sim a alma, por meio do coração, que sente.

3-   POR meio do corpo a alma recebe suas impressões do mundo. Essas impressões percebem-se por estes sentidos: vista, audição, paladar, olfato, e tato, e são transmitidas ao cérebro por meio do sistema nervoso. Por meio do cérebro a alma elabora essas impressões pelos processos do intelecto, da razão, da memória e da imaginação. A alma age sobre essas impressões enviando ordens ás várias partes do corpo através do cérebro e do sistema nervoso.

4-   A alma estabelece contato com o mundo por meio do corpo que é instrumento da alma. O sentir, o pensar, o exercer vontade, e outros atos, são todos eles atividades da alma ou do “eu”. É o “eu” que vê e não somente os olhos; é o “eu” o que pensa e não meramente o intelecto; é o “eu” que joga a bola e não meramente o meu pé; é o “eu” que pede n não simplesmente a língua ou os membros. Quando um membro é ferido, a alma não pode funcionar bem por meio do mesmo; em caso de lesão cerebral pode resultar a demência. A alma então passa a ser como um mestre de música com um instrumento danificado ou quebrado.

 

 

O PECADO E A ALMA

 

A alma vive na sua vida natural através dos instintos, termo que vamos empregar por falta de outro melhor. Esses instintos são forças motrizes da personalidade, com as quais o Criador dotou o homem para faze-lo apto para uma existência terrena (assim como o dotou de faculdades espirituais, {fruto do espírito} para faze-lo capaz de uma existência celestial). Chamamo-los instintos porque são impulsos congênitais implantados dentro da criatura afim de capacita-las para fazer instintivamente o que é necessário par originar e preservar a vida a vida natural. Assim escreve o Dr. Leander Keyser: “Se o início de sua vida o infante humano não tivesse certos instintos, não poderia sobreviver, mesmo com o melhor cuidado paterno e médico”. Vamos considerar os cinco instintos mais importantes.

 

1º- INSTINTO de AUTO-PRESERVAÇÃO. Nos avisa do perigo e nos capacita a cuidar de nos  mesmos;

2º- INSTINTO AQUISITIVO (a possuir), que nos conduz a adquirir as provisões para o sustento próprio;

3º- INSTINTO de ALIMENTAR-SE, o impulso que leva a satisfazer a fome natural.

4º- INSTINTO REPRODUTIVO que conduz á perpetuação da espécie.

5º- INSTINTO de DOMÍNIO que conduz a exercer certa iniciativa própria necessária para o desempenho da vocação e das responsabilidades.