terça-feira, 9 de junho de 2020

PRAZER VERSUS SATISFAÇÃO


PRAZER VERSUS SATISFAÇÃO

Vivemos numa sociedade saturada, obcecada pelo prazer. Penso que ninguém ficará admirado com semelhante constatação. Basta darmos uma olhada na publicidade e nos programas de televisão. Tudo gira em torno do divertimento e da distração. O que é que isto está a provocar e vai continuar a provocar pode ser motivo de especulação, bem como as razões que estão na origem de semelhante corrida. O fenômeno nem sequer é novo e já em outros momentos de civilização e cultura atingiu dimensões que ainda nos deixam estonteados e dos quais estamos relativamente perto ou longe, depende do ponto de vista.
Quando o homem se vê apenas como um produto da matéria, do tempo e do acaso, como uma paixão inútil (no dizer de Sartre), como um vôo cego do nada para o nada, cujo destino se encerra na morte, não é de estranhar que o lema da vida passe a ser conforme o dito popular que encontramos na pena do apóstolo Paulo quando aborda a questão da negação da ressurreição de Cristo: comamos e bebamos que amanhã morreremos. Se não existe mais nada do que a tumba e o silêncio não admira que a cultura mergulhe freneticamente na busca do prazer sem pesar sequer as conseqüências para a saúde das suas folias e paixões, porque se há que morrer mesmo e depois disso nada há então que se viva o mais intensamente possível, mesmo que a morte esteja ao virar da esquina e até o sofrimento acompanhá-la.
Esta busca desenfreada do prazer não pode ser tratada e explicada superficialmente porque as suas raízes mergulham no mais profundo da identidade e condição humana, na sua cosmovisão, no que é que ele pensa sobre as suas origens, o significado e sentido do seu presente e o propósito do seu futuro. Se a morte é certa e nada existe depois dela então o lema torna-se a vida são dois dias e o carnaval são três.
Nesta correria louca descobre-se a fome da alma humana que de formas diversas se procura saciar.
Essa fome tem que ver com a nossa identidade, auto estima, realização, satisfação e bem-estar.
Como James Houston escreve nos agradecimentos da sua obra A Fome da Alma: Se procurarmos descobrir o que o nosso coração deseja verdadeiramente, talvez passemos a ansiar por coisas que nos satisfaçam mais. (...) Acredito que os seres humanos não sejam apenas uma paixão inútil (como Jean-Paul Sartre nos via) que se consome na luta para encontrar sentido no isolamento.
O prazer não dá satisfação, muitas vezes aumenta a insatisfação e exige cada vez mais um estímulo e freqüência maior acabando em vício. Vício gera mais vício. Neste aspecto o prazer tende a tornar-nos dependentes. Quando o prazer cessa é substituído pela melancolia.
O prazer é efêmero, enquanto dura excita as emoções, depois de passar produz um estado de vazio. Muitas vezes o prazer torna-se uma fuga e um escape à condição humana, perante a realidade da vida e dos seus objetivos últimos, um tentar contornar as grandes questões que ela nos coloca no que diz respeito à sua finalidade. Outras vezes gera a ilusão do que se gostaria de ser e funciona como resposta a uma baixa auto-estima e uma identidade defeituosa. Por isso o prazer gera a ilusão de se ter alcançado o que se procura e se não tem.
O prazer compra-se. São de James Houston os seguintes pensamentos: Já se tornou chavão em nossos dias dizer que somos uma "sociedade de consumo". Nós do Ocidente, um décimo da população do mundo, consumimos mais de dois terços dos recursos do planeta, somos consumidores de facto! Muitos de nós fomos criados acreditando que ter mais é melhor e que, quanto maior, melhor. (...) Uma parte do "Conto de Fadas" americano está no mito de que o que nós produzimos é mais importante do que quem nós somos, nossa identidade pessoal única. Esse mito está muito ligado ao outro mito de que um maior número de posses irá trazer-nos maior felicidade. A implicação disso é que as pessoas, como indivíduos inigualáveis que podem dar e receber amor, não têm valor em si mesmas. Considera-se que o sentido da vida está no comércio e na indústria, não no coração e na alma dos seres humanos. O respeito pelas pessoas e suas características singulares vem sendo destruído pelo mercado e pelo mundo da publicidade, ao passo que a amizade, a alegria, o amor, a intimidade e a lealdade passam a ser simples mercadorias, passíveis de serem compradas e vendidas a troco de carros de prestígio, perfumes caros, posição social e ingressos esportivos. O comércio e o consumismo interferem em todas as áreas de nossa vida pública e privada, em todos os níveis de nosso comportamento consciente, até chegarmos ao cúmulo de sermos tentados a ver nós mesmos e os outros como simples mercadorias. (...) a vida humana é tratada como se fora um mero objeto. (A Fome da Alma; Abba Press; pp. 14, 15) Este prazer passa pelo ter pode estar associado a auto-estima deficiente apresentada nestes termos pelo mesmo autor: Quando as pessoas se sentem inúteis ou indesejáveis, a dor e a depressão podem ser rapidamente aliviadas por um prazer que se transforma num vício. O vício, portanto, poderá começar a partir da vergonha proveniente de uma situação específica em que a pessoa se sente constantemente desencorajada pela atitude de crítica e condenação dos outros. (Abba Press; pp. 96)
O prazer mexe com as emoções e com os sentimentos – a satisfação tem que ver com o ser, com o que somos. Algumas vezes talvez a busca desenfreada do prazer mais não seja do que a única saída para quem foi educado num sistema que remete o homem para o absurdo, o nada, o acidente.
O prazer desconsidera o sofrimento de ser solidário com o outro nas suas necessidades, o amor sacrificial. Fenômenos que acompanham esta tendência têm que ver com a maneira como hoje se tratam os idosos colocando-os em lares ou em clínicas onde acabam os seus dias. Existe um afastamento intencional da morte! Em contrapartida a satisfação que emerge do íntimo do nosso ser envolve-se com o seu semelhante tanto nas suas alegrias como na sua dor, tanto nas suas realizações e sucessos como nos seus fracassos. O prazer almeja uma prosperidade meramente feita de coisas materiais enquanto que a prosperidade da satisfação considera os valores espirituais e morais como prioritários e fundamentais.
O prazer é egoísta e gerador do egoísmo – está concentrado em si mesmo e torna a maior parte das vezes as pessoas irresponsáveis. Veja-se o que acontece no sexo em que se procura o prazer sem considerar a procriação e a responsabilidade que ela implica orientando as pessoas para a defesa do aborto. Veja-se o que acontece na defesa da eutanásia e do suicídio assistido. Veja-se até o que se passa com salas de chuto e a liberalização da droga. Vivemos a geração do eu, para usar um título sugestivo da revista Focus (4 Fevereiro 2001), em que os jovens entrevistados confessavam sem relutância "somos uma geração egoísta".
O prazer tende a usar terceiros como meros objetos e alia-se a uma darwinismo social, econômico e psicológico do salve-se quem puder. O prazer tende a olhar os fins como justificadores de todos os meios. Usam-se as pessoas e depois deita-se fora como mera mercadoria descartável. Neste sentido o prazer cega e torna indiferente o homem, desumaniza-o. Por seu turno a satisfação descobre-se e vivencia-se na realização do outro, na entre ajuda, na solidariedade. A satisfação nunca pode ser alcançada a sós e isoladamente porque faz parte de um projeto de grupo.
O prazer desconsidera o futuro não refletindo na realidade da vida eterna enquanto que a satisfação embora não desconsiderando o presente, perspectiva-o à luz do futuro e da eternidade.
O prazer tende a desvalorizar as conseqüências negativas produzidas no corpo, na mente, no espírito, nos relacionamentos e na própria natureza. Destrói-se o meio ambiente, compromete-se o futuro, esgotam-se os recursos, poluem-se os rios e os mares, arrebenta-se com a camada do ozônio – tudo em prol do desenvolvimento. Provoca-se o cancro do lábio, da garganta e dos pulmões; aumenta-se vertiginosamente as doenças sexualmente transmissíveis e a sida; cresce a cirrose; explodem os enfartes mas não se arrepia caminho. Razão tem a Bíblia em dizer que o pecado é loucura e é morte. A degradação da qualidade de vida mostra-o. Come-se o que sabe bem mas não o que faz bem. Veste-se o que impressiona os outros e dá status e não aquilo que é razoável. Os filhos não são uma fonte de realização e satisfação mas um empecilho que se coloca nas mãos de uma babá eletrônica. O prazer desenfreado torna o homem cínico por um lado e depressivo por outro.
O prazer distrai das realidades pertinentes à existência e essência humanas. Não se pensa sente-se. Tende a tornar-se um modo de esquecer as dificuldades da vida, uma compensação para as debilidades e frustrações do dia a dia e mais do que isso da própria insatisfação consigo mesmo, enfim uma forma de alienação.
Fontes de prazer contemporâneas são o consumo, a obsessão sexual, a pornografia, a droga, o álcool, o romantismo, o jogo, poder, fama, dinheiro, sucesso, etc.
As qualidades morais evaporam-se e são substituídas pelo pluralismo, pelo relativismo e pela privatização. O caráter e a integridade são menosprezados, como recentemente dizia uma apresentadora de televisão "Quem tem ética passa fome" (Teresa Guilherme – Pública, 14 Março 2001)
Dorothy Sayers, teóloga e romancista britânica, faz eco dos mesmos sentimentos no título do seu ensaio Creed ou chaos ("Credo ou caos"). O credo do modernista põe a descoberto a sua bancarrota. Ninguém diz isto melhor do que Steve Turner, jornalista inglês, em Creed ("Credo"), seu poema satírico sobre a mentalidade moderna:
Cremos em Marxfreudedarwin.
Cremos que tudo está bem,
desde que você não prejudique ninguém,
quanto você possa definir prejudicar,
e quanto você possa saber.
Cremos no sexo antes, durante
e depois do casamento.
Cremos na terapia do pecado.
Cremos que o adultério é uma brincadeira.
Cremos que a sodomia é correta.
Cremos que os tabus são tabus.
Cremos que tudo está ficando melhor,
apesar da evidência contrária.
A evidência precisa ser investigada,
e não se pode provar nada com evidência.
Cremos que há algo nos horóscopos,
nos OVNIs e nas colheres entortadas;
Jesus era um bom homem, como Buda,
Maomé e nós mesmos.
Ele foi um bom Mestre de moral, embora achemos
que o seu bom ensino moral era nocivo.
Cremos que todas as religiões são basicamente a mesma coisa
- pelo menos aquela sobre a qual lemos.
Todas elas crêem no amor e na bondade.
Só divergem nas questões da criação,
do pecado, do céu, do inferno, de Deus e da salvação.
Cremos que após a morte vem o nada,
porque, quando você pergunta aos mortos o que acontece,
eles não dizem nada.
Se a morte não é o fim, se os mortos mentiram,
Então o céu é compulsório para todos,
exceto, talvez,
Hitler, Stalin e Genghis Khan.
Cremos em Masters e Johnson.
O que se seleciona é a média.
O que é a média é normal.
O que é normal é bom.
Cremos no desarmamento total.
Cremos que há elos diretos entre a guerra e o derramamento de sangue.
Os americanos deveriam fundir as suas armas e transformá-las em tratores,
E certamente os russos os imitariam.
Cremos que o homem é essencialmente bom.
É somente o seu comportamento que o faz cair.
É culpa da sociedade.
A sociedade é o defeito das condições.
As condições são o defeito da sociedade.
Cremos que cada homem deve descobrir a verdade
que é certa para ele.
Conseqüentemente, a realidade se adaptará.
O universo se reajustará.
A história mudará.
Cremos que não há verdade absoluta,
exceto esta:
Não há verdade absoluta.
Cremos na rejeição dos credos,
E no florescer do pensamento individual.
E então o poeta acrescenta este pós-escrito chamado "Acaso":
Se o acaso
é o Pai de toda a carne,
a desgraça é o seu arco-íris no céu,
e quando você ouvir:
Estado de Emergência!
Atirador Mata Dez!
Tropas Avançam com Violência!
Brancos Vão à Pilhagem!
Bomba Explode Escola!
É apenas o ruído do homem
adorando o seu criador.
Com certeza, a esperança do ateísmo move-se inexoravelmente para um caos destituído de credo.
Nos calcanhares do Iluminismo, o existencialismo estava esperando para nascer. A paixão tornou-se moda, e a decência "o vento levou". Quando o existencialismo se desgastou, os "desconstrucionistas" desmantelaram tudo o que restava. O livro de Colin Gunton, que segue o existencialismo até o seu fim último, intitula-se pertinentemente Enlightenment and alienation ("O Iluminismo e a alienação"). Não resta nenhum ponto de referência moral que seja coerente e logicamente prescritivo.
Este é o primeiro ponto de colapso, quando se tenta viver sem Deus. As ramificações são terríveis.
(Pode o Homem Viver Sem Deus?; Ravi Zacharias; Mundo Cristão; pp. 69)
O prazer acaba por fomentar uma atitude moral hedonista. Vive-se em função do que dá prazer e considera-se certo e bom tudo o que dá prazer. O hedonismo anda de mãos dadas com o relativismo desdenhando de princípios e valores universais, imutáveis e eternos. Acaba por traduzir o lema a que Paulo se refere na sua carta aos cristãos em Corinto quando discorre sobre a ressurreição: comamos e bebamos que amanhã morreremos. O hedonista desdenha da eternidade procurando na vida presente tudo o que deseja. Fazemos aqui referência a estudo muito interessante realizado por James Houston e publicado no seu livro A fome da Alma, em que a dado passo refere: Podemos criticar Freud por ter exagerado o que ele chamou de "Princípio do Prazer", mas é certo que este constitui elemento vital na formação de qualquer vício. Da mesma forma que a matéria é puxada para baixo pela gravidade, assim também os seres humanos gravitam na direção daquilo que é prazeroso. Ouvimos freqüentemente o comentário: "Eu tenho o direito de me divertir, não é mesmo?". Há ainda a força de nossa própria vontade, manifesta em discussões acaloradas: "Não é da sua conta! Posso fazer o que eu quiser!". Para reforçar esse viés primário, temos ainda o "Viés Egoístico", que é o de "cuidar do Número Um", isto é, do nosso próprio interesse. (Abba Press; pp. 73,74)
Neste trabalho o auto faz uma análise de algumas obras literárias em que o tema do prazer e do vício são tratados. Citamos do seu estudo na obra de Dostoievski "Os Irmãos Karamazov", as palavras do Padre Zossima para Fiodor (grosseiro, cruel e cínico... que se comporta como um refém inconsciente de seus próprios vícios: álcool, sexo e dinheiro): Não se envergonhe tanto de si mesmo, pois aí está a raiz de todo o mal (...) Acima de tudo, não minta para si mesmo. Aquele que mente para si mesmo e ouve suas próprias mentiras acaba não sendo capaz de discernir a verdade em si próprio ou naqueles que o cercam, passando assim a desrespeitar a si mesmo e aos outros. Se é incapaz de respeitar alguém, cessará de amar e, se não tiver amor, se entregará a paixões e prazeres grosseiros para encher o tempo e distrair-se. Seus vícios o levarão à animalidade completa, tudo isso em decorrência de ter mentido continuamente para os outros e para si mesmo." (Abba Press; pp. 84)
Neste sentido o prazer impede-nos de atingir as raízes do nosso ser e do que ele requer em termos da nossa condição, para vivermos em plenitude e em abundância. Jesus Cristo cuja vida radica e parte do ser, declara: eu vim para dar vida, e com abundância. (João 10:10; versão: O Livro - A Bíblia para Hoje)
A satisfação tem que ver com o que somos antes de tudo o mais, o fazer é uma mera conseqüência que pode ou não contemplar o ter.
Só Aquele que nos criou verdadeiramente nos pode satisfazer, porque só Ele sabe quem somos. Só o Criador pode satisfazer a sede da nossa alma. Só o que de si mesmo disse Eu sou... pode lidar com o nosso ser.
Ser em Cristo é a única maneira de estarmos satisfeitos porque encontramos o nosso lugar.
Agostinho exprimiu esta realidade nestes termos: o Senhor nos fez para si e nosso coração não encontra paz enquanto não descansar nele. Só n’Ele estamos completos, ou seja só Ele nos completa. Somos tão grandes que só Deus nos pode encher. É por isso que o rei Davi escreve no Salmo 8: Ó Senhor nosso Deus, a grandeza e a honra do teu nome transborda dos céus e enche toda a Terra. Tu ensinaste as criancinhas a louvar-te perfeitamente, para que o exemplo delas envergonhe e reduza a silêncio os teus inimigos! Quando de noite contemplo os céus e vejo a obra dos teus dedos, a Lua e as estrelas que fizeste, pergunto: Quem é o homem, para que te preocupes com ele? Quem é o filho do homem, que te lembres dele! E apesar disso o tornaste um pouco mais baixo do que os anjos, e coroaste-o de honra e glória. Deste-lhe domínio sobre aquilo que criaste. Puseste tudo sob seus pés: ovelhas, bois, animais selvagens, pássaros, peixes e tudo o que tem vida nos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, como é admirável a autoridade e a força que o teu nome tem sobre toda a Terra!
James Houston no livro A Fome da Alma, refere o seguinte: Agostinho cria com toda certeza que, se Deus não estiver no centro de nossos desejos, eles se desbaratarão em todas as direções, sob a forma de paixões e prazeres sensuais que nos aviltam e nos aprisionam na futilidade e no desespero. Se não adorarmos a Deus, centrando nele todo o nosso desejo, só nos resta viver como viciados, escravizados pelos sentidos. O próprio Agostinho experimentou essa verdade quando jovem: "os espinhos dos desejos impuros cresceram desenfreadamente, e não havia quem os pudesse arrancar". Ele de fato se alegrou muito com sua vida inconstante e com "aquele tumulto dos sentidos no qual o mundo se esquece de Deus, o Criador, e se apaixona pela criatura". É muito fácil nos intoxicarmos com o "vinho invisível da vontade própria" e nos entregarmos a desejos egoístas. (Abba Press; pp. 68,69)
Jesus trata de forma admirável o assunto da satisfação que abrange a totalidade do ser humano e dos seus relacionamentos (com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo natural), em diálogo com uma mulher samaritana, junto ao poço de Jacó. São d’Ele as seguintes palavras, depois de lhe ter pedido um pouco de água e de ter chocado com a sua surpresa de que Ele, judeu e homem, lhe pedisse o que quer que fosse e até se atrevesse a dirigir-lhe a palavra: Se ao menos compreendesses o dom maravilhoso que Deus tem para ti e quem eu sou, serias tu a pedir-me que te desse água viva. (João 4:10; versão O Livro – A Bíblia para Hoje).
Todo o relato nos remete entre outras coisas para os relacionamentos que preenchem e satisfazem o nosso ser. Não de um relacionamento feito de trivialidades, de superficialidade, de tiques sociais, de meras formalidades e cumprimento de tradições, mas um relacionamento do coração no confronto sereno da vida e dos segredos mais profundos.
A começar pela iniciativa do próprio Cristo em derrubar todas as barreiras para falar com uma mulher samaritana, pecadora e ao que tudo parece segregada pelos seus conterrâneos.
Passando à sensível e amorosa verificação de relacionamentos não conseguidos em termos de intimidade matrimonial.
Alcançando a possibilidade de relacionamento com Deus independentemente de ritos, tradições, liturgias ou espaços, mas em termos do coração. Bem como a referência de que o Pai procura os que o adoram em espírito e em verdade.
E terminando com um relacionamento social restaurado em torno de Jesus Cristo, Aquele que sabe tudo a nosso respeito e veio para nos libertar do que nos oprime, estrangula e asfixia, com o Seu perdão tornado real e verdadeiro pela Sua própria morte na cruz.
Uma vez mais citando James Houston: Já cheguei à idade madura de 70 anos. Posso rever meu passado e perceber as artimanhas que usamos contra nós mesmos: suprimimos as más notícias, reprimimos a dor e fazemos tudo o que é possível para não nos tornarmos vulneráveis. (...) Creio, inclusive, que não podemos confiar em nós mesmos a ponto de nos entregarmos a desejos ilimitados, a menos que desfrutemos do relacionamento fiel e transformador produzido pelo amor divino e pela amizade de Deus. O desejo que realmente nos traz vida é o de conhecer a Deus. (A Fome da Alma; Abba Press; pp. 33)

Textos bíblicos
Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.
Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão; e o vosso suor naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom, e vos deleitareis com finos manjares. (Isaías 55:1,2)
Porque dois males cometeu o meu povo; a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jeremias 2:13)
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem e consideração. (Eclesiastes 7:2)
E deu um exemplo: "Certo homem rico possuía uma propriedade fértil que dava boas colheitas. Assim os seus celeiros ficaram a transbordar, e não podia guardar tudo lá dentro. O homem pôs-se a pensar no problema. Por fim, exclamou: ‘Já sei, vou deitar abaixo os celeiros e construir outros maiores. Assim terei espaço suficiente. Depois direi comigo mesmo: ‘Amigo, armazenaste o bastante para os anos futuros. Agora, repousa e come, bebe e diverte-te.’
Mas Deus disse-lhe: ‘Louco! Esta noite vais morrer; e para quem fica tudo isso?’
Sim, louco é quem acumula riquezas na Terra mas não é rico em relação a Deus." (Lucas 12:16-21 – O Livro, a Bíblia para Hoje)
"Havia um certo homem rico", disse Jesus, "que se vestia elegantemente e vivia todos os dias no prazer e no luxo. Um mendigo, chamado Lázaro, cheio de doenças, costumava estar deitado à sua porta; e bem desejava comer ao menos as sobras da mesa desse rico, mas só tinha cachorros que vinham lamber-lhe as feridas. Por fim, o mendigo faleceu, e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Também o rico morreu e foi sepultado. Ali, em tormentos, viu Lázaro lá longe com Abraão.
‘Pai Abraão’, gritou ‘tem piedade de mim! Manda Lázaro vir ter comigo nem que seja para molhar a ponta do dedo em água e refrescar-me a língua, pois estou atormentado nestas chamas!’
‘Filho’, respondeu-lhe Abraão, ‘lembra-te de que durante a tua vida tiveste tudo quanto querias, enquanto Lázaro nada teve. Ele está aqui a ser consolado e tu estás em tormentos. Além disso, há um grande abismo que nos separa e que ninguém pode transpor.’
‘Ó Pai Abraão, manda-o a casa de meu pai,’ retorquiu o rico, ‘pois tenho cinco irmãos e é preciso avisá-los para que não venham para este lugar de sofrimentos quando morrerem’.
Mas Abraão declarou-lhe: ‘Têm as Escrituras de Moisés e dos profetas. Ouçam os seus avisos.
‘Não, pai Abraão. Se alguém de entre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.’
‘Se eles não ouvem Moisés e os profetas, não ouvirão nem mesmo alguém que se tenha levantado de entre os mortos.’" (Lucas 16:19-31 – O Livro, A Bíblia para Hoje)





AUTOR: Samuel Pinheiro



MODISMOS E MOVIMENTOS X IGREJA



MODISMOS E MOVIMENTOS  X  IGREJA

            Mas levantando-se no Sinédrio um fariseu, chamado Gamaliel,  mestre da lei, acatado por todo o povo,  mandou tirar os homens por um pouco, e lhes disse:  Israelitas, atentai bem no que ides fazer a estes homens. Porque antes destes dias se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma cousa,  ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. Depois desse, levantou-se Judas, o galileu, nos dias de recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. Agora vos digo: Dai de mão a estes homens, deixai-os; porque se este conselho ou esta obra vem de homens perecerá; mas se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele (Atos 5:34-39).

            Todos estamos convencidos de que a Igreja é o agente de Deus na terra. Ela é responsável pela obra da evangelização, pela edificação do corpo de Cristo, e, acima de tudo, pela glorificação do nome de Deus.
            Essas funções não são do Estado; não são dos políticos; e nem dos movimentos, quer sejam sociais ou religiosos. Elas são privilégios e deveres da Igreja. Portanto, no seu trabalho, devemos colocar o melhor de nós; toda nossa força, amor e entendimento. Além disso, foi nela que nos convertemos, que fomos batizados, que aprendemos a Palavra do Senhor; e  é nela que desfrutamos da comunhão do corpo de Cristo. Assim sendo, o crente sincero deve temer a  possibilidade de ser encontrado em oposição à obra do Senhor  e da Sua Igreja.
            Contudo, alguns desvios vêm-se manifestando nas últimas décadas, trazendo grande confusão para um número razoável de crentes. E o nosso propósito aqui, é o de analisar esses desvios com uma perspectiva de um interesse maior: O reconhecimento de que a Igreja é o agente do Reino de Deus.

I - Movimentos Passageiros
            Já  há algum tempo, modismos doutrinários e litúrgicos vêm afetando até mesmo as Igrejas mais fiéis. Quem não se lembra do fenômeno do “dente de ouro”? do  incitamento para que cada vez mais pessoas  o buscassem, até se tornar uma “febre” contagiante acompanhada de desequilíbrio emocional e desinformação?
            Por que razão ninguém mais fala sobre o assunto hoje? Não seria aplicável, neste caso, o parecer de Gamaliel?  (At. 5:35-38)
            O que aconteceu foi semelhante ao que ocorre em um estádio de futebol: “se todo mundo está fazendo a ôla, eu também devo fazer. Se todo mundo gesticula e grita, eu também devo agir assim”. Isso está errado. Os servos de Deus não podem seguir modismos, devem seguir a Palavra de Deus. E, só para pensar: Qual era a base bíblica daqueles que ensinavam com tanta convicção sobre “o dente de ouro”? Qual era a finalidade de tudo aquilo?
            Assim, o movimento passou logo;  mas a Igreja, que tantas vezes foi criticada por entusiastas do movimento, continua firme em seu objetivo.

II - A Ascensão Pela Crítica
            Alguns tele-evangelistas se projetaram muito no Brasil e no mundo. Seus programas tiveram grande influência na Igreja. E, em contrapartida, ficaram milionários com as contribuições que receberam dos crentes. Seus programas se caracterizaram pelo ataque aberto à Igreja tradicional e à sua liderança.
            Quantos crentes deixaram de ir à Escola Dominical porque achavam que assistir aos programas evangelísticos desses “missionários” era suficiente. Quantas famílias deixaram de entregar o dízimo à Igreja e passaram a patrocinar esses obreiros. Mas como a mentira não fica encoberta para sempre, escândalos morais e financeiros desses “obreiros” se tornaram públicos, e foi grande o prejuízo que trouxeram para a Igreja.
            Porque razão ninguém mais fala sobre esses tele-evangelistas hoje? Onde estão seus defensores e mantenedores?  Ninguém fala deles por causa da vergonha que trouxeram para o nome do Evangelho.
            Assim, esses homens e seus movimentos passaram; mas a Igreja, que foi tão vilipendiada por eles, continua firme em seu objetivo.
            Contudo, nem todos aprenderam a lição. Há  hoje uma mulher que foi missionária na África  e que, após ter sido excluída do corpo de obreiros da Igreja Batista, passou a  desenvolver o seu ministério na televisão. Qual é a sua característica? Em seus programas, a Igreja e sua liderança são abertamente criticadas. Aos seus olhos, só ela está certa.
            Há ainda o caso de um obreiro leigo que há algum tempo foi ordenado para o ministério. Ele escreveu um livro denegrindo a imagem da Igreja organizada, dos pastores em geral e dos seminários.  Muitos crentes foram influenciados por esse “pastor”, deixaram suas Igrejas e rejeitaram seus líderes. Igrejas se dividiram por causa de seus ensinos e a confusão foi lançada.
            Como é fácil criticar e apontar erros! A Igreja é composta de homens e, como diz o adágio popular “onde há o ferro há a   ferrugem e onde há o homem há o pecado”. Mas, sem dúvida, o nosso papel não é o de criar  grupos dentro das Igrejas, e nem tão pouco o de criticar pela crítica; pois quando criticamos a Igreja estamos criticando a nós mesmos, a nossa casa. Nosso papel é o de solucionar os problemas existentes, de corrigir os erros; e isso, sempre pelos canais competentes,  sempre de modo respeitoso e bíblico.

III - Os Grupos  Para-eclesiásticos
            Alguns crentes, insatisfeitos com os problemas e o marasmo das Igrejas, têm buscado se reunir fora da estrutura denominacional. Essas pessoas, geralmente, são muito bem intencionadas e se reúnem para fazer algo que a Igreja deveria fazer: às vezes evangelizar, às vezes se aprofundar no estudo bíblico; ou algo semelhante. Seus propósitos são bons, mas o erro está em querer assumir isso fora da estrutura da Igreja. O que deveriam fazer é convencer a liderança da Igreja a assumir essas obras, e eles mesmos se envolverem com o trabalho.
            Há algum tempo chegou ao Brasil um movimento em prol da evangelização. Eles falavam de evangelizar cidades inteiras em um processo que chamaram de “saturação”. Como estavam envolvidos em uma boa obra, e como tinham altos e nobres ideais, muitos crentes sinceros se uniram a eles. Contudo, esses crentes, aos poucos, foram assumindo a identidade do grupo e se afastando da Igreja. Diziam sempre que estavam fazendo o que a Igreja não fazia. Em certo período, em todas as Igrejas, só se ouvia falar nesse movimento. Foi impressionante a sua expansão!
            Hoje, porém, alguns anos após o tão grande fenômeno, pouco ou quase nada se ouve sobre eles. A grande maioria dos crentes que estavam envolvidos nesse movimento, hoje não está mais em nossas igrejas.
            Mas a Igreja, que foi tão criticada por esse grupo, continua firme;  apesar das perdas que sofreu. Os movimentos passam, mas a Igreja tem permanecido e permanecerá até a vinda de Cristo.
            Centenas de movimentos têm o seu registro na História da Igreja, através dos séculos, mas todos passaram, só a Igreja permaneceu.
            Portanto, melhor que se unir a um grupo para-ecelsiástico, é procurar corrigir os erros das Igrejas, através dos canais competentes, e trabalhar nela. Lembre-se: Deus colocou a Igreja como agente do reino; e não qualquer movimento paralelo, ainda que seja bem  intencionado.

IV - Os Institutos Bíblicos Indenominacionais
            Os crentes dedicados, aqueles que querem progredir no estudo da Palavra de Deus e desejam trabalhar na Igreja, às vezes procuram um Instituto Bíblico onde possam atingir seus ideais. E, como nem sempre têm uma boa orientação da parte de seus pastores, vão para escolas indenominacionais. Nessas escolas, convivem com pessoas de todos  os matizes doutrinárias e de práticas litúrgicas  as mais diversas. E posto que raízes denominacionais não têm qualquer valor para esses institutos bíblicos -  Haja vista que se tivesse valor a própria escola estaria ligada a uma denominação - em pouco tempo aquele bem intencionado aluno estará se voltando contra a sua Igreja e o seu pastor. É isso que tem acontecido.
            Mas essas escolas também passam, e a Igreja continua.
            No que me concerne, assim como não dou meus filhos para outros pais  educarem,  também quero ter o direito de ensinar os filhos espirituais que Deus me der. Não os entregaria nas mãos daqueles que não possuem qualquer vínculo com algo tão importante como a Igreja; e que, portanto, não possuem autoridade sobre si;  não tendo Igreja que os discipline ou a quem eles devam prestar obediência.
            O que existe em comum em tudo isso, é um modismo doutrinário e litúrgico com fortes tendências para o misticismo.   Essa tendência pode ser vista no número cada vez maior de pessoas que acreditam em uma revelação especial fora da Bíblia, que buscam nortear-se por sonhos e visões e não pela Palavra de Deus.
            Com a perda  crescente dessa norma objetiva como regra de fé e prática a tendência é buscar o subjetivismo e emocionalismo. Cada um passa a crer naquilo que os grupos têm experimentado, e por isso o testemunho de experiências sensacionais vai cada vez mais substituindo o lugar da pregação da Palavra de Deus no culto. A Igreja passa horas cantando, o que chamam de louvor, mas acha cansativo trinta minutos de pregação; e até mesmo a própria pregação passa a ser um “compartilhar de experiências”.

           
            Com isso, esses grupos tendem a diminuir a importância da igreja organizada e estabelecida, para centralizar-se em torno de um líder. Esse líder, como não poderia deixar de ser, é aquele que se posiciona contra o sistema e o critica abertamente.
            A grande ênfase deixa de ser o temor e a obediência a Deus para ser as experiências espetaculares. Os  dons ordinários do Espírito Santo perdem o valor e reuniões e mais reuniões são feitas em busca dos  dons extraordinários.
            Mas esses movimentos passam e a Igreja fica.
            Enfim, é preciso ressaltar o fato de que embora a Igreja tenha falhado em várias áreas, isso não justifica a formação de grupos para-eclesiásticos. Esses movimentos paralelos podem trazer um progresso momentâneo e aparente, mas eles  não perduram, porque não são  os agentes do reino de Deus. Eles não podem substituir a Igreja.
            Se me fosse dado escolher entre um movimento bem sucedido, e uma Igreja pequena e cheia de problemas; sem dúvida eu escolheria a Igreja.            A história é a melhor prova de que essa é a escolha acertada para os crentes.
            Assim, rejeitamos  aqueles que querem se projetar por meio das críticas, pisando nos outros; rejeitamos os movimentos sensacionalistas; rejeitamos os grupos para-eclesiásticos; rejeitamos os  que denigrem a imagem da Igreja e a sua liderança; e rejeitamos os  institutos bíblicos indenominacionais.
            A Palavra de Deus é a nossa única regra de fé e prática;  e  a Igreja, que foi instituída por Deus, é  o agente do Seu reino na terra. 

Sebastião M. Arruda

                                                                                                         



terça-feira, 2 de junho de 2020

PREVALECENDO COM DEUS EM ORAÇÃO


Prevalecendo Com Deus em Oração

Rejeição e Quebrantamento – Preparando o Vaso

Poucos já ouviram falar deste nome. Daniel Nash viveu de 1775 a 1831, no estado de Nova York, nos E.U.A. Pastoreou uma pequena igreja no interior daquele estado por apenas seis anos. Depois viajou com um evangelista itinerante, para sustentá-lo em oração, por mais sete anos, até sua morte prematura. Até onde se sabe, ele nunca ministrou fora da região agrícola de Nova York, numa época em que a maior parte do estado ainda era pouco habitada.
Seu túmulo fica num cemitério abandonado, numa estradinha de terra, ao lado de um galpão usado para leilões de animais. A igreja que pastoreou não existe mais – só há uma pequena coluna histórica para marcar o local, no meio de um milharal. Não há livros sobre sua vida, não é possível encontrar fotos ou diários. Suas mensagens foram esquecidas. Se há descendentes, não foi possível localizá-los. Ele não escreveu nenhum livro, não fundou escolas, não iniciou um movimento e, em geral, se manteve no anonimato.
Porém, este homem viu avivamento duas vezes na igreja que pastoreava, e depois teve uma participação importante em um dos maiores avivamentos nos Estados Unidos. De certa forma, fez nos Estados Unidos o papel que John Hyde desempenhou na Índia. Deixou sua marca quase que exclusivamente por causa do seu ministério de oração.
Não há muitos registros sobre seu período de ministério pastoral. Sabe-se que foi em 1816, com 40 anos, que ele assumiu uma Igreja Presbiteriana-Congregacional, na vila de Lowville. No primeiro ano de ministério, houve um avivamento, com a conversão de pelo menos 70 pessoas. Poucos anos depois, um grupo saiu da igreja e formou outra congregação perto dali. Apesar disso, Nash conseguiu estabelecer um relacionamento pacífico com este grupo, e cooperar com eles durante o restante do seu ministério.
A igreja estava prosperando espiritualmente, tinha trabalho missionário na região, e uma Escola Bíblica aos domingos. Por motivos que talvez não foram completamente registrados, em 1822 o conselho da igreja votou para dispensar Nash, e escolher outro pastor "mais jovem".
Durante os dois anos seguintes, ele continuou pregando e ministrando ali, e houve um segundo avivamento naquela igreja. Numa vila onde havia apenas 308 casas, e uma população em torno de 2.000 pessoas, mais de 200 pessoas se converteram. Mesmo assim, não chamaram Nash de volta!
Aparentemente, esta rejeição por parte daqueles que ele tinha amado, e a quem havia ministrado, aos poucos foi arrasando sua vida, esmagando e quebrando seu coração. Ele certamente ainda não conseguia ver o que Deus estava querendo fazer através de tudo isso. Não sabia que Deus estava quebrando e preparando seu coração para um outro trabalho, que envolveria o abandono do ministério público em favor do aposento escondido de oração.
Em 1824, ele teve seu primeiro contato com o famoso evangelista, Charles Finney, pois fazia parte de um presbitério onde Finney seria examinado para receber sua licença de pregador. Finney, porém, não teve uma primeira impressão muito boa de Nash. Segundo ele, Nash parecia muito frio e, até mesmo, indiferente a Deus.
Logo depois desta reunião, Nash foi acometido de uma grave inflamação nas vistas. Durante várias semanas, foi obrigado a permanecer num quarto escuro, sem poder ler ou escrever. Durante este tempo, ele se entregou quase que exclusivamente à oração. Não sabemos muito sobre o que se passou naquele quarto escuro, somente que, nas suas próprias palavras, "houve uma revisão geral e radical de toda sua experiência cristã". Quando saiu dali, ainda usando vendas nos olhos, havia um novo ardor pelas almas, e uma liberação de tudo que o prendia.
Mas ele não se dedicou a um ministério de evangelismo pessoal, nem de pregações evangelísticas. Pelo contrário, iniciou um dos mais profundos ministérios de oração de que se tem notícia. Este pregador rejeitado e quebrantado se dedicou a um trabalho que influenciaria muitos outros intercessores, até os nossos dias.

Uma Equipe Evangelística

Charles Finney começou seus trabalhos evangelísticos em Evans Mills, Nova York, no ano de 1824. E foi ali que Daniel Nash também iniciou seu ministério de oração. Quando Nash chegou lá, Finney reconheceu nele algo diferente, e afirmou "que estava cheio do poder de oração". Os dois foram unidos pelo Espírito numa parceria que só terminaria sete anos depois, com a morte de Nash.
Os alvos desta equipe evangelística foram definidos de forma simples numa carta, escrita por Nash: "Quando Finney e eu iniciamos nossa carreira, não tínhamos idéia alguma de ir no meio de igrejas e pastores. Nossa mais alta ambição era ir onde não havia nem pastor, nem igreja, e procurar as ovelhas perdidas, aquelas pelas quais ninguém se importava. Começamos e o Senhor prosperava... Não entrávamos em território de ninguém, a menos que fôssemos convidados... Já tínhamos suficiente espaço e serviço para trabalhar."
A necessidade de oração para preparar o caminho para a evangelização era o princípio fundamental da equipe. Este conceito era tão forte que Finney geralmente mandava Nash umas três ou quatro semanas na frente, para preparar o lugar e o povo para as reuniões, através da oração.
Quando Deus dava uma direção quanto ao local onde deviam trabalhar, Nash ia sem alarde algum para lá, e procurava duas ou três pessoas para se unir com ele em uma aliança de oração. Às vezes levava consigo um outro homem, que tinha o mesmo tipo de chamamento, chamado Abel Clarey. Aí começavam a orar fervorosamente para que Deus agisse na comunidade.
Uma senhora conta a seguinte história: "Alguns dias antes de Finney chegar para pregar na cidade de Bolton, apareceram dois homens na minha humilde residência, procurando hospedagem. Fiquei atônita, pois não tinha espaço nenhum na minha casa. Finalmente, por vinte e cinco centavos por semana, os dois (Nash e Clarey) alugaram um porão escuro e úmido durante todo o tempo da campanha (umas duas semanas). Lá naquela cela voluntária, os dois parceiros de oração lutaram contra as forças das trevas."
O próprio Finney relata: "Certa vez eu estava numa cidade para começar umas reuniões, e encontrei uma senhora que dirigia uma pensão. Ela me disse: ‘Irmão Finney, você conhece um tal de Nash? Ele e mais dois homens estão na minha pensão há três dias, mas não comeram nada até agora. Abri e porta e dei uma espiada, pois os ouvi gemendo, e vi que estavam prostrados. Já faz três dias que estão lá, prostrados no chão, gemendo. Acho que algo terrível deve ter acontecido com eles. Fiquei com medo de entrar, e não sei o que fazer. Você poderia por favor ir vê-los?’ ‘Não será necessário’, respondi. ‘Eles só estão sentindo dores de parto em oração!’ "
Nash não só preparava a comunidade com antecedência, mas continuava lutando no Espírito durante a campanha. Geralmente não participava das reuniões, mas enquanto Finney pregava, Nash geralmente estava em alguma casa vizinha, prostrado no seu rosto, em agonia de oração. Com todo devido reconhecimento a Finney pela vida que tinha diante de Deus, e pela unção nas pregações, não há como negar a participação fundamental destes homens que o sustentavam em oração. As lágrimas que derramaram, os gemidos que saíam do coração, estão todos escritos nos livros de Deus.
É aqui que encontramos uma das chaves do ministério de Charles Finney. Calcula-se que 80% daqueles que foram convertidos nas suas campanhas permaneceram firmes com Deus. Mesmo D. L. Moody, com toda sua unção na pregação, possivelmente tinha apenas 50% de permanência. Talvez a explicação seja o fato de que não tinha semelhante sustento para o seu ministério em oração.
Finney nunca dependia da sua teologia, das mensagens, do seu estilo de pregação, da sua lógica, ou dos seus métodos para obter resultados na conversão das pessoas. Ele contava com forte oração, e a obra resultante do Espírito Santo para tomar conta da audiência, e trazer profunda convicção.
Oswald Smith explica a importância da oração no ministério de Finney. "Ele sempre pregava na expectativa de ver o Espírito Santo derramado. Até que isto acontecesse, pouco ou nada era realizado. Mas no momento em que o Espírito caía sobre o povo, Finney não precisava fazer mais nada, a não ser mostrar o caminho até o Cordeiro de Deus. Foi assim que viveu e trabalhou durante anos num ambiente de avivamento..."
Recentemente, um evangelista de renome, com uma obra bem financiada e organizada, comentou que ficaria plenamente satisfeito se 20% dos seus convertidos tivessem uma experiência genuína. Nesta época de números, com muitas decisões, mas poucas conversões, com muitos programas mas pouca oração, com muita organização e pouca agonia em dar à luz, poderíamos aprender valiosas lições destes homens de Deus do passado.

Uma Impressionante
Resposta à Oração

Quando surgiam obstáculos ou oposição durante as campanhas, Charles Finney sempre procurava o irmão Nash, para pedir ajuda em oração. Certa vez, em Gouverneur, havia alguns jovens que se colocaram como muralha para impedir o progresso da obra.
"Nesta situação", escreveu Finney, "Nash e eu conversamos, e decidimos que não haveria vitória senão através da oração, e que não conseguiríamos nada de outra forma. Retiramo-nos, portanto, para uma pequena mata, e nos dedicamos à oração. Perseveramos até que tivemos confirmação da vitória, e a certeza que havíamos prevalecido. Sentimos confiança de que poder algum na terra ou no inferno poderia interferir, nem teria permissão de interromper o avivamento."
Há momentos em que a confiança alcançada na oração requer ação, e este era um desses momentos. O irmão Nash por natureza era muito quieto, e era sua prática não ficar em evidência, nem quase aparecer em público. Porém, a confiança na oração pode mudar isto, quando Deus assim o ordena.
Novamente, nas palavras do próprio Finney: "O salão de reuniões estava lotado. Perto do final da reunião, o irmão Nash se levantou e falou diretamente ao grupo de jovens que havia se unido para resistir ao avivamento. Aparentemente, estavam todos presentes, e estavam armados contra o Espírito de Deus. O ambiente estava muito solene para que pudessem ridicularizar o que tinham ouvido e visto; entretanto, seu semblante descarado e insolente estava visível a todos.
"O irmão Nash se dirigiu a eles com muita intensidade, e mostrou a culpa e o perigo do caminho que estavam tomando. No final do seu discurso, ele ficou extremamente acalorado, e lhes disse: ‘Agora, tomem nota, meus jovens! Deus há de romper suas fileiras em menos de uma semana, ou por meio da conversão de alguns, ou por mandar alguns para o inferno. Ele fará isto, tão certamente como o Senhor é o meu Deus!’
"Ele estava em pé, e ao falar assim, abaixou seu braço com tanta força sobre o banco que estava próximo, que deslocou-o do seu lugar. Logo em seguida, sentou-se, abaixou sua cabeça, e gemeu como se estivesse em dor.
"A casa inteira ficou em silêncio mortal, e a maioria do povo ficou cabisbaixo também. Pude notar que os jovens estavam agitados. Quanto a mim, lamentei que o irmão Nash tivesse ido tão longe. Ele se comprometera no sentido de que Deus, ou tiraria a vida de alguns enviando-os para o inferno, ou os converteria, dentro de uma semana.
"Porém, na terça-feira depois daquele domingo, o líder do grupo veio falar comigo em grande angústia de mente. Ele estava pronto para se submeter, e assim que comecei a falar, quebrantou-se como criança, confessou seus pecados e claramente se entregou a Cristo.
"Depois ele me perguntou: ‘O que devo fazer agora , Sr. Finney?’
"Respondi: ‘Vá imediatamente a todos os seus companheiros, ore com eles, e exorte-os a se voltarem ao Senhor.’
"E assim ele fez. Antes da semana terminar, todos, ou quase todos daquele grupo de jovens, haviam colocado sua esperança em Cristo."


Daniel Nash
Características do Ministério de Oração

J. Paul Reno
Intensidade

O avivamento mais conhecido neste período do ministério de Finney foi em Rochester, Nova York. Mais de 100.000 pessoas se converteram durante aquelas reuniões em 1830. Nash e Clarey foram juntos, e convocaram outros para batalharem juntos em oração. Os dois eram muito semelhantes em sua forma de oração. Tinham tanto fervor, e tanta agonia de alma, que resultava em cenas muito raras nos dias atuais. Nossas orações calmas alcançam poucos resultados, mas também nos custam tão pouco...
Finney escreveu a respeito deles: "Nunca vi alguém suar sangue, mas conheci uma pessoa que orava, às vezes até sangrar pelo nariz. E conheci pessoas que oravam até molharem a camisa de suor, nas temperaturas mais frias do inverno. Tenho visto pessoas orando por horas, até à exaustão, por causa da agonia das suas mentes. Tais orações prevalecem com Deus. Esta agonia na oração acontecia também nos avivamentos de Jonathan Edwards."
Existem vários relatos da oração exercitada por estes dois homens durante o avivamento de Rochester. Alguns citam Nash, outros Clarey, outros os dois. Pelo que se pode apurar, ficaram juntos em oração e jejum grande parte do tempo, chorando e clamando a Deus. Às vezes ficavam prostrados, sem forças para ficar em pé. Sua preocupação com os pecadores trazia grande pressão às suas mentes e corações. Gemiam sob a carga, arriscavam a saúde, abriam mão de confortos, tudo para que a batalha nas regiões celestiais pudesse ser ganha. Por vezes, contorciam-se e gemiam em agonia por causa das almas perdidas.
Deus honrou a posição deles, e enviou avivamento. Oravam em particular, e Deus respondia publicamente. Praticamente todo o mundo na cidade se converteu. O único teatro da cidade foi transformado em estábulo, o circo em fábrica, e os bares e tavernas eram fechados.
Hoje nos recusamos a lutar com Deus desta forma, e conseqüentemente não devemos nos surpreender diante da falta do poderoso mover do seu Espírito. Não é impressionante que não temos problema com pessoas que se desgastam nos esportes por prazer, que trabalham por dinheiro, que se entregam à política para conseguir poder, ou que se dedicam a programas de caridade, mas achamos que é fanático orar desta forma em favor das almas perdidas? Podemos até morrer pela liberdade da nossa pátria, mas nunca em favor do progresso do Reino de Deus. É algum motivo de espanto testemunharmos tão pouco dos grandes feitos de Deus em nossos dias?
Nash orava até ficar de cama, totalmente debilitado e doente, por causa da pressão espiritual que sentia. O mundo não teria problema com tal dedicação, se não fosse em favor das almas perdidas. Por que a Igreja também a considera como algo tão estranho?
Novamente a respeito das orações de Nash, Finney escreveu: "Muitas vezes ele entrava em agonia, antes do pregador subir no púlpito, com receio de que sua mente estivesse anuviada, ou seu coração frio, ou que ele não tivesse unção – e assim viéssemos a perder a bênção do Senhor. Ele orava até receber convicção interior de que Deus estaria comigo na pregação. Às vezes orava até ficar doente. Vi ocasiões em que ele ficava embaixo de trevas por um tempo, enquanto o povo estava chegando. Sua mente ficava cheia de ansiedade, e saía então para orar, uma vez, duas vezes, ou mais, até que finalmente voltava para a congregação com o rosto em paz, e dizia: ‘O Senhor veio, e estará conosco’. Nunca vi um caso em que ele estivesse errado."

Poucas Palavras

Certa vez perguntaram a Finney que tipo de pessoa era este Nash. "Nunca o vemos", diziam. "Ele não participa das reuniões."
Ao que Finney respondeu: "Como qualquer pessoa que ora muito, o irmão Nash é uma pessoa muito quieta. Mostre-me alguém que fala muito, e lhe mostrarei um cristão que ora muito pouco."
A maior parte da oração, para quem deseja ser usado assim, precisa ser em particular. É preciso buscar, não os olhos ou os ouvidos humanos, mas o ouvido de Deus. É preciso buscar um canto sozinho com Deus.
Mas, embora orasse em particular, muitas vezes Nash orava com tanto fervor que outros o ouviam. Não era intencional, mas acontecia por causa da grande carga que sentia na sua alma. Os inimigos diziam que era impossível ele orar em secreto, pois orava com tal veemência que se podia ouvi-lo a mais de um quilômetro de distância. Embora isto provavelmente não fosse tão comum, um testemunho interessante mostra que realmente podia acontecer. Em uma das campanhas, Nash levantou muito cedo e foi para uma mata orar. Era uma manhã clara, de ar límpido, daquelas em que se pode ouvir sons a uma grande distância. A um quilômetro de distância um homem não convertido parou de repente ao ouvir o som da oração. Percebendo que era a voz de Nash, o Espírito Santo operou na sua vida, e ele sentiu convicção como nunca antes experimentara, e não achou alívio enquanto não acertou sua vida com Deus.

Objetividade

Muitas pessoas usam listas sistemáticas de pessoas e motivos de oração. Ser metódico e perseverante ajuda a ser mais eficaz, e também a registrar as respostas para poder oferecer louvor e agradecimento a Deus.
Nash usava este método. Ele tinha uma lista de pessoas por quem orava diariamente. As respostas a estas orações se tornam mais notáveis ainda quando se descobre que ele não colocava nomes de pessoas que já seriam prováveis candidatos à conversão, mas geralmente pessoas que eram mais obstinadas e resistentes.
Uma das questões mais importantes sobre se elaborar uma lista de oração é conhecer a vontade de Deus sobre quem deve ser colocado na lista. Ir por aparências é andar por vista e não pela fé. Para se ter uma base firme para crer em Deus pela salvação de alguém requer direção sobre quem ele quer na lista.
Finney escreve: "A verdade clara do assunto é que o Espírito leva a pessoa a orar. Se Deus leva alguém a orar, a conclusão pela Bíblia é que Deus tem um propósito de salvar aquele indivíduo. Se descobrirmos, por comparar nosso estado de mente com a Bíblia, que fomos guiados pelo Espírito a orar por alguém, temos boa evidência para crer que Deus está preparado para abençoá-lo."
Finney contou um exemplo de como Deus operou em resposta à oração de Nash. Havia um homem chamado Sr. D. numa das cidades onde Finney estava pregando. Este homem era muito violento, e um perseguidor declarado do evangelho. Ele tinha uma taverna naquela cidade, e seu prazer era de praguejar e usar linguagem suja sempre que houvesse cristãos por perto. Ele fazia todo o possível para ferir e embaraçar os cristãos. A casa dele era um ponto de encontro para as pessoas que se opunham ao evangelho.
O irmão Nash ouviu as pessoas da cidade falando a respeito do Sr. D. como um caso muito difícil, e de como um novo convertido que morava perto dele queria vender sua casa, tamanha era a perseguição que sofria. Nash ficou profundamente entristecido e angustiado em favor do Sr. D., e colocou seu nome na sua lista de oração. Este caso passou a pesar na mente de Nash quando estava acordado, e quando estava dormindo. Pensava continuamente sobre este homem ímpio, e orou vários dias em favor dele. Desta forma, o próprio Espírito guia os cristãos a orar por pessoas ou questões que normalmente não chamariam sua atenção, e assim oram de acordo com a vontade de Deus.
"Poucos dias depois", contou Finney, "estávamos numa reunião à noite, com a casa lotada, e quem entra pela porta, senão o famoso Sr. D.? A presença dele causou considerável agitação na congregação, pois as pessoas temiam que fosse criar confusão ali. O temor e o aborrecimento em relação a ele eram muito grandes por parte de todos. Tanto foi, que depois que ele entrou, alguns já se levantaram e saíram.
"Fiquei observando-o atentamente, e logo percebi que ele não viera para criar tumulto, pois estava em grande angústia de mente. Sentou-se, mas se contorcia no seu lugar, e não conseguia ficar em paz.
"Em pouco tempo, levantou-se e, tremendo, perguntou se podia falar algumas palavras. Dei-lhe permissão, e em seguida, aquele homem fez uma das confissões mais sinceras que já ouvi. Sua confissão incluiu tudo, de como tratava Deus, os outros cristãos, o avivamento, e tudo que tinha boa fama.
"Isto ajudou a ‘lavrar muita terra dura’ nos corações daquele lugar. Era o meio mais forte que Deus poderia ter usado, naquela ocasião, para dar ímpeto à sua obra. O Sr. D. confessou abertamente sua fé no Senhor, abandonou bebida e profanidade, e enquanto permaneci naquele lugar sempre havia reuniões de oração no seu bar."

Concentração no Foco

Oração forte precisa ser oração eficaz. Precisa haver um resultado definido. O efeito deve ser definido e claro para aquele que está orando. Este efeito encherá a mente do intercessor, e será um foco claro de pensamento, preocupação e oração. Orar de forma dispersa em várias direções tem pouco valor. Uma lista é um ponto de partida neste sentido, no entanto, os itens na lista precisam ser focalizados um por um, se quisermos ver resultados.
Tal oração requer um esforço definido para direcionar no alvo certo com verdadeiro envolvimento da alma. Partir de um genuíno peso de oração e alcançar fé sólida geralmente envolve passar pelo caminho de agonia da alma. Temos uma tendência muito grande de desistir por fatalismo, falta de verdadeiro interesse, ou transferência de responsabilidade para os perdidos. Pode ser necessário lutar em oração para alcançar a bênção desejada. Isto está num plano muito superior ao plano físico. Estas lutas na alma e no espírito podem produzir muito mais que exaustão no físico. Porém, a agonia do corpo é apenas o resultado de tal oração, não uma parte integral. Alguns querem imitar esta luta da alma através de manifestações físicas. Isto pode enganar o homem, mas tal hipocrisia não trará resultado algum das cortes celestiais.

Últimos Dias do Guerreiro

Nash acreditava que tinha uma responsabilidade pelo destino das almas. Sentia que Deus entregou grandes ferramentas em nossas mãos, e o uso ou desuso destas ferramentas era assunto sério, pelo qual teríamos de prestar contas a Deus. Seu ministério de oração tinha esta premissa básica.
As últimas palavras que temos registradas de Nash estão numa carta, onde ele diz: "Depois que você esteve aqui, tenho pensado na oração, especialmente em orar pela descida do Espírito Santo. Parece-me que tenho sempre limitado a Deus neste sentido. Nunca senti antes que eu pudesse pedir racionalmente para que o Espírito descesse de forma mais completa; não só sobre indivíduos, mas sobre todo um povo, região, país e no mundo. No sábado, me propus a fazer exatamente isto, e o diabo ficou muito bravo comigo. Estou convencido agora que é meu dever e privilégio, junto com todos os cristãos, orar para que o Espírito venha, como no dia de Pentecoste, e em maior poder ainda. Não sei por que não podemos pedir que o Espírito venha em plenitude, na sua totalidade, e por que se pedirmos em fé, não podemos ver a resposta. Acho que nunca pedi tão livremente que o Espírito viesse sobre toda a humanidade. Meu corpo está em dor, mas estou feliz com Deus. Tenho sentido vontade de orar para que eu pudesse ser tomado pelo Espírito Santo, morrer no processo, e ir para o céu desta forma; mas Deus sabe."
De acordo com Charles Finney, os últimos dias de Nash foram passados em oração. Ele dizia que estava morrendo por falta de forças para orar. O corpo estava esmagado, ele sentia o peso do mundo, mas como podia deixar de orar! Ele tomava o mapa do mundo, e orava, olhando para os diferentes países. Expirou no próprio quarto, orando, no dia 20 de dezembro, de 1831, com 56 anos. Verdadeiramente, era um príncipe que prevaleceu com Deus em oração!
Será que Deus encontrará pessoas na nossa geração para se entregar a ele desta forma?

Estes artigos foram extraídos do livro Daniel Nash: Prevailing Prince of Prayer (Príncipe Que Prevalece em Oração), por J. Paul Reno.

PROVISÃO EM ABUNDÂNCIA


O Suprimento traz provisão em abundância de toda espécie

Texto: II Reis 6:24-7:20


Israel se encontrava numa situação assoladora, Samaria estava sitiada, não havia alimento, mães comendo seus próprios filhos, cabeças de jumentos sendo banquetes, esterco de pomba custando pequenas fortunas. A assolação trouxe degradação moral, e desespero. Às vezes encontramos pessoas ou até mesmo nós nos encontramos em certas situações que nada parece dar jeito, o desespero toma conta da situação, nos vemos tomando atitudes que jamais tomaríamos em outras circunstâncias. O povo de Israel estava assim, porém havia um suprimento sobrenatural e poderoso de Deus para o seu povo, parecia inacreditável mas aconteceria, assim também hoje, você vai receber este suprimento e inexplicavelmente vai sair desta situação de destruição.

O rei de Israel queria a cabeça de Eliseu, por Ter sido um agente na trégua contra os Siros no Cap.6, e o provável culpado por este revés. Eliseu vivia pelo suprimento sobrenatural e no Cap.7:1, declara profeticamente que no dia seguinte haveria suprimento, alimento a baixo custo, seria a virada, o suprimento no meio da crise.

O Suprimento já existe!

O suprimento aconteceu de forma maravilhosa, Deus espantou o cerco dos Siros com um barulho ensurdecedor que amedrontou o inimigo que deixou no acampamento todo o suprimento profetizado por Eliseu ( Cap.7 v.6).

Quatro leprosos que estavam na porta da cidade foram ao arraial dos siros para tentar receber algo, eram desprezados por serem leprosos, viviam for a do convívio do povo, mas foram eles que trouxeram a Israel a grande notícia da vitória. Talvez a tua situação seja terrível mas a palavra profética de suprimento já está sobre a tua vida, o milagre já aconteceu, só que existem 4 leprosos que você tem desprezado, quatro valores espirituais essenciais para que você possa receber o suprimento que já existe conforme a palavra profética sobre a tua vida. Posicione-se, é dia de ser suprido.

O primeiro leproso


O primeiro leproso desprezado é a memória do passado. No Sl.103:2, vemos o salmista dizer “ bendizei ó minha alma ao Senhor e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”, não podemos nos esquecer daquilo que Deus já fez. O rei estava desesperado  e queria matar a Eliseu, havia se esquecido que Deus já havia livrado a Eliseu quando foi cercado pelos siros, havia também se esquecido de que era exatamente o Senhor quem revelava a Eliseu a estratégia dos siros contra Samaria, por isso estava incrédulo, e não
podia ver o suprimento e nem recebê-lo, porém Eliseu sabia que Deus continuava o mesmo, aquele que havia feito, continuava fazendo, os atos de justiça do Senhor estavam na memória de Eliseu, e isso o fazia andar com certeza de vitória rumo ao suprimento de Deus. Não se esqueça que aquele que começou a boa obra é o mesmo e é fiel para completá-la (Filipenses: 1:6). Lembre-se do que o Senhor já fez, creia, o teu suprimento continua vivo, Deus não mudou, habilite-se pela fé para a conquista deste suprimento que já é teu.

O Segundo Leproso


O segundo valor desprezado é a nossa postura responsável diante das situações. O rei desprezou isso. Quando viu o preço dos alimentos, quando viu uma mãe se alimentando de seu próprio filho, quis matar a Eliseu, o rei tomaria uma atitude contra o Profeta, mas não uma atitude contra os siros. O rei de Israel tinha coragem de ir contra o ungido do Senhor, mas não tinha coragem de ir contra o inimigo, sua posição de rei e líder de uma nação estava desprezada, ele estava tão frágil e assustado quanto qualquer morador de Samaria. Que rei é esse que não toma o seu exército e vai contra o inimigo crendo, que o Senhor lhe daria vitória, que vê o seu povo morrendo e não se dispõe a dar a sua vida lutando pelo reino, que é o mínimo que se pode esperar de um rei? Muitas vezes colocamos a culpa em Deus, no Pastor, na Igreja, em todos , e não tomamos posição, não agimos, nos esquivamos, e não vivemos o suprimento sobrenatural. Faça a sua parte e Deus fará o milagre, não despreze sua responsabilidade. Eliseu era profeta, cria no milagre de Deus e se posicionou, profetizou, acreditou, pois estava firmado na rocha e sabia que o suprimento viria, faça isso, e o teu suprimento que já existe virá sobre a tua vida.

Terceiro Leproso


O terceiro leproso desprezado é a palavra profética, no Cap.7v.2, o Capitão do rei, desprezou a palavra profética, riu de Eliseu e não acreditou. O capitão só cria naquilo que via e jamais veria o suprimento, Eliseu cria no que não podia ver e veria o suprimento sobrenatural. Quantas vezes você leu a palavra, ou ouviu, e duvidou dela, quantas vezes achou que serviria para todas as pessoas menos para você mesmo, quando isso acontece, estamos fechando a porta de suprimento. A palavra de Deus é verdadeira, suas promessas se cumprem, em           II Cor 20:20, Josafá diz ao povo, “Crede no Senhor e estareis seguros, crede nos seus profetas e prosperareis”, nós temos uma esperança que nos faz andar, temos uma verdade que nos alimenta, foi a promessa que levou Calebe a perseverar e alcançar a terra da promessa, e o manteve forte e disposto. Não despreze a promessa de Deus, ela vai se cumprir. O Capitão do rei desprezou e morreu, morreu antes de ver o suprimento chegar, pois não creu, Eliseu era um profeta que cria, e viu o suprimento sobrenatural de Deus.

 

 

 

Quarto Leproso


O quarto leproso desprezado é a fé, no verso 12 do cap.7, o rei mesmo com a notícia dos leprosos não creu no livramento do Senhor. Um rei que havia sido ungido como tal, que havia recebido capacitação de Deus par exercer o seu reinado, não cria na mão de Deus segundo a palavra do profeta Eliseu. Em Hebreus 11:6 aprendemos que aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que é galardoado daqueles que o buscam. Infelizmente o povo estava sendo governado por um rei incrédulo, se dependesse da sua fé o suprimento não viria. Mas Eliseu era um homem cheio de fé, profetizou e creu no milagre. O justo viverá pela fé, o teu suprimento já existe, não seja roubado pela sua falta de fé, não despreze a fé mas seja suprido pelo milagre de Deus.

O teu suprimento já existe, o milagre já aconteceu, pois fiel é aquele que te chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, posicione-se e receba este suprimento. Hoje comprometa-se com o senhor, e não despreze o que Deus já fez, não despreze a tua ação e responsabilidade, não despreze a palavra profética e não despreze a fé. Posicione-se como Eliseu e o teu suprimento, de forma inexplicável aos homens, se derramará do céu sobre a tua vida.


PODEMOS CONFIAR NA ASTROLOGIA?


Podemos Confiar na Astrologia?
Há fundamento religioso na astrologia? Podemos realmente confiar nas predições dos astrólogos?
O dicionário Aurélio define astrologia como: "Estudo e conhecimento da influência dos astros...no destino e no comportamento dos homens".
A prática da astrologia é muito antiga. Ela se desenvolveu na Mesopotâmia, ao tempo de Babilônia e daí passou ao Egito, à Grécia e Roma. Foi, no começo, um misto de religião e ciência.
Os pagãos da antiguidade adoravam os astros, e os que se dedicavam à astrologia criam que os astros serviam de guia no predizer negócios e destinos humanos. Ainda existe, na escrita cuneiforme, usada na Mesopotâmia, um horóspoco datado de 410 anos antes de Cristo.
No Império Romano os astrólogos estudavam o Sol, a Lua e os cinco planetas visíveis e procuravam, por encantamentos, obter ajuda dos deuses que criam habitar esses astros.
Na imaginação dos astrólogos esses mesmos deuses poderiam ajudá-los a descobrir o futuro
Como vemos, a astrologia originou-se entre os pagãos da antiguidade, que adoravam os astros. Ela não tem base nos ensinos bíblicos. Mas, a astrologia tem afinal de contas, fundamento centífico?
Alguns fatos irão responder a esta pergunta: No começo de 1985, 36 astrólogos e advinhos norte-americanos fizeram 500 predições de acontecimentos que deveriam ocorrer durante aquele ano.
Menos de 5% poderiam ser contados como tendo se cumprido. Eram acontecimentos mais ou menos óbvios, mas 95% falharam.
Algumas das predições deles como exemplo: A senhora Nancy Reagan quebraria uma perna numa festa em Whashington. Fidel Castro, chefe do governo de Cuba, contrairia cancêr e correria à União Soviética para o seu tratamento de emergência. O então Aiatolá Komeini que ainda era vivo na época, seria assassinado por sua guarda pessoal. O papa João Paulo II encontrar-se-ia num avião sequestrado por terroristas.
Como sabemos, todas estas predições falharam, e isto prova que a astrologia não tem base científica. Cientistas de diferentes países, em número de 192, publicaram o seguinte: "Nós, abaixo assinados - astrônomos, astrofísicos e cientistas em outros campos - desejamos advertir o público contra a aceitação sem exame das predições e conselhos dados por astrólogos, em particular e publicamente. Os que desejam crer na astrologia devem comprender que não há base científica para os seus ensinos." Vibrant Life, Set/Out. 86, pág 25.
Meus amigos só Deus conhece o futuro. Em Isaías 46:9 e10, Deus diz: "eu sou Deus e não há outro semelhante a mim. Eu anúncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam. O meu conselho permanecerá de pé e farei toda a minha vontade."
Amigos, nosso destino depende de nosso relaconamento com Deus e não da astrologia.
Depende de usarmos o nosso livre arbítrio escolhendo agradar ao Pai celeste, ou deixar de fazê-lo. Isto influência a nossa vida e determina o nosso futuro, e não a posição dos astros na hora do nosso nascimento.
O profeta Isaías, inspirado por Deus, predizendo a queda de Babilônia, como que ironiza os astrólogos que nela havia, dizendo: "Levantem-se agora os que dissecam os céus e fitam os astros, os que em cada lua nova te predizem o que há de vir sobre ti. Eis que serão como restolho, o fogo os queimará; não poderão livrar-se do poder das chamas." Isaías 47:13,14.
A história conta que não puderam fazer nada, enquanto Deus anunciava a destruição. Foram completamente inúteis, como o restolho queimado pelo fogo. Deus falou através do profeta Jeremias: "Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis com os sinais dos céus; porque com eles os gentios (pagãos) se atemorizam, porque os costumes dos povos são vaidade." Jeremias 10: 2, 3.
Os sinais dos céus eram eclípses, o aparecimento de cometas, as conjuções, ou alinhamentos de corpos celestes.
Essas coisas eram interpretadas frequentemente como indicação de boa sorte para a nação, ou para indivíduos. Mas o povo de Deus não devia crer nelas.
Este mesmo conselho é dado hoje por Deus para os Seus filhos. Não devemos crer nas especulações da astrologia. Nossa fé deve estar firmada em Deus. Deus, sómente Deus conhece nosso futuro.
E se confiarmos em Deus, e se colocarmos nossa vida em Suas mãos o nosso futuro estará garantido. A Bíblia, a Palavra de Deus nos diz: "Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes a nós O entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?" Romanos 8:31 e 32.
Nossa garantia de felicidade futura está em aceitarmos o sacrifício de Jesus no Calvário. O amor de Deus é tão grande por nós que Ele não poupou o Seu único Filho para nos resgatar desta vida atribulada, cheia de aflições, dificuldades financieras, dor pela perda de um parente querido.
Nós, seres humanos, somos curiosos para descobrir o que está à nossa frente. Mas o próprio Deus nos advertiu contra esta curiosidade que temos.
Se tão sómente jogarmos nossas preocupações aos pés de Jesus, nós não teremos medo do futuro, e sim este mesmo futuro que nos parace muitas vezes negro, nos parecerá então um caminho de luz, porque teremos plena confiança de que Deus quer o melhor para os Seus Filhos.
Deixe Deus guiar a sua vida. Não impeça que um Pai de amor o acolha em Seus braços amorosos.
II Crônicas 20:20 - "Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis."