quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A ORAÇÃO

 Oração: O Privilégio de Falar Diretamente com Deus

Deus sempre responde às orações de seus filhos amados.

Sei que muitos de vocês imediatamente farão restrições ao subtítulo, mas ele é um fato absoluto e inegável. Deus sempre responde às orações de seus filhos, porém a definição de "resposta" é onde reside o problema para a maioria dos cristãos professos. Muitos deram ouvidos aos "pregadores da prosperidade" e, após orarem e pedirem uma BMW novinha em folha, ficaram chateados porque Deus não lhes respondeu! Mas, na verdade, a resposta instantânea foi "Não!" - e a oração egoísta caiu do telhado - porque não levou em consideração a vontade de Deus. Ele sempre responde aos nossos pedidos com um "Sim", um "Não", ou um "Espere mais um pouco", e também não tem obrigação alguma de atender aos nossos desejos.

Existe muita confusão acerca da seguinte passagem da Escritura:

"E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei." [João 14:13-14]

À primeira vista isso pode parecer uma fórmula mágica para obtermos tudo o que desejarmos. Tudo o que temos a fazer é invocar o nome de Jesus Cristo e a coisa supostamente deve acontecer! Quando não acontece (o que certamente é a norma), aqueles que ensinam tal baboseira alegam que o fiel não teve fé suficiente. Entretanto, o erro de tal ensino está na ignorância do seguinte verso:

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve." [1 João 5:14; ênfase adicionada]

Se pedirmos algo contrário à sua vontade, ele não ouvirá e a resposta será um automático "Não"! Você daria ouvidos ao seu filho se ele pedisse um revólver carregado para levar à escola e mostrar aos amigos? Espero que não! Deus também não irá acatar pedidos ridículos e infantis de seus filhos. Pedir algo só porque realmente queremos não tem validade pois Deus não nos mima atendendo a todos os nossos caprichos. Os pedidos só são atendidos quando coincidem com sua vontade para nossas vidas. O quanto antes entendermos isso, melhor. Deus prometeu aos filhos de Israel no Antigo Testamento que os abençoaria tanto espiritual quanto materialmente se eles obedecessem aos seus mandamentos, mas essa promessa não é reafirmada em lugar nenhum aos cristãos no Novo Testamento. Abaixo está uma das muitas dessas promessas feitas a Israel:

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos." [Malaquias 3:10-11]

A propósito, o dízimo não é uma exigência para os cristãos. Somos simples mordomos daquilo que Cristo confia a nós de suas próprias posses e somos enormemente abençoados por não estarmos limitados a uma porcentagem para oferta! Ele se alegra quando usamos seu dinheiro e suas propriedades para promover e avançar a causa de Cristo na terra. Deixamos de receber incontáveis bênçãos quando agimos como se esses bens fossem nossos e os usamos para propósitos puramente egoístas. (O artigo P112 discute o assunto da mordomia.)

A oração não é nada além de uma conversa com Deus e erramos grosseiramente quando tentamos padronizá-la em algum tipo de fórmula e achamos que estamos sendo muito piedosos ao fazer isso. Não era a intenção que o assim chamado "Pai Nosso" fosse uma panacéia irracional de proteção mágica para jogadores de futebol prestes a entrar em campo, ou que fosse recitada com o propósito de penitência após a confissão ou em alguma das aparentemente infinitas formas nas quais acabou sendo usado. Ele foi dado em resposta ao pedido dos apóstolos que o Senhor os ensinasse a orar, conforme vemos na seguinte passagem:

"E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos. E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu. Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano; e perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve, e não nos conduzas em tentação, mas livra-nos do mal." [Lucas 11:1-4; ênfase adicionada]

No entanto, não adquirimos uma compreensão completa do que ele ensinou naquela ocasião sem vermos essa oração no contexto maior daquilo que ele tinha para dizer no Sermão da Montanha:

"Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." [Mateus 6:1-15; ênfase adicionada]

A oração que ficou conhecida como "Pai Nosso" é uma oração que Jesus Cristo mesmo nunca faria, pois ele não tinha pecado não precisava de perdão. A oração que ofereceu no jardim do Getsêmani antes de sua crucificação seria muito mais adequadamente chamada de "Pai Nosso". Mas, em todo caso, ela deveria servir de modelo aos seus discípulos enquanto eles aprendiam a orar ao Pai Celestial. As "vãs repetições" deveriam ser evitadas porque os próprios judeus caíram no hábito pagão de recitar palavras sem realmente dar atenção ao que era dito. Tentaríamos conversar com nosso pai terreno usando esses métodos? Se tentássemos, ele provavelmente nos levaria ao analista para um exame! E é exatamente tão tolo tentar falar com Deus tagarelando o equivalente espiritual às divagações infantis! FALE COM ELE!!! Seja reverente e respeitoso, mas abra seu coração a ele na linguagem diária. Conte-lhe os mais íntimos desejos do seu coração e exponha sua alma perante ele em amor e adoração. Ele sabe infinitamente mais sobre nós do que nós mesmos, portanto não estamos lhe revelando nenhum segredo - apenas concordando com ele quanto à atual condição do nosso coração e da nossa vida. É isso que a palavra "amém" significa - concordar com Deus! Use o pequeno acrônimo A.C.A.G.S. como um auxílio para aproximar-se de Deus.

Primeiro, ofereça sua Adoração. Você não se comove quando alguém - especialmente seus próprios filhos ou netos - dizem que te amam? A maioria de nós falha miseravelmente por não dizer ao Senhor Jesus Cristo muitas vezes por dia que o amamos e realmente estimamos tudo o que ele fez e ainda faz por nós. Precisamos lembrar freqüentemente o quanto devemos a ele!

Em seguida, devemos oferecer nossa Confissão. Diga ao Senhor o que você fez em violação às suas perfeições - tanto os atos pecaminosos de omissão quanto os de ação - não porque ele ainda não os conheça, mas para concordar que eles estavam errados e para expressar tristeza e arrependimento por ter agido mal. Invoque 1 João 1:9 pedindo perdão, purificando-se e, então:

Ofereça Ações de Graças pelas misericórdias e pela graça do Senhor. Assim como as expressões de amor são apreciadas, Deus se alegra quando lhe oferecemos louvor com um coração agradecido. Então, e somente então, devemos encerrar nossas orações com:

Súplicas. Muito freqüentemente cometemos a besteira de nos apresentarmos perante o trono da graça e implorarmos a Deus de forma egoísta coisas sem tomarmos tempo para reconhecê-lo adequadamente por quem ele é! Sei que muitos de nós não somos muito apegados ao conceito de realeza, mas nosso Salvador é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Embora sejamos seus filhos amados e tenhamos o maravilhoso privilégio de nos aproximarmos dele quando quisermos, devemos a ele a reverência e o respeito compatíveis com sua exaltada e majestosa pessoa. Verdadeiramente, como dizia a letra de um antigo hino familiar: "Que privilégio é levar tudo a Deus em oração!"

Você tem feito uso adequado desse privilégio abençoado? Ou, tem de admitir que está freqüentemente diante dele buscando "sinais e maravilhas" e tentando encontrar um milagre atrás de cada arbusto? Quando Cristo comentou em Mateus 17:20 que se seus discípulos tivessem fé "como um grão de mostarda" (a menor semente que eles conheciam) poderiam "remover montanhas", o que quis dizer? Estaria criticando-os por sua falta de fé ou meramente apontando que não tinham fé alguma? A resposta reside no fato de que a fé não é inata - nós certamente não nascemos com ela e, caso devamos possuí-la em algum grau, Deus precisa fornecê-la. Esse princípio é afirmado em Romanos 12:3, que diz:

"Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um." [ênfase adicionada]

Observe também que não temos todos a mesma quantidade de fé. Deus dá fé em proporção à tarefa exigida do indivíduo e se não somos capazes de "remover montanhas" é porque Deus não deseja que façamos isso. O que ele requer, ele supre. Mais tarde, os mesmos discípulos que não tinham fé receberam uma fé capaz de realizar milagres e a utilizaram para a glória de Deus, autenticando a mensagem que pregavam. Os milagres deram prova visível a uma população amplamente ignorante de que aquilo que ouviam provinha de Deus. Historicamente, os filhos de Israel sempre caminharam por vista e não pela fé (um bom exemplo é quando seguiram a gloriosa nuvem da Shekiná na saída do Egito), portanto esse era o "capítulo" final levando-os ao seu Messias prometido. Os milagres, obviamente, fizeram pouco no que se refere à vida espiritual de Israel, porque logo depois eles rejeitaram Jesus Cristo e o mataram. Durante a fundação da igreja no Pentecostes, Deus fez com que os milagres continuassem sendo realizados como um testemunho temporário aos judeus porque os salvos entre eles seriam o núcleo da igreja primitiva - mas assim que o apóstolo Paulo articulou a doutrina de que os cristãos devem andar por fé e não por vista (2 Coríntios 5:7), os milagres perderam sua relevância e cessaram. Destarte, buscar continuamente "sinais e maravilhas" nos dias de hoje, orando por eles e interpretando cada recuperação de pessoas gravemente doentes como sendo um milagre é andar por vista e não por fé. Se formos a fundo, todas as curas são divinas e um arranhão que não infecciona por si só é um milagre, considerando-se a enorme quantidade de bactérias em redor, mas colocar isso na categoria de "sinal" de Deus não é sábio.

Também devemos ser extremamente cautelosos quanto a "Deus falar conosco" em oração. Embora isso tenha ocorrido com os apóstolos durante a transição entre a Lei e a Graça, eram revelações divinas e serviram a um propósito específico. O Novo Testamento ainda estava sendo escrito e a igreja dependia da mão direta de Deus para receber instruções. Assim que o cânon das Escrituras ficou completo e disponível às diversas igrejas na forma escrita, ele se tornou a Palavra final de Deus ao homem. Tudo o que precisamos saber sobre as questões espirituais está contido em suas páginas e quando Deus fala conosco é por seu intermédio. Falamos com ele por meio da oração e ele fala conosco por meio da sua Palavra. Receber impressões de Deus durante as orações é uma coisa, mas aqueles que insistem que Deus fala com eles em voz audível estão em um terreno teológico extremamente movediço.

A enganação é a maior ameaça enfrentada pela igreja atualmente e devemos estar atentos porque Satanás está fazendo seu melhor para distorcer a visão dos fiéis e fazer com que vejam as coisas à sua maneira. O emocionalismo na adoração é uma de suas ferramentas mais eficientes e quando ele consegue ludibriar um filho de Deus a parar de pensar e começar a "sentir" - a batalha pelo controle da carne está perdida. A própria oração pode se tornar um pecado quando abandonamos o pensamento lógico e racional submetendo o intelecto ao controle das emoções. Paulo claramente nos diz que em nossa carne "não habita bem algum" [Romanos 7:18] e que ela é nossa inimiga espiritual. A emoção é tão natural quanto respirar e quando mantida sob o controle do intelecto ela não é espiritualmente ameaçadora, mas se lhe é permitido fluir livremente - nada de bom poderá surgir daí. Deus nunca é glorificado pelas exibições da nossa carne.

Somos exortados por Paulo em 1 Tessalonicenses 5:17 a "orar sem cessar". Isso significa que devemos estar de joelhos constantemente? Claro que não, mas ao longo de cada dia devemos estar atentos à presença do Espírito Santo dentro de nós e buscar sua orientação em todas as coisas. Todos os nossos pensamentos são um livro aberto para ele e precisamos garantir que esses pensamentos sejam aceitáveis à sua vista, mantendo uma atitude adequada de oração - um diálogo recíproco entre grandes amigos. 1 Tessalonicenses 5:17 diz: "Não extingais o Espírito". Para extinguir o fogo basta jogar água sobre ele! Extinguir o Espírito Santo é permitir que o pecado não confessado quebre a comunhão e a comunicação. Para restaurar a relação e restabelecer a "linha telefônica" com o céu, devemos tomar a iniciativa e reivindicar a promessa feita no seguinte verso (referido anteriormente, mas não citado):

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." [1 João 1:9]

Quando estamos em uma relação adequada com Deus, nossas preces são ouvidas e respondidas de acordo com sua boa e perfeita vontade. O Espírito Santo auxilia nossa compreensão das Escrituras falando aos nossos corações por meio delas. Obter orientação espiritual por qualquer outro meio é brincar com fogo! O "mistério da iniqüidade" (2 Tessalonicenses 2:7) está prestes a atingir seu auge e o ar está repleto de uma enganação espiritual tão espessa que é quase possível cortá-la com uma faca. Ore constantemente pedindo sabedoria do alto e compreenda que não podemos pôr nenhuma confiança em nossa carne. Provérbios 16:18 diz: "A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda." Que Deus o ajude a permanecer firme nestes dias sombrios é nossa oração.

 

O SERMÃO DO MONTE

 

                                O SERMÃO DO MONTE

O Sermão do Monte é provavelmente a parte mais conhecida dos ensinamentos de Jesus, embora se possa argumentar que seja a menos compreendida e, certamente, a menos obedecida. De tudo o que ele disse, essas suas palavras são as que mais se aproximam de um manifesto, pois descrevem o que ele desejava que os seus seguidores fossem e fizessem. Penso que nenhuma outra expressão resume melhor a intenção de Jesus, ou indica mais claramente o seu desafio para o mundo moderno, do que a expressão “contracultura cristã”. Vou lhes dizer por que.

Os anos que se seguiram ao fim da Segunda guerra mundial, em 1945, foram marcados por um idealismo inocente. O horrível pesadelo terminara. “Reconstrução  era o alvo universal. Seus anos de destruição e devastação eram coisa do passado; a tarefa agora era construir um novo mundo de cooperação e paz. Mas a irmã gêmea do idealismo é a desilusão com aqueles que não  participam do ideal, ou (pior) com os que se lhe opõem, ou (pior ainda) com os que o traem. E a desilusão com o que é  continua alimentando o idealismo do que poderia ser.

 

DÉCADA DE DESILUSÃO E A NECESSIDADE DE UMA CONTRACULTURA

 

Parece que atravessamos décadas de desilusão. Cada geração que se levanta odeia o mundo que herdou. Ás vezes, a reação tem sido ingênua, embora não possamos dizer que tenha sido hipócrita. Os horrores do Vietnã não terminaram com aqueles que distribuíam flores e rabiscavam o seu lema “faça amor, não faça guerra”, embora o seu protesto não tenha passado despercebido. Hoje em dia, há pessoas que repudiam a opulência ávida do ocidente, que parece ficar cada vez mais gordo, através do esbulho do meio-ambiente natural, ou através da exploração de nações em desenvolvimento, ou através de ambas as coisas ao mesmo tempo; essas pessoas exprimem a totalidade da sua rejeição vivendo com simplicidade, vestindo-se negligentemente, andando descalças e evitando o desperdício. Em lugar do simulacro da socialização burguesa, estão famintas de relacionamentos de amor autênticos. Desprezam a superficialidade, tanto do materialismo descrente como do conformismo religioso, pois sentem que há uma “realidade” impressionante muito maior do que essas trivialidades, e buscam essa dimensão “transcendental” ilusória através da meditação, de drogas ou do sexo. Abominam até o próprio conceito do corre-corre da sociedade de consumo e acham que é mais honesto “cair fora” do que participar. Tudo isso é sintoma da incapacidade de geração mais jovem de adaptar-se ao status quo ou de aclimatar-se á cultura prevalecente.  Não se sentem á vontade. Estão alienados.

E em sua busca de uma alternativa, “contracultura” é a palavra que usam. Ela expressa um amplo raio de ação de idéias ou ideais, experiência e alvos. Encontramos uma boa documentação a este respeito em The Making of a Conter-culture (A Criação de Uma Contracultura, 1969) de Theodore Roszak; em The Duste of Death ( A Poeira da Morte, 1973) de os Guinnes, e em Youthquaker (Terremoto Jovem, 1973) de Kenneth Leech.

De um certo modo, os cristão consideram esta busca de uma cultura alternativa um dos mais promissores, e até mesmo excitantes, sinais dos tempos. Pois reconhecemos nisso a atividade do Espírito, o qual, antes de confortar, perturba; e sabemos a quem a busca deles conduzirá, se quiserem encontrar a resposta. Na verdade, é significativo que Theodore Roszak, encontrando dificuldade para expressar a realidade que a juventude contemporânea procura, alienada como está pela insistência dos cientistas quando á “objetividade”, sente-se obrigado a recorrer ás palavra de Jesus: “Que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alva?”

Mas, ao lado da esperança que está disposição de protesto e busca inspira aos cristãos, há também (ou deveria haver) um sentimento de vergonha. Pois, se a juventude de hoje está á procura das coisas certas (significado, paz, amor, realidade), ela as tem procurado nos lugares errados. O primeiro lugar onde deveriam procurar é um lugar que normalmente ignoram, isto é, a Igreja. Pois, com demasida freqüência, o que vêem nas igrejas não é a contracultura, mas o conformismo; não uma  nova sociedade que concretiza seus ideais, mas uma versão da velha sociedade a que renunciaram; não a vida, mas a morte. Prontamente endossariam o que Jesus disse de uma igreja do primeiro século: “Tens nome de que vives e estás morto” (Ap.3:1).

Urge que não somente vejamos, mas também sintamos, a grandeza dessa tragédia, pois, na medida em que uma igreja se conforme com o mundo, e as duas comunidades pareçam ser meramente duas versões da mesma coisas, essa igreja está contradizendo a sua verdadeira identidade. Nenhum comentário poderia ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: “ Mas você não é diferente das outras pessoas!

O tema essencial de toda a BÍBLIA, desde o começo até o fim, é que o propósito de Deus é chamar um povo para si mesmo; que este povo é um povo “santo”, separado do mundo para lhe pertencer e obedecer; e que a sua vocação é permanecer fiel á sua identidade, isto é, ser “santo” ou “diferente” em todo o seu pensamento e em todo o seu comportamento.

 

A VERDADEIRA MENSAGEM DADA A NAÇÃO DE ISRAEL

 

Foi assim que Deus falou ao povo de Israel logo depois que tirou da escravidão egípcia e fez dele o seu povo especial através da aliança; “Eu sou o senhor vosso Deus. Não fareis segundo as obra da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis segundo os meus juízos, e os meus estatutos guardareis, para andardes neles: Eu sou o Senhor vosso Deus.” (Lv.18:1-4). Este apelo de Deus fez a seu povo, é preciso notar, tanto começou como terminou com a declaração de  que ele era o senhor, ADONAI, seu Deus. Pelo fato de ser o seu Deus, como quem eles firmaram um pacto, e porque eles constituíam o seu povo especial, tinham de  ser diferentes de quaisquer outras pessoas. Tinham de seguir os mandamentos de Deus e não os padrões daqueles que os cercavam.

Através dos séculos seguintes, o povo de Israel continuou se esquecendo da sua singularidade como povo de Deus. Embora nas palavras de Balaão fosse “povo que habita só, e (que) não será reputado entra as nações”, na prática, entretanto, eles continuaram assimilando-se aos povos que os rodeavam: “Antes se mesclaram com as nações, e lhes aprenderam as obras”. (Nm.23:9; Sl.106:35). Por isso exigiram que um rei os governasse “como todas as nações”, e quando Samuel os advertiu com base no fato de ser Deus o rei deles, foram obstinados em sua insistência: “Não, mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações.” (Iº.Sm.8:5,19,20). Pior ainda do que o estabelecimento da monarquia foi a sua idolatria. “Seremos como as nações”, diziam para si mesmos, “... servindo ao pau e á pedra.” (Ez.20:32) Por isso Deus continuou lhes enviando os seus profetas para que lembrassem quem eram e para insistir com eles a seguirem o caminho de Deus. “Não aprendais o caminho dos gentios”, falou-lhes através de Jeremias e Ezequiel, “não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o senhor vosso Deus.” (Jr.10:1,2; Ez.20:7). Mas o povo de Deus não queria ouvir-lhe a voz, e o motivo específico apresentado, pelo qual o juízo de Deus caiu primeiro sobre Israel e, depois, cerca de 150 anos mais tarde, sobre Judá, foi o mesmo: “Os filhos de Israel pecaram contra o senhor Deus... andaram nos estatutos das nações... Também Judá não guardou os mandamentos do Senhor seu Deus; antes, andaram nos costumes que Israel introduziu.” (IIº.Rs.17:7,8,19 cf. Ez.5:7; 11:12)

 

A HISTÓRIA DE ISRAEL - CENÁRIO PARA O SERMÃO DO MONTE

 

Tudo isso constitui um cenário essencial para se compreender o SERMÃO do Monte. A Sermão encontra-se no Livro de Mateus, logo no começo do ministério público de Jesus. Imediatamente após o seu batismo e tentação, Cristo começou a anunciar as boas novas de que o reino de Deus, há muito prometido no período do V.Testamento, estava agora ás portas. Ele mesmo viera para inaugurá-lo Com ele nascia a nova era e o reinado de Deus irrompia na História. “Arrependei-vos”, clamava, “porque está próximo o reino dos céus.” (Mt.4:17) Na verdade, “percorria Jesus toda a Galiléia, ensinado nas sinagogas, pregando o evangelho do reino” (v23). O Sermão do Monte, então, deve ser visto neste contexto. Descreve o arrependimento (metanoia, a total transformação da mente) e a retidão, que fazem parte do reino; isto é, descreve como ficam a vida e a comunidade humana quando se colocam sob o governo da graça de Deus.

E como é que ficam? Tornam-se diferentes! Jesus enfatizou que os seus verdadeiros discípulos, os cristãos do reino de Deus, tinham de ser inteiramente diferentes. Não deveriam tomar como padrão de conduta as pessoas que os cercavam, mas sim Deus, e assim aprovar serem filhos genuínos do seu Pai celestial. Para mim, o texto-chave do Sermão do Monte é o 6:8 - “Não vos assemelheis, pois, a eles.”  Imediatamente nos faz lembrar a palavra de Deus a Israel, na antigüidade: “Não fareis como eles.” (Lv.18:3) É o mesmo convite para serem diferente. E este tema foi desenvolvido através de todo o Sermão do Monte. O caráter deles teria se ser completamente diferente daquele que era admirado pelo mundo (as bem-aventuranças). Deveriam brilhar como luzes nas trevas reinantes. A justiça deles teria de exceder á dos escribas e fariseus, tanto no comportamento ético quanto na devoção religiosa, enquanto que o seu amor deveria ser maior, e a sua ambição mais nobre do que a dos pagãos vizinhos

Não há um parágrafo no Sermão do Monte em que não se trace este contraste entre o padrão cristão e o não-cristão. É o tema subjacente e unificador do Sermão; tudo o mais é uma variação dele. Ás vezes, Jesus contrasta os seus discípulos com os gentios ou com as nações pagãs. Assim, os pagãos amam-se e saúdam-se uns aos outros, mas os cristãos tem de amar os seus inimigos 5:44-47); os pagãos oram segundo um modelo, com “vãs repetições”, mas os cristãos dever orar com a humilde reflexão de filhos de seu Pai no céu (6:7-13); pagãos estão preocupados com as suas próprias necessidades materiais, mas os cristãos devem buscar primeiro o reino e a justiça de Deus (6:23,33).

Em outros pontos, Jesus contrasta os seus discípulos, não com os gentios, mas com os judeu, ou seja, não com pessoas pagãos mas com pessoas religiosas; especificamente com os “escribas e fariseus”. O professor Jeremias, sem dúvidas, está certo ao dizer que são “dois grupos de pessoas totalmente diferentes”, pois ___

1-“os escribas são os mestres de teologia que tiveram alguns ano de estudo e

2- os fariseus, por outro lado, não são teólogos, mas sim grupos de leigos piedosos de todas as camadas da sociedade”

Certamente Jesus opõe a moral cristã á casuística ética dos escribas (5:211-48) e a devoção cristã á piedade hipócrita dos fariseus (6:1-18).

Assim, os discípulos de Jesus têm de ser diferentes: tanto da igreja nominal, como do mundo secular; tanto dos religiosos, como dos irreligiosos. O Sermão do Monte é o esboço mais completo, em todo o N.Testamento, da contracultura cristã. Eis aí um sistema de valores cristã o, um padrão ético, uma ambição, um estilo de vida e uma teia de relacionamentos: tudo completamente diferente do mundo que não é cristão. E esta contracultura cristã é a vida do reino de Deus, uma vida humana realmente plena, mas vivida sob governo divino.

 

 

 

INTRODUÇÃO EDITORIAL DE MATEUS

 

Chegamos á introdução editorial dada por Mateus ao Sermão a qual é breve mas impressionante: indica a importância que ele lhe atribuía.

 

“Vendo Jesus as multidões, subiu a o monte, e como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos, e ele passou a ensiná-los dizendo..." (Mt.5:1,2).

 

Não há dúvida de que o propósito principal de Jesus ao subir uma colina ou montanha para ensinar era fugir das “numerosas multidões” da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão (4:25), que o seguiam. Ele passara os primeiros meses do seu ministério público vagando por toda a Galiléia, “ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. Como resultado, “sua fama correu por toda a Síria”, e o povo vinha em grandes multidões, trazendo os seus doentes para serem curados (4:23-24). Por isso Jesus precisava fugir, não só para ter uma oportunidade de ficar sozinho e  orar, mas também para dar uma instrução mais concentrada aos seus discípulos.

Além disso, parece (conforme muitos comentaristas antigos e modernos têm sugerido) que ele deliberadamente subiu ao monte para ensinar, a fim de traçar um paralelo entre Moisés (que recebeu a lei no Monte Sinai) e ele próprio (que então explicou aos seus discípulos as conseqüências dessa lei, no chamado “Monte das bem-aventuranças, o local tradicional do Sermão, junto ás praias ao norte do Lago da Galiléia). Pois, embora Jesus fosse maior do que Moisés, e embora a sua mensagem fosse mais evangelho do que lei, ele também escolhe doze apóstolos para formar o núcleo de um novo Israel, em correspondência aos doze patriarcas e tribos da antigüidade. Ele também proclamou ser Mestre e Senhor, deu a sua própria interpretação autorizada da lei de Moisés, anunciou mandamentos e esperou obediência. Ate mesmo convidou, mais tarde, os seus discípulos a tomares p sei “jugo”, ou submeterem-se aos seus ensinamentos, assim como anteriormente carregaram o jogo do TORÁ (Mt.11:29,30).

 

ALGUMAS INTERPRETAÇÕES DE ALGUNS MESTRES

 

 Alguns mestres desenvolveram esquemas muito elaborados para demonstrar este paralelo. B.W.Bacon, em 1918, por exemplo, argumentou que Mateus deliberadamente estruturou o seu Livro em cinco parte, cada uma terminando com a fórmula “quando Jesus acabou...” (7:28. 11:1; 13:53; 19:1; 26:1), a fim de que os “cinco livros de Mateus” correspondessem os “cinco livros de Moisés” e fossem uma espécie de Pentateuco do N. Testamento.

Um paralelismo diferente foi sugerido por Austim Farrer, a saber, que Mateus 5-7 teve por modelo Êxodo 20-24, as oito bem-aventuranças correspondendo aos dez mandamentos, como o restante do Sermão dissertando sobre as mesmas e aplicando-as, assim como os mandamentos também foram dissertados e explicados.

Eestas tentativas engenhosas de descobrir paralelos são compreensíveis porque em muitas passagens do N. Testamento a obra salvadora de Jesus está descrita como um novo êxodo (cf. Mt.2:15), e a vida cristã como uma alegre celebração disso: “Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso celebremos a festa.” (Iª.Co.5:7,8); Embora Mateus não compare explicitamente Jesus a Moisés, e não possamos reivindicar mais do que isso no Sermão “a essência da Nova Lei, o Novo Sinai, o Novo Moisés estão presentes”. (Dic. Davies, p. 108).

Em todos os eventos, Jesus assentou-se, assumindo a posição de um rabi ou legislador, e seus discípulos aproximaram-se dele, para aprender dos seus ensinamentos. Então ele passou (uma expressão que indica a solenidade do seu pronunciamento) a ensiná-los.

Três perguntas básica formam-se imediatamente na mente do estudioso moderno, ao estudar o Sermão do Monte. Tal pessoa não sentirá receptiva para com os ensinamentos desse sermão se não receber respostas satisfatórias ás seguintes perguntas, no entanto, não apresentaremos a primeira e nem a terceira por se achar na segunda a resposta das restantes. Vamos, no entanto, deixar as duas perguntas para os professores e alunos e espero que vocês mesmos encontrem as respostas.

A 1ª pergunta: O SERMÃO É AUTÊNTICA.

A 3ª pergunta: O SERMÃO É PRÁTICO?

A Segunda pergunta discutiremos na Segunda lição, O SERMÃO É RELEVANTE?

 

 

Notem bem: todas as personagens citadas nestas aulas devem ser consultadas, por exemplo, Daveis, Bacon etc, desta maneira vocês estarão conhecendo os mentores das “doutrinas” que hoje povoam as igrejas chamadas evangélicas. Se soubéssemos mais sobre Helen White e de seu livro O Grande Conflito, entenderíamos mais sobre o adventísmo. Se conhecêssemos melhor Maomé entenderíamos melhor a religião muçulmana etc.... Por favor, busque informações pois não é a toa que cito tais nomes e tais doutrinas.

Infelizmente não temos muito tempo para falar de história e, é claro, de seus personagens, no entanto eles fizeram história e infelizmente a história religiosa foram feitas por eles e Jesus veio solucionar este equivoco, isto é, dizer ao mundo que existe um personagem único que tem uma única história e na história deste SER está o ensino que muda nossa alma e transforma nosso ser para que o SER maior entre em nos e nos modifique. Portanto, conheçamos os personagens filosóficos que tornaram as religiões filosóficas, perdendo assim a luminosidade do SER MAIOR – I hv H ADONAI.

 

 

O SERMÃO É RELEVANTE?

 

Se o Sermão é ou não relevante para a vida moderna, só se pode julgar através de um detalhado exame do seu conteúdo. O que salta a vista é que, não importando como ele foi composto, forma um todo maravilhosamente coerente. Descreve o comportamento que Jesus esperava de cada um do seus discípulos, que são também cidadãos do reino de Deus. Vemos como Jesus é em si mesmo, em seu coração, em suas motivações, em seus pensamentos, e também quando afastado, sozinho com o seu Pai. Vemo-lo na arena da vida pública, relacionando-se com o próximo, exercendo misericórdia, patrocinando a paz, sendo perseguido, agindo como sal, deixando a sua luz brilhar, amando e servindo aos outros (até mesmo aos seus inimigos), e dedicando-se acima de todo á expansão do reino de Deus e da sua justiça no mundo.

TALVEZ uma rápida análise do Sermão ajude a demonstrar sua relevância para nós, no século vinte, já as portas o vinte um.

 

A - O CARÁTER DO CRISTÃO (5:3-12)

 

As bem-aventuranças enfatizam oito sinais principais da conduta e do caráter cristão, especialmente em relação a deus e aos homens, e as bênçãos divinas que repousam sobre aqueles que externam estes sinais.

 

B - A INFLUÊNCIA DO CRISTÃO (5:13:16)

 

As duas metáforas do sal e da luz indicam a influência que os cristãos devem exercer para o bem na comunidade se (e tão somente se) mantiverem o seu caráter distinto, conforme descrito nas bem-aventuranças.

 

C - A JUSTIÇA DO CRISTÃO (5:17-48)

 

Qual deve ser a atitude do cristão para com a lei moral de Deus? Ficaria a lei propriamente dita abolida na vida cristã, como estranhamente afirmam os advogados da filosofia da “nova moralidade” e da escola dos “não-mais-sob-a-lei”? Não. Jesus não tinha vindo para abolir a lei e os profetas, disse ele, mas para cumpri-los. E mais, ele chegou a declarar que a grandeza no reino de Deus se media pela conformidade com os ensinamentos morais d lei e dos profetas, e que até mesmo entrar no reino era impossível sem uma justiça maior do que a dos escribas e fariseus (5:17-20). Jesus deu, então, seis ilustrações desta justiça cristã melhor (5:21-48), relacionando-a com:

1-   Homicídio

2-   Adultério

3-   Divórcio

4-   Juramento

5-   Vingança

6-   Amor.

Em cada antítese (“ouviste que foi dito... eu, porém vos digo...”), rejeitou a acomodada tradição dos escribas, reafirmou a autoridade das Escrituras do Velho Testamento e apresentou as decorrências plenas e exatas da lei moral de Deus.

 

D - A PIEDADE DO CRISTÃO (6:1-18)

 

Em sua “piedade” ou  devoção religiosa, os cristão não devem se acomodar nem com o tipo hipócrita dos fariseus, nem com o formalismo mecânico dos pagãos. A piedade cristã deve destacar-se acima de tudo pela realidade, pela sinceridade dos filhos de Deus que vivem na presença de seu Pau celestial.

 

E - A AMBIÇÃO DOS CRISTÃOS (6:19-34)

 

O “mundanismo” do qual os cristãos devem fugir pode Ter aparência religiosa ou secular. Por isso, devemos ser diferentes dos não-cristãos, hão apenas em nossas devoções, mas também em nossas ambições. Cristo modifica especialmente a nossa atitude para com a riqueza e os bens materiais. É impossível adorar a Deus e ao dinheiro; temos de escolher um dos dois. As pessoas do mundo estão preocupadas com a busca do alimento, da bebida e do vestuário. Os cristãos devem ficar livres destas ansiedades materiais ego-centraliadas e, em lugar disso, devem dedicar-se á expansão do governo e da justiça de Deus. É o mesmo que dizer que a nossa ambição suprema deve ser a glória de Deus e não a nossa própria glória, nem mesmo o nosso próprio bem-estar material. É uma questão do que buscamos “em primeiro lugar”.

 

 

F - OS RELACIONAMENTOS DO CRISTÃO (7:1-20)

 

Os cristãos estão presos em uma complexa teia de relacionamentos, todos eles partindo do nosso relacionamento com Cristo. Quando nos relacionamos devidamente com ele, os nossos demais relacionamentos são todos afetados. Novos relacionamentos surgem, e os antigos se modificam. Assim, não devemos julgar o nosso irmão mas servi-lo (vs. 1-5). Devemos também evitar oferecer o evangelho aqueles que decididamente o rejeitam (v.6); e tomar cuidado com os falsos profetas, que impedem que muita g ente encontre a porta estreita e o caminho difícil (vs.13-20).

 

G - UMA DEDICAÇÃO CRISTÃ (7:21-27)

 

O último item apresentado pelo todo do Sermão relaciona-se com a autoridade do pregador. Não basta chamá-lo de “Senhor” (vs.21-23) ou ouvir os seus ensinamentos (vs 24-27). A questão básica é se nós somos sinceros no que dizemos e se fazemos o que ouvimos. Deste compromisso depende o nosso destino eterno. Só quem obedece a Cristo como Senhor é sábio (cuidado quando interpretamos Jesus como Salvador e Senhor. Só o temos como Salvador se o tivermos primeiro como Senhor). Pois quem assim procede está edificando a sua casa sobre o alicerce da rocha, que as tempestades da adversidade e do juízo não serão capazes de solapar.

 

AS multidões ficaram perplexas com a autoridade com que Jesus ensinava (vs.28,29. É uma autoridade á qual os discípulos de Jesus de cada geração devem submeter-se. A questão do senhoria de Cristo é relevante hoje em dia, tanto como referência a princípios como á aplicação prática, da mesma maneira que o era quando originalmente ele pregou o SERMÃO do MONTE.

 

 

Notem: fizemos uma análise das Bem-aventuranças que, se não sabem, é bom que entendam, começa no capítulo 5 de Mateus e termina no capítulo 7. Fizemos um esboço sobre os principais assuntos em termo de caráter. Gostaríamos que houvesse mais conhecimento sobre estes capítulos pois se no capítulo 5 temos as bem-aventuranças expostas, temos nos capítulos seguintes a explicação deste. Por favor, procure entender todo este ensino de nosso MESTRE, tenho certeza que nossas vidas melhorarão muito. Todos os nossos problemas poderão serem resolvido com a VERDADE que nos liberta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mateus 5:3-12

 

Quem é que, tendo ouvido falar de Jesus de Nazaré, e sabendo um pouco acerca do que ele ensinou, não está familiarizado com as bem-aventuranças que dão início ao Sermão do Monte? A simplicidade de palavras e a profundidade de idéias deste sermão têm atraído cada nova geração de cristão, além de muitas outras pessoas. Quando exploramos suas implicações, mais fica por ser explorado. Suas riquezas são inexauríveis. Não podemos sondar suas profundezas. Na verdade, “aproximamo-nos do céu”. (Bruce)

Antes de estarmos prontos para considerar separadamente cada bem-aventurança, há três perguntas de caráter geral que precisamos responder. Referem-se ás pessoas descritas, ás qualidades recomendadas e ás bênçãos prometidas.

 

A - AS PESSOAS DESCRITAS

 

As bem-aventuranças descrevem o caráter equilibrado e diversificado do povo cristão. Não existem oito grupos separados e distintos de discípulos, alguns dos quais são mansos, enquanto outros são misericordiosos e outros, ainda, chamados para suportarem perseguições. São, antes, oito qualidades do mesmo grupo de pessoas que, ao mesmo tempo, são mansas e misericordiosas, humildes de espírito e limpas d coração, choram e têm fome, são pacificadoras e perseguidas.

Além disso, o grupo que exibe estes sinais não é um conjunto elitista, uma pequena aristocracia espiritual distante da maioria dos cristãos. Pelo contrário, as bem-aventuranças são especificações dadas pelo próprio Cristo quanto ao que cada cristão deveria ser. Todas estas qualidades devem caracterizar todos os seus discípulos. Da mesma forma que o fruto do espírito descrito por Paulo, deve amadurecer em seus nove aspectos no caráter de cada cristão, também as oito bem-aventuranças que Cristo menciona descrevem o seu ideal para cada cidadão do reino de Deus. Ao contrario dos dons do espírito, que distribui a diferentes membros do corpo de Cristo a fim de equipá-los para diferentes espécies de serviço, o mesmo Espírito está interessado em produzir estas graças cristãs em todos nós. Não podemos fugir á nossa responsabilidade de cobiçá-las todas.

 

B - AS QUALIDADES RECOMENDADAS

 

Sabemos muito bem que há uma discrepância, pelo menos verbal, entre as bem-aventuranças do  livro de Mateus e as de Lucas. Assim, Lucas diz: “Bem-aventurados vós os pobres”, enquanto que Mateus declara: “Bem-aventurados os humildes (pobres) de espírito”. Em Lucas temos: “Bem-aventurados vós os que agora tendes fome”, e em Mateus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”.

Por causa disto, alguns argumentam que a versão de Lucas é a verdadeira; que Jesus estava julgando os pobres e os famintos do ponto de visto social ou sociológico; que ele estava prometendo alimento aos subnutridos e ao proletariado no reino de Deus; e que Mateus espiritualizou o que constituía originalmente uma promessa material.

Mas esta interpretação é impossível, a não ser que estejamos prontos a crer que Jesus se contradisse ou que os evangelistas foram demasiado ineptos para faze-lo parecer assim. No deserto da Judéia, nas tentações descritas por Mateus no capítulo anterior, Jesus recusou-se a transformar pedras em pão e repudiou a idéia de estabelecer um reino material. De maneira consistente, através de todo o seu ministério rejeitou a mesma tentação. Quando alimentou os cinco mil e, por causa disto, induziu a multidão a “arrebatá-lo para o proclamarem rei”, Jesus imediatamente se retirou sozinho para o monte. (João 6:15) E quando Pilatos perguntou-lhe se havia qualquer verdade nas acusações dos líderes judeus contra ele, e se realmente tinha alguma ambição política, sua resposta foi inequívoca: “O meu reino não é deste mundo”. João 18:36) Isto é, tinha uma origem diferente e, portanto, caráter diferente.

Como isso não sugerimos que Jesus ficasse indiferente á pobreza e fome físico. Pelo contrário, ele sentia compaixão pelos necessitados pois a necessidade é um sinal que a alma está necessitada pois o interno se revela no externo e por isto alimentava os famintos usando o alimento etc como isca para que a estes pudesse falar da liberdade interna, e disse aos deus discípulos que fizessem o mesmo. Mas a bênção do seu reino não era em primeiro lugar uma vantagem econômica.

Mais ainda, se ele não oferecia alívio físico imediato, não o prometia tampouco num céu futuro e, enquanto isso, anunciava que os pobres e famintos eram “bem-aventurados”. Na verdade, em algumas circunstância, Deus pode usar a pobreza como instrumento de bênção espiritual, exatamente como a riqueza pode ser um impedimento á mesma. Mas isto não transforma a pobreza por si mesma em condição desejável, que Jesus abençoe. A igreja sempre esteve errada quando usou a primeira bem-aventurança para fechar os olhos diante da pobreza das massas ou para elogiar a pobreza voluntária dos monges e de outros que fizeram voto de renúncia aos bens materiais. Cristo pode, realmente, chamar alguns para uma vida de pobreza, mas essa chamada não pode ser, honestamente, percebida nesta bem-aventurança.

A pobreza e a fome que Jesus se refere nas bem-aventuranças são condições espirituais. São “os humildes (pobres) de espírito” e aqueles que “têm fome e sede de justiça” que ele declara bem-aventurados. E podemos certamente deduzir disso que as outras qualidades por ele mencionadas também são espirituais. É verdade que a palavra aramaica que Jesus usou poderia significar simplesmente os “pobres”, como na versão de Lucas. Mas “os pobres”, os pobres de Deus, já constituíam um grupo claramente definido no Velho Testamento, e Mateus estaria correto traduzindo para “pobres de espírito”. Pois “os pobres” não eram tanto os maltratados pela pobreza, mas os piedosos, assim chamados em parte porque passavam necessidades, eram oprimidos, tiranizados e afligidos de outras maneiras, mas tinham firmado sua fé e esperança em Deus.

 

 

 

C - AS BÊNÇÃOS PROMETIDAS

 

Cada qualidade foi elogiada, enquanto cada pessoa que a possui foi declarada “bem-aventurada”. A palavra grega makarios significa “feliz”.  A Bíblia na Linguagem de Hoje, assim traduz as palavras iniciais de cada bem-aventurança: “Felizes os que...”. E diversos comentaristas têm explicado que essas palavras constituem a receita de Jesus para a felicidade humana. A felicidade humana depende da alegria, fruto do espírito. A explicação mais simples que conheço foi feita por Ernest M. Ligon, do Departamento de Psicologia do “unior College”, de Schenectady, Nova Iorque,em seu livro The Psychologv of Cristian Personaity (A Psicologia da Personalidade Cristã). Reconhecendo sua dívida para com Harry Emerson Fosdich, ele traça a interpretação do Sermão do Monte “do ponto de vista da saúde mental”. “O erro mais significativo que se tem cometido interpretando estes versículos de Jesus (as bem-aventuranças)”, ele escreve, “ foi deixar de perceber a primeira palavra de cada um deles: ‘felizes’” No seu ponto de vista, “constituem a teoria de Jesus sobre a felicidade”. Não constituem tanto deveres éticos, mas “uma série de oito atitudes emocionais fundamentais.  O homem que reagir ao seu ambiente com esse espírito terá vida feliz”, pois terá descoberto a “fórmula básica para a saúde mental”. De acordo com Dr. Ligon, o Sermão enfatiza as “forças” da fé e do amor, da “fé experimental” e do “amor paternal”. Estes dois princípios são indispensáveis para o desenvolvimentos de uma “personalidade sadia e forte”. Não só o caos do  medo pode ser vencido pela fé, e a ira destrutiva pelo amor, mas também “o complexo de inferioridade e seus muitos subprodutos” pela Regra Áurea.

Não é preciso rejeitar esta interpretação como totalmente ilusória. Ninguém melhor do que o nosso Criador sabe como podemos nos tornar humanos verdadeiros. Ele nos criou. Ele sabe como funcionamos melhor. É através da obediência ás suas próprias leis morais que nos encontramos e nos realizamos. E todos os cristã os podem testemunha da experiência de que há uma relação íntima entre a santidade e a felicidade.

Não obstante, traduzir makarios por “felizes” induz a um erro sério julgando objetivamente essas pessoas. Ele não está declarando como se sentirão (“felizes”), mas sim o que Deus pensa delas e o que são por causa disso: são “bem-aventuradas”.

Que bênção e essa? A Segunda parte de cada bem-aventurança elucida a questão. Possuem o reino dos seus e herdarão a terra. Os que coram são consolados e os famintos satisfeitos. Recebem misericórdia, vêem a Deus, são chamados filhos de Deus. Sua recompensa celestial é grande. E todas estas bênçãos estão reunidas. Exatamente como as oito qualidades descrevem cada cristão (pelo menos em ideal), da mesma forma as oito bênçãos são concedidas a cada cristão. É verdade que a bênção específica prometida em cada caso é apropriada á qualidade particularmente mencionada. Ao mesmo tempo, é totalmente impossível herdar o reino dos céus sem herdar a terra, ser consolado sem ser satisfeito ou ver a Deus sem alcançar sua misericórdia e ser chamado seu filho. As oito qualidades juntas constituem as responsabilidades; e as oito bênçãos, os privilégios, a condição de cidadão do reino de Deus. Este é o significado do desfrutar do governo de Deus.

 

1- Estas Bênçãos São Para o Presente ou Para o Futuro?

 

Pessoalmente, penso que a única resposta possível é “tanto para o presente como para o futuro”.  Alguns comentarista, entretanto, têm insistido que são para o futuro, e têm enfatizado a natureza “escatológica” das bem-aventurança. É verdade que a Segunda parte da última bem-aventurança promete que os perseguidos receberão uma grande recompensa no céu, e isto deve referir-se ao futuro (v.12). Certamente também é apenas na primeira e oitava bem-aventurança que a bênção foi expressa o tempo presente, “deles é o reino dos céus” (vs.3,10); e, mesmo assim, este verbo não se encontrava aí quando Jesus falou em aramaico. As outras seus beatitudes contêm um verbo no futuro simples (serão, herdarão, alcançarão). Não obstante está claro nos demais ensinamentos de Jesus que o reino de Deus é uma realidade presente que podemos “receber” “herdar” ou “entrar” agora. Do mesmo modo, podemos alcançar misericórdia e consolo agora, podemos nos tornar filhos de Deus agora e podemos nesta vida, Ter a nossa fome satisfeita e a nossa sede mitigada. Jesus prometeu todas estas bênçãos a seus discípulos aqui e agora. A promessa de que “verão a Deus” pode parecer uma referência á “visão beatífica” final (cf.IªCo.13:12; Hb.12:14; 1ªJo.3:2; Ap.22:4, e sem dúvida a inclui. Mas nós já começamos a ver Deus nesta vida, na pessoa do seu Cristo (Jo.14:9), e com a visão espiritual Iª.Jo.3:6; IIIª.Jo.11. Já começamos a “herdar a terra” nesta vida, considerando que, se somos de Cristo, todas as coisas já são nossas, “seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as cousas presentes, sejam as futuras” (Iª.Co.3:22,23).

Portanto, as promessas de Jesus nas bem-aventuranças têm cumprimento presente e futuro. Desfrutamos agora das primícias; a colheita propriamente dita ainda está por vir. E, como destacou acertadamente o Professor Tasker, “O tempo verbal futuro... enfatiza sua certeza, e não simplesmente o seu aspecto futuro. Os que choram serão certamente consolados, etc.”

 

2 - As Bem-Aventuranças são Uma Doutrina de Salvação Por Méritos Humanos?

 

Ainda continuando na mesma pergunta: por méritos humanos e pelas obra o que é incompatível com o evangelho? Será que Jesus não declara explicitamente, por exemplo, que os misericordiosos alcançarão misericórdia e que os limpos de coração verão a Deus? E será que isto não dá a entender que é demonstrando misericórdia que recebemos misericórdia e que, tornando-nos limpos de coração, recebemos uma visão de Deus?

Alguns intérpretes têm  ousadamente definido esta tese. Tentaram apresentar o Sermão do Monte como nada mais que uma débil forma cristianizada da lei do V. Testamento e da ética do Judaísmo. Eis aí Jesus, o Rabi, o legislador, dizem, enunciando mandamentos, esperando obediência e prometendo salvação aqueles que lhe atendem. Provavelmente expoente máximo desta opinião seja Hans Windische, no seu The Meaning of the  Sermon on the Mount (1929), “O Significado do Sermão do Monte”. Ele enfatiza a “exegese história” e rejeita a chamada de “exegese paulinizante”, referido-se á tentativa de interpretar o Sermão de maneira que harmonize com o evangelho da graça de Paulo. Na opinião dele, isto não pode ser feito: “Do ponto de vista de Paulo, Lutero e Calvino, a soteriologia do Sermão do Monte é irremediavelmente herética”. Em outras  palavras, prega a lei, não o evangelho, e oferece justiça pelas obra e não pela fé. Portanto, “aqui há entre Jesus e Paulo um abismo que nenhum artifício d exegese teológica pode transpor” Mas Windisch vai mais além. Especula que a ênfase de Paulo sobre a salvação pela graça tem levado muitos a considerar as boas obras como supérfluas, e que Mateus deliberadamente compôs o Sermão do Monte como uma espécie de tratado antipaulino!

Foi esse mesmo temor de que as promessas do Sermão do Monte dependessem dos méritos humanos para o seu cumprimento, que levou J. N. Darby a relegá-las para a futura “dispensação do reino”. Seu dispensacionalismo ficou popularizado pela “Scofield Reference Bible” (1909), a qual, comentando 5:2, chama o Sermão de “lei pura” embora admitindo que os seus princípios têm “uma linda aplicação moral para o cristão”.

 

3- As bem-aventuranças Proclamam a Salvação Pela Graça e Não Pelas Obras

 

AS especulações de Windisch, quanto os temores dos dispensacionalistas são infundados. Na verdade, a primeira das bem-aventuranças proclama a salvação pela graça e não pelas obra, pois ela promete o reino de Deus aos “humildes de espírito”, isto é, ás pessoas que são tão pobres espiritualmente que nada têm a oferecer para mérito seu. O aluno pode imaginar com que veemente indignação Lutero repudiou a sugestão, feita por alguns contemporâneos seus, de que o Sermão do Monte ensina a salvação pelos méritos! Acrescentou á sua exposição um longo pós-escrito de dez páginas, a fim de se opor a esta idéia monstruosa. Nele, criticou severamente “aqueles estúpidos falsos mestres” que “chegaram á conclusão de que entramos no reino dos céus e somos salvos por nossas próprias obras e ações”. Esta “abominação dos sofistas” inverte o evangelho de tal forma, , ele declara que “se compara a jogar o telhado no chão, a tombar os alicerces, a edificar a salvação sobre simples água, a derrubar Cristo completamente do seu trono, colocando em seu lugar as nossas obras”.

 

4- A Verdadeira Explicação das Expressões Que Jesus Usou nas bem-aventuranças,     Toda a Ênfase Que Deu á Justiça no Sermão.

 

A resposta certa para parece ser que o Sermão do Monte, como uma espécie de “nova lei”, igual á antiga, tem dois propósitos divinos, os quais o próprio Lutero entendia claramente.

a-   Primeiro, mostrar a quem não é cristão que não pode agradar a Deus por si mesmo (porque não consegue obedecer á lei), conduzindo-o, então, a Cristo para ser justificado.

b-   Segundo, mostra ao cristão, que buscou em Cristo a justificação, como deve viver para agradar a Deus. Mais simplesmente de acordo com a síntese dos reformadores puritanos, a lei nos envia a Cristo para sermos justificados, e Cristo nos manda de volta á lei para sermos santificados.

 

Não pode haver dúvidas de que o Sermão do monte tem, sobre muitas pessoas, o primeiro efeito notado. Quando o lêem,  ficam desesperadas. Vêem nele um ideal inatingível. Como poderiam desenvolver esta justiça de coração, voltar outra face, amar os seus inimigos? É impossível! Exatamente! Neste sentido o Sermão é “Moisíssimo Moisés” (expressão de Lutero); “é Moisés quadruplicado, é Moisés multiplicado ao mais alto grau” (Professor Jeremias), porque é uma lei de justiça interior a que nenhum filho de Adão jamais pode obedecer. Portanto, apenas nos condena e torna indispensável o perdão de Cristo. Não poderíamos dizer que esta é uma parte do propósito do Sermão? É verdade que Jesus não o disse explicitamente, embora esteja na primeira bem-aventurança, como já mencionamos. Mas a implicação está em toda a lei, exatamente como na antiga.

 

5- Segundo Lutero, Vejamos o Segundo propósito do Sermão do Monte

 

“CRISTO nada diz neste Sermão sobre como nos tornamos cristãos, mas apenas sobre as obras e os frutos que ninguém pode produzir se já não for um cristão e não estiver em estado de graça” (Lutero) Todo o Sermão realmente pressupõe uma aceitação do evangelho (como Crisóstomo e Agostinho o entenderam), uma experiência de conversão e de novo nascimento, e a habitação do Espírito Santo. Descreve as pessoas nascidas de novo que os cristãos são (ou deveriam ser). Portanto, as bem-aventuranças apresentam as bênçãos que Deus concede (não como uma recompensa aos méritos, mas como um Dom da graça) aqueles nos quais ele está desenvolvendo um caráter assim.

O Sermão “foi dirigido a homens que já tinham recebido o perdão, que encontraram a pérola de grande preço, que foram convidados para as bodas, que mediante a sua fé em Jesus pertenciam á nova criação, ao novo mundo de Deus”. Neste sentido, então, “o Sermão do Monte não é Lei, mas Evangelho”. Para tornar clara a diferença é preciso fugir de termos tais como “moralidade cristã”, falando, outrossim em “fé vivida”, pois “fica claramente explícito que o dom de Deus precede de exigências”.

 

Resumindo estas três lições iniciais, estes três pontos introdutórios relacionados com as bem-aventuranças, podemos dizer que as pessoas descritas são de modo geral os discípulos cristãos, pelo menos em ideal; que as qualidades elogiadas são qualidades espirituais; e que as bênçãos prometidas (como dons da graça imerecida) são as bênçãos gloriosamente compreendidas pelo governo de Deus, experimentadas agora e consumadas depois, incluindo a herança de ambos, terra e céu consolo, satisfação e misericórdia, visão e filiação de Deus.

AGORA estamos prontos para examinar detalhadamente as bem-aventuranças. Diversas tentativas de classificação foram experimentadas. Não são certamente um catálogo fortuito, mas, nas palavras de Crisóstomo, “uma espécie de cadeia de ouro”. Talvez a divisão mais simples seja considerar as quatro primeiras descritivas do relacionamento do cristão com Deus, e as outras quatro, do relacionamento e deveres para com o próximo.