quinta-feira, 3 de novembro de 2016

RENÚNCIA

RENUNCIANDO A TUDO  

"Assim, pois, todo aquêle que dentre vós 'não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser Meu discípulo" (Lucas 14:33) 

Para ser discípulo do Senhor Jesus, é necessário renunciar a tudo. Êste é o significado inconfundível das palavras do Salvador. Não importa o quanto nós possamos reclamar contra uma exigência tão extrema; não importa o quanto nós possamos nos rebelar contra uma política tão "impossível" e "imprudente": o fato é que esta é a Palavra do Senhor e o seu significado não muda. 

Ao começarmos a estudar estas palavras, devemos enfrentar estas verdades inflexíveis: 

a) O Senhor Jesus não faz essa exigência a uma certa classe especial de obreiros cristãos. Jesus disse: "Todo aquêle que dentre vós ... " 

b) Êle não disse que temos simplesmente que estar dispostos a renunciar a tudo. Jesus disse: "Todo aquêle que dentre vós não renuncia ... " 

Ele não disse que temos somente que renunciar à uma parte. Jesus disse: "Todo aquêle dentre vós que não renuncia a tudo quanto tem ... " 

Êle não disse que uma forma cômoda de discipulado seria possível para o homem apegado às riquezas. Jesus disse: " ... não pode ser Meu discípulo". 
Realmente, não devemos ficar surpreendidos com essa exigência tão restrita como se fôsse a única referida na Bíblia. 

Jesus também disse: "Não acumuleis para vós outros tesouros sôbre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu" (Mateus 6: 19,20). 

É como Wesley, com tôda, razão, afirmou: 

"Ajuntar tesouros na terra é tão claramente proibido quanto o adultério ou o homicídio". 

Disse também Jesus: "Vendei os vossos bens e dai esmola" (Lucas 12:33). Jesus instruiu o jovem rico, dizendo-lhe: "Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-Me" (Lucas 18:22). 
Se isto não significa exatamente o que Êle disse, o que é então que Jesus queria dizer? 

Não é verdade que os crentes, na Igreja Primitiva, "vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade"? 
(Atos 2:45). 

E não é verdade que nos tempos passados muitos homens e mulheres querendo seguir a Jesus deixaram tudo, literalmente? 

Anthony Norris Groves e sua espôsa, missionários pioneiros em Bagdá, convenceram-se de que não mais podiam os nossos corações descrentes nos dizem que seria impossível aplicar literalmente as palavras do Senhor, Se renunciássemos a tudo, morreríamos de fome. 

Afinal de contas, temos que tomar providências para o nosso futuro e o futuro de nossos queridos. Se cada cristão renunciasse a tudo, então, quem financiaria a obra do Senhor? Se não houvesse alguns ricos, como seria a classe social mais elevada atingida pelo Evangelho? Assim, pois, os argumentos vêm, uns após outros, todos para provar que o Senhor Jesus falou figuradamente. 

O fato é que, a obediência ao mandamento do Senhor é a vida mais sadia, mais razoável e que dá maior gôzo, O testemunho das Escrituras e das experiências testifica que, para aquêle que se sacrifica por Cristo, jamais faltará o suficiente. Quando um homem obedece a Deus, o Senhor Se responsabiliza por êle. 

O homem que renuncia a tudo para seguir a Cristo não é um indigente desamparado, esperando que seus irmãos supram suas necessidades. Antes: "ajuntar tesouros na terra", mas que deviam dedicar o total de uma renda considerável à obra do Senhor. As convicções de Groves sôbre êste assunto são apresentadas no folheto Christian Devotedriess (Devoção Cristã). 

Sabe-se que C. T. Studd: 
"resolveu dar toda a sua fortuna a Cristo, aproveitando a oportunidade que lhe foi oferecida: fazer o que o jovem rico não havia feito. Foi uma simples obediência às frases claras da Palavra de Deus. Depois de distribuir milhares de dólares para a obra do Senhor, reservou, ao casar-se, 9.588 dólares para a sua esposa, Mas, ela não permitiu que o marido fizesse mais do que ela. 

"Charlie", perguntou-lhe", o que foi que o Senhor mandou o moço rico fazer?". "Vende tudo", respondeu ele, "Então", disse ela, "começaremos' assim nossa vida conjugal, com tudo em dia com o Senhor". E o dinheiro foi para a Sua obra". 

O mesmo espírito de dedicação animava Jim Elliot. 

Ele escreveu em seu diário: 

"Pai, permite que eu seja fraco, para que perca todo o meu apego a tudo quanto é temporal: Minha vida, minha reputação, minhas possessões. Senhor, que eu perca a tensão da mão ávida. Até mesmo, Pai, perderia o prazer de acariciar. 

Quantas vêzes já soltei algo, mas na realidade, retinha o que apreciava por meio de "saudades inocentes". Antes, abre a minha mão para receber os cravos do Calvário como a mão de Cristo foi aberta para que eu, soltando tudo, possa ser libertado de tudo que agora me prende. ~le não teve por usurpação ser igual a Deus. Que eu perca a minha vontade de reter". 

Ele é laborioso. Trabalha diligentemente para suprir as necessidades presentes dêle mesmo e de sua família. 

Ele é frugal. Vive o mais econômicarnente possível para que tudo, além das necessidades presentes, possa ser dado à obra do Senhor. 

Ele é previdente. Em vez de acumular riquezas na terra, ele as acumula nos céus. 

Ele confia a Deus o seu futuro. Em vez de empregar a melhor parte de SUa vida providenciando segurança para sua velhice, êle dá o seu melhor ao trabalho de Cristo e confia a Ele o seu futuro. Êle crê que, buscando primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, nunca lhe faltará o alimento ou a roupa (Mateus 6:33). 

Para êle, é irracional acumular riquezas aqui na terra. 

Ele argumentaria da seguinte forma: 

a) Como podemos nós, conscienciosamente, ajuntar reservas monetárias quando êsse dinheiro poderia ser usado agora para a salvação de almas? "Aquêle que possuir recursos dêste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nêle o amor de Deus?" (I João 3: 17). 

"Consideremos também o importante mandamento "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Levítico 19: 18).

Podemos realmente dizer que amamos o nosso próximo como a nós mesmos, se o deixamos morrer de fome quando temos o suficiente e de sobra? Eu poderia fazer um apêlo àqueles que já experimenta-ram o gôzo de conhecer o Dom inefável de Deus e perguntar: 

"Vocês trocariam êsse conhecimento por cem mundos? Portanto, não retenhamos os meios pelos quais outros podem obter êsse conhecimento santificador e essa consolação celeste" (A. N. Groves). 

b) Se realmente cremos que a Vinda de Cristo é iminente, então queremos usar nosso dinheiro imediatamente para a Sua causa, ou então nos arriscamos a que o dinheiro caia nas mãos do diabo, dinheiro êsse que poderia ter sido usado para bênçãos eternas! 

c) Como podemos nós, conscienciosamente, Senhor pedindo que forneça as finanças obras cristãs, quando nós mesmos temos orar ao para as dinheiro que não estarnos dispostos a dar para tal fim? Renunciando a tudo, por Cristo, nós nos salvaguardamos da hipocrisia na oração. 

Como podemos ensinar a Palavra de Deus aos ou tros, se há verdades, como essa, que não obedecemos? Em tal caso, as nossas vidas fechariam nossos lábios. 

Homens espertos dêste mundo ajuntam reservas abundantes para o futuro. ltste não é o andar por fé, mas por aquilo que vemos. O cristão é chamado para uma vida de dependência total de Deus. Se está ajuntando tesouros na terra, de que forma ele é diferente do homem do mundo? 

O argumento frequentemente ouvido é que temos que providenciar para as necessidades futuras de nossas famílias; serrâo, somos piores do que os descrentes. Para êste ponto de vista, são usados os dois seguintes versículos: 

''Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos" (2 Corintios 12: 14) e "Ora, se alguém não tem cuidad o dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente" (1 Timóteo 5:8). 

Um estudo cuidadoso dêsses versículos mostrará que tratam de NECESSIDADES PRESENTES e não de CONTINGÊNCIAS FUTURAS. 

e) No primeiro versículo, Paulo usa de ironia. Êle é o pai e os corintios são seus filhos. Ele não os encarregou de sustentá-la, apesar de, como um servo de Deus, ter todo o direito de assim fazer. Afinal de contas, ele era seu pai na fé e, geralmente, os pais tomam providências para as necessidades dos filhos e rrâo vice-versa. Não é, de maneira nenhuma, uma questão dos pais providenciarem para o futuro de seus filhos. 

O trecho todo tem relação Com o suprimento das necessidades presentes de Paulo e não, com as suas necessidades futuras. 

Em I Timóteo 5:8, o apóstolo está tratando do cuidado para com as viúvas pobres. Ele insiste em que os parentes são os responsáveis por elas. Se não há parentes, ou se êstes não estão cumprindo suas responsabilidades, então é a igreja  local quem deve cuidar delas. Mas, aqui também, o assunto é necesidedss presentes e não possives necessidades futuras. 

O ideal de Deus é que os membros do corpo de Cristo cuidem das necessidades de seus irmãos em Cristo. "É uma questão de repartir e de repartir igualmente! Que no presente a vossa abundância supra as suas necessidades, para que mais tarde a abundância dêles possa suprir as vossas. 

Dêste modo seremos uns para os outros, conforme as palavras da Escritura: Aquele que colheu muito não teve a mais e o que colheu pouco não teve a menos". (2 Corintios 8: 13-15) 

Um cristão que acha que precisa tomar providências para as necessidadae futuras, enfrenta o difícil problema de saber de quanto vai precisar. Gasta, portanto, a sua vida em procurar uma fortuna, de quantia indefinida, e sacrifica o privilégio de dar o seu melhor ao Senhor Jesus Cristo. Chega ao frn de uma vida desperdiça da e descobre que as suas necessidades teriam sido supridas se êle tivesse apenas vivido interarnente para o Salvador. 

Se todos os cristãos tomassem as palavras do Senhor Jesus literalmente, não haveria falta de financiamento na obra do Senhor. O Evangelho sairia com poder e volume aumentados. Se um discípulo em particular estivesse enfrentando uma necessidade, seria o gôzo e privilégio de outros discípulos repartirem tudo o que tivesse com o necessitado. 

Dizer que há necessidade de cristãos ricos para alcançarem as pessoas mais ricas dêste mundo é absurdo. Paulo chegou até a casa de César, estando preso (Filipenses 4:22). 

Se obedecemos a Deus, podemos confiar nele para arranjar os meios. 

O exemplo do Senhor Jesus Cristo deve ser conclusivo a êste respeito. O servo não está acima de seu senhor. 

"O servo não deve procurar ser rico e honrado neste mundo, onde seu Mestre foi pobre e desprezado" (George Muller). 

"Os sofrimentos de Cristo incluiram pobreza (2 Coríntios 8:9). Logicamente, pobreza não quer dizer sujeira e roupa que não presta, mas sim, a falta de reservas e os meios de ser luxuoso. Uns trinta anos atrás, Andrew Murray observou que o Senhor e Seus apóstolos não podiam ter realizado a obra que lhes foi confiada se não fôssem realmente pobres. 

Aquele que quer levantar alguém precisa descer, como o samaritano, pois a maioria infinita da raça humana sempre tem sido e ainda é pobre" (A. N. Groves). 

Diz-se que há certas possessões materiais necessárias para a vida do lar. Está certo. 

Diz-se que negociantes cristãos precisam de um certo capital para continuar um negócio. Está certo. 

Diz-se que há posses, como um automóvel, que podem ser usadas para a glória de Deus. Também está certo. 

Mas, além destas necessidades legítimas, o cristão deve viver frugal e sacrificadamente para a causa do Evangelho. 

"O seu lema deve ser: Trabalhar bastante, consumir pouco, dar muito e tudo para Cristo" (A. N. Groves). 

Cada um de nós tem responsabilidade perante Deus, com respeito à interpretação de renunciar a tudo. Um cristão não pode interpretar para outro; cada um tem que agir de acôrdo com a sua própria convicção diante de Deus. 

É um assunto absolutamente pessoal. 

Se, como resultado de tal convicção, o Senhor elevar um cristão a um grau de devoção até então desconhecido, mão haverá lugar para orgulho pessoal. Quaisquer sacrifícios que fizermos não serão sacrifícios, quando vistos à luz do Calvário, Além disto tudo, damos ao Senhor apenas aquilo que não podemos guardar de jeito nenhum e o que já cessamos de amar. 

"Não é nenhum insensato aquele que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder" (Jim Elliot). 

EMBARAÇOS AO DISCIPULADO 

Qualquer pessoa que quiser seguir a Jesus pode ter a certeza de que lhe aparecerão, escapes, tentando desviá-la de seu intento. Ela terá várias oportunidades para voltar. Outras vozes a chamarão, oferecendo-se para diminuir-lhe alguns centímetros de sua cruz. Doze legiões de anjos estão dispostos a livrá-Ia do caminho de renúncia própria e de sacrifício. 

Isto está notavelmente ilustrado na passagem dos três pretendentes ao discipulado que permitiram que outras vozes sobrepujassem a voz de Cristo. 

"Indo eles caminho fora, alguém Lhe disse: Seguir-Te-ei para onde quer que fores, Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covís e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. A outro disse Jesus: Segue-Me. Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa a os mortos sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. Outro Lhe disse: Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo pôsto a mão no arado, olha para ,trás, é apto para o reino de Deus" CLuc.9:57-62). 

Três homens desconhecidos chegaram-se face a face a Jesus Cristo. Sentiram um impulso dentro de si mesmos para seguí-Lo. Entretanto, eles permitiram que alguma coisa permanecesse entre as suas almas e a completa dedicação" a Jesus Cristo. 

O SENHOR APRESSADO DEMAIS 

O primeiro homem tem sido chamado Sr. Apressado Demais. Ele entusiasticamente se ofereceu para seguir a Jesus em qualquer lugar. "Seguir-Te-ei para onde quer que fores". Não haveria preço alto demais. Não haveria cruz pesada demais. Não haveria caminho difícil demais.

À primeira vista, a resposta do Salvador parece não ter conexão com a oferta, feita com tôda a boa vontade, do Sr. Apressado Demais. Jesus disse: "As raposas têm seus covís e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça". 

Realmente, a reposta do Senhor foi bem apropriada. Foi como se tivesse dito: "Você se diz pronto a seguir-Me, onde quer que seja, mas será que está pronto a ficar sem confôrto material desta vida? As raposas têm mais do conforto deste mundo do que Eu. As aves têm ninhos que podem chamar seus, mas Eu sou um viajante sem lar no mundo feito por Minhas próprias mãos.

Você está pronto a sacrificar a segurança de um lar para Me seguir? Está pronto a deixar os confortos legítimos da vida para que possa Me servir com tôda a devoção?" 

Evidentemente, não estava pronto, pois não ouvimos mais dêle nas Sagradas Escrituras. Seu amor pelas corrveniências terrenas era maior do que a sua dedicação a Cristo, 

O SENHOR VAGAROSO DEMAIS 

O segundo homem tem sido chamado o Sr. Vagaroso Demais. Este não se ofereceu, como o primeiro homem; porém, o Salvador o chamou para ser um seguidor. Sua resposta não foi uma recusa imediata. Estee não estava completamente desinteressado no Senhor. Porém, houve uma coisa que êle quís fazer antes de seguir a Jesus. Esse foi o seu grande pecado. Este colocou seus interêsses antes dos direitos Ide Cristo. Note sua resposta: "Permite-me ir primeiro sepultar meu pai". 

Ora, é perfeitamente legítimo para um filho mostrar respeito a seus pais. Se um pai morreu, está certamerrte dentro dos limites da fé cristã que tenha um enterro decente. 

Mas as atenções legítimas da vida tornam-se positivamente pecaminosas quando tomam a prioridade sôbre os interêsses do Senhor Jesus. A ambição real da vida dêste homem se expõe em seu pedido: "Permite-me ... primeiro ... " 

As. outras palavras ditas foram apenas camuflagem para esconder seu desejo fundamental de colocar-se a si próprio em primeiro lugar. 

Aparentemente, ele não compreendeu que as. palavras "senhor, permite-me primeiro" são um absurdo moral e uma impossibilidade. Se Cristo é o Senhor, então Ele tem que ser o primeiro. Se o pronome pessoal "eu" está no trono, Cristo não tem o contrôle, O Sr. Vagaroso Demais tinha um serviço a fazer e deixou que êste serviço ocupasse o primeiro lugar. Foi, portanto, apropriado o que Jesus lhe disse: 

"Deixa aos mortos sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega reino de Deus". 

Poderíamos parafrasear as Suas palavras da seguinte maneira: "Há certas coisas na vida que somente um cristão pode fazer. Veja se não gasta a sua vida fazendo aquilo que um homem não convertido pode fazer tão bem quanto você. Deixe os mortos espirituais enterrarem os mortos físicos. Que a maior motivação de sua vida seja ampliar a Minha causa na terra". 

Parece que o preço era muito alto para o Sr. Vagaroso. Demais para pagar. Ele passa do palco do tempo a um silêncio anônimo. 

Se o primeiro homem mostrou o confôrto material como um obstáculo ao discipulado, o segundo, podemos dizer que mostrou um serviço ou uma ocupação como tendo primazia sôbre o maior motivo de ser de um cristão. Não é que haja alguma coisa de mal em um emprêgo secular; a vontade de Deus é que o homem trabalhe para poder suprir as suas necessidades e as de sua família. 

Mas a vida de um discípulo verdadeiro exige que o reino de Deus e a Sua justiça sejam buscados em primeiro lugar; que o cristão não gaste a sua vida fazendo o que uma pessoa não regenerada poderia fazer tão bem, senão melhor; que a função de um emprêgo seja apenas suprir as necessidades presentes, enquanto a vocação principal de um cristão deve ser o pregar o reino de Deus. 

O SENHOR MOLE DEMAIS

O terceiro homem chama-se Sr. Mole Demais. É parecido com o primeiro quando se oferece ao Senhor para seguí-Lo. É parecido com o segundo quando usa aquelas palavras contraditórias: "Senhor, deixa-me... primeiro". Ele disse: 

"Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa". 

Novamente temos que confessar que, em si, não houve nada errado, bàsicamente, com o seu pedido. 

Não é contrário com a lei de Deus mostrar um interêsse amoroso aos parentes ou observar as regras de etiqueta quando os deixamos. Qual foi, então, o ponto no qual êste homem foi reprovado? Foi êste: êle permitiu que os laços afáveis da natureza substituissem o lugar de Cristo. 

E assim, com Seu discei nimento penetrante, o Senhor Jesus disse: "Ninguém que, tendo pôs to a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus". Em outras palavras: "Meus discípulos não se compõem de u'a matéria egocêntrica e mole, tal como você mostrou ser. 

Eu quero aquêles que estejam dispostos a renunciar aos laços familiares, que não sejam perturbados por parentes sentimentais, que Me coloquem acima de qualquer outra pessoa em suas vidas". 

Somos forçadJs a concluir que o Sr Mole Demais deixou Jesus e foi-se embora triste. Suas aspirações demasiadamente seguras de ser um discípulo tinham-se despedaçado nas rochas dos Iaços agradáveis da família. Talvez fôsse sua mãe que em lágrimas dissesse: "Você quebrará o coração de sua mãe se me deixar para ir ao campo missionário."

Nós não sabemos. Sabemos apenas que a Bíblia bondosamente não menciona o nome dêsse homem pusilânime que, por voltar s trás, perdeu a maior oportunidade de sua vida e mereceu o epitáfio: "Não apto para o reino de Deus". 

SUMÁRIO 

Êstes são três dos embaraços principais ao discipulado verdadeiro, ilustrados por três homens que não estavam dispostos a pagar o preço de seu 
discipulado. 

Para o Sr. Apressado Demais era o amor ao confôrto do mundo. 
Para o Sr. Vagaroso Demais era a primazia de um emprêgo ou ocupação. 
Para o Sr. Mole Demais era a prioridade dos amorosos laços de família. 

O Senhor Jesus ainda chama, como sempre tem chamado, homens e mulheres para Seguirem-No heróica e sacrificadamente. 

Os caminhos de escape ainda se apresentam com palavras solícitas: "Poupa-te! Longe de ti isto!" 

Poucos estão dispostos a responder: 
"Jesus, a minha cruz tornei 
Para tudo deixar e a Ti seguir. 
Nu, pobre, desprezado, desamparado, 
Desde já meu tudo serás. 
Pereça cada almejada ambição, 
Tudo que procurei, esperei ou conheci. 
Quão rica é minha condição 
Pois Deus e o céu são meus. 
Permite que o mundo me deixe, me despreze, 
Também o fizeram ao meu Salvador. 
As aparências e os corações humanos me decepcionam
Porém, falso, como eles, não és.
Enquanto gozo. do Teu favor, 
Deus de amor, poder e sabedoria, 
Os inimigos podem odiar-me e os amigos afastar-se. 
Mostra o Teu rosto e tudo se ilumina". 
(H. F. Lyte). 

Por William Macdonald - Abril de 1966 

AS CONDIÇÕES PARA SER UM DISCíPULO

AS CONDIÇÕES PARA SER UM DISCíPULO  

Cristianismo verdadeiro é um compromisso sem reservas ao Senhor Jesus Cristo. 

O Salvador não está procurando pessoas que Lhe dêem o tempo que Ihes sobra. Procura, porém, aquelas que Lhe dêem o primeiro lugar em suas vidas. 

"Ele procura hoje, como sempre, não as multidões andando vagamente no Seu caminho, mas indivíduos cuja dedicação e fidelidade terão início logo após terem reconhecido que Jesus Cristo está à procura daqueles que estão preparados para andar num caminho de renúncia de si próprios, o qual ele também trilhou" (H. A. Evan Hopkins). 

Nada menos que urna rendição incondicional deve ser a resposta adequada ao Seu sacrifício na cruz do Calvário. 

Amor tão sublime, tão divino, nunca poderia satisfazer-se com menos do que nossas vidas, nossas almas, tudo quanto temos. 

O Senhor Jesus deu ordens bem rigorosas àqueles que seriam Seus discípulos - ordens que quase não se observam nesta época d'e vida suntuosa. Com muita frequência consideramos o cristianismo - como um escape do inferno e uma garantia para alcançar o céu. Além disso, achamos que temos todo o direito de gozar o melhor que esta vida tem para oferecer. Sabemos que há, na Bíblia, aquêles versículos claros sôbre o discipulado, mas temos dificuldade em concilíá-los com as nossas idéias sôbre como o cristianismo deveria ser. 

Podemos aceitar o fato de que soldados dêem as suas vidas por razões patrióticas. Não achamos esquisito que comunistas dêem as suas vidas por motivos políticos. Mas, que "sangue, suor e lágrimas" devam caracterizar a vida de um seguidor de Cristo, por uma razão qualquer, parece remoto e difícil de entendermos. 

E, ainda assim, as palavras do Senhor Jesus são suficientemente claras. Não há lugar para enganos se as aceitarmos com o seu próprio valor. Eis aqui as condições para que se possa ser um discípulo, como elas foram dadas pelo Salvador do Mundo: 

1) UM AMOR SUPREMO POR JESUS CRISTO  

"Se alguém vem a Mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo" (Lucas 14:26). Isso não quer dizer que devemos guardar animosidade ou hostilidade em nossos corações contra nossos parentes; quer dizer que nosso amor para com Cristo deve ser tão grande que todos os outros amores sejam ódio quando comparados com o amor que Lhe devotamos. 

A frase mais difícil nêsse trecho é "e ainda a sua própria vida". O amor próprio é um dos maiores obstáculos para ser um discípulo. Somente quando estivermos prontos a sacrificar até mesmo as nossas próprias vidas por Cristo é que estaremos no lugar onde Ele nos quer. 

2) UMA NEGAÇÃO DE SI PRÓPRIO 

"Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue ... " (Mateus 16:24). Negação de si mesmo não é o ato de abster-se de certos alimentos, prazeres ou possessões, mas, uma submissão tão completa ao domínio de Cristo, que a vontade própria não tenha qualquer autoridade ou direito. Significa que o "ego" abdica ao trono. Isso é expresso nas palavras de Henry Martyn: 

"Senhor, não permitas que eu tenha vontade própria ou que considere a minha verdadeira felicidade como dependente, mesmo no menor grau, de qualquer coisa que possa acontecer externamente, mas que ela consista em fazer totalmente a Tua vontade". 

"Prírrcipe divino, glorioso Vencedor, Toma nas Tuas estas mãos submissas, Servas felizes do trono do Salvador; Minha vontade é só a Tua". (H. G. C. Moule) 

3) UMA ESCÓLHA INTENCIONAL DA CRUZ 

"Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, torne a SUa cruz ... " (Mateus 16:24). A cruz não é uma enfermidade física, nem uma angústia mental; essas coisas são comuns a todos os homens. O caminho da cruz é um caminho escolhido intencionalmente. 

''É um caminho que, aos olhos do mundo, torna-se desonroso e cheio de afrontas" (C. A. Coates). 

A cruz simboliza a vergonha, a perseguição e o abuso do mundo para com o Filho de Deus e que se manifestará a todos aqueles que ficarem firmes contra a correnteza. 

Qualquer crente pode evitar a cruz, conformando-se com o mundo e seus prazeres. 

4) UMA VIDA GASTA EM SEGUIR A CRISTO 

"Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-Me" (Mateus 16:24). Para entenfermos isto, é necessário tão somente perguntarmo-nos: "O que caracterizou a vida do Senhor Jesus?". Foi uma vida de obediência à vontade de Deus. Foi uma vida vivida no poder do Espírito Santo. Foi uma vida de altruismo. Foi uma vida de paciência e longanirnidade, mesmo enfrentando as maiores injustiças. Foi uma vida de zêlo, de entrega, de domínio próprio, de mansidão, de bondade, de fidelidade, de devoção (Gálatas 5:22,23). 

Para sermos Seus discípulos; temos que andar como Ele andou. Temos que demonstrar os mesmos frutos que Ele demonstrou (João 15:8). 

5) UM AMOR FERVOROSO A TODOS OS QUE PERTENCEM A CRISTO

"Nisto conhecerão todos que sais Meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (João 13: 35 ). Este é o amor que estima os outros mais do que a si próprio. É o amor que cobre uma multidão de pecados. Esse é o amor que é paciente e benigno; que não se ufana, trem se ensoberbece; que não se conduz inconvenientemente, não procura seus próprios interêsses, não se ressente do mal, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (I Coríntios 13:4-7). Sem êsse amor o discipulado seria um frio ascetismo legalista. 

6) UMA CONTINUAÇÃO CONSTANTE NA SUA PALAVRA

"Se vós permanecerdes na Minha Palavra. sois verdadeiramente Meus discípulos" (João 8:31). Para um discipulado verdadeiro há necessidade de haver continuação. É fácil começar bem, com entusiasmo e disposição; mas a prova real do discipulado é a permanência até o fim. Ninguém que, tendo pôsto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus (Lucas 9:62). Obediência esporádica às Escrituras não serve. Cristo quer que pessoas O sigam em constante e incondicional obediência. 

"Não permitas que eu volte. 

Os cabos de meu arado estão molhados de lágrimas, 

As rêlhas se estragam com ferrugem, mas, mesmo assim

Meu Deus, não permitas que eu volte!" 

7) UMA RENÚNCIA DE TUDO PARA SEGUÍ-LO 

"Assim. pois, todo aquêle que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser Meu discípulo" (Lucas 14: 33). Talvez seja esta a condição menos popular em tôda a Bíblia. Teólogos espertos podem dar mil razões pelas quais êste versículo não quererá dizer o que realmente diz; porém, discípulos simples o tomam zelosamente, certos de que o Senhor Jesus sabia o que estava dizendo. 

Que quer dizer renunciar a tudo? Quer dizer um abandono de tôdas as possessões materiais que não são inteiramente necessárias e que podem ser úteis na expansão do Evangelho, O homem que renuncia a tudo não se torna um vadio desamparado, mas trabalha para suprir as necessidades presentes' de sua família e de si mesmo. Desde que a paixão de sua vida é o engrandecimento da causa de Cristo, êle investe tudo o que esteja além das necessidades presentes na obra do Senhor e deixa o futuro nas mãos de Deus. 

Buscando primeiro o reino de Deus e Sua justiça, êle acredita que nunca lhe faltará nem alimento nem roupa. Êle não pode, conscienciosamente, guardar reservas monetárias em excesso, enquanto almas perecem por falta do Evangelho. Êle não quer gastar a sua vida acumulando riquezas na terra. Renunciando a tudo, êle oferece o que não pode guardar de jeito nenhum, e o que já deixou de amar. 

Estas são as sete condições para o discipulado cristão. 

São claras e inequívocas. O autor reconhece que, no ato de apresentá-Ias, êle se condena como um servo inútil. Será, entretanto, suprimida para sempre a verdade de Deus por causa do fracasso de Seu povo? Não é verdade que a mensagem é sempre maior que o mensageiro? Não é correto que seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso? Deveríamos dizer como um velho e ilustre senhor: 

"A Tua vontade seja feita, mesmo na minha própria queda". 

Confessando nossos próprios fracassos, reconheçamos corajosamente os direitos de Cristo sôbre nós e procuremos ser, daqui por diante, discípulos verdadeiros do nosso Mestre glorioso. 

"Meu Mestre, guia-me à Tua porta: Fura esta orelha mais uma vez, Teus laços são liberdade; permite' que eu fique 
Contigo a trabalhar, suportar e obedecer". 

(Leia-se Êxodo 21: 1-6).  H. C. G. Moule 


Leia mais: http://www.palavrasdoevangelho.com/discipulos-verdadeiros/

ANSIEDADE


ANSIEDADE 

"Não andeis ansiosos pela vossa vida."
Mateus 6.25

A advertência que necessita de ser reiterada firmemente é a de que os cuidados deste mundo, a ilusão das riquezas, acrescida da cobiça por muitas outras coisas, sufocarão tudo o que Deus semear em nós. 

Nunca estamos livres do vaivém e dos altos e baixos dessas mesmas interferências. Quando o problema não vem em forma de vestuário ou alimento, virá sob a forma de dinheiro ou da sua falta; de amigos ou da sua ausência; ou de circunstâncias mais difíceis. 

É uma constante impertinência e, a menos que deixemos que o Espírito de Deus erga seu estandarte em nós mesmos contra todas essas coisas, elas surgirão como uma constante intromissão.

"Não andeis ansiosos pela vossa vida". Preocupa-te apenas com uma coisa única, diz o Senhor, com o teu relacionamento comigo. 

Mas, o bom senso grita alto e a bom som, dizendo: 

"Isso é absurdo; eu necessito de pensar como vou viver, tenho que pensar no quanto vou comer e beber". 

Jesus afirma que não – e que não mesmo. Mas tomemos aquele cuidado subtil para não nos deixarmos prender na ideia de que essa afirmação é feita por uma pessoa que não compreende as circunstâncias particulares da vida na qual nos deparamos. 

Jesus conhece-as por dentro e por fora e diz que não devemos parar para pensar ao ponto de transformá-las numa maior preocupação que a do próprio dia. 

Sempre que houver uma competição dentro de nós sobre esse mesmo assunto, certifiquemo-nos antes que nos achamos preferencialmente a colocar todo o nosso relacionamento com Deus em dia e no seu devido lugar.

“Basta a cada dia o seu próprio mal". Quantos males começaram a ser realçados por si só hoje? 

Quais os diabinhos que fitaram seu semblante a perguntar: 

"Agora, que é que vais fazer no mês que ainda vem? E no próximo ano?" "Não vos inquieteis", diz Jesus. Torne e olhe e pense de novo. Fixe sua mente no "quanto mais" do Deus celestial.


CRUCIFICADO PARA O MUNDO RELIGIOSO

CRUCIFICADO PARA O MUNDO RELIGIOSO

“Mas longe de mim esteja gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”.
Gálatas 6.14


É interessante notar a maneira particular na qual o apóstolo Paulo fala a respeito deste mundo. O termo empregado é bastante abrangente e inclui muitas coisas. 

Aqui Paulo vai direto ao espírito da coisa. Você percebe isto pelo contexto; e é bom considerarmos o assunto: 

“Pois nem esses mesmos que se circuncidaram guardam a lei; mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.”
Gálatas 6.13

O que o apóstolo quer significar? Eles falam, “Vejam quantos prosélitos temos feito! Vejam quantos seguidores e discípulos temos! Vejam o sucesso do nosso movimento! Vejam quão fortes estamos ficando no mundo! Vejam todas as bençãos divinas repousando sobre nós! 

O apóstolo diz que é experimentado nos princípios morais e espirituais deste mundo. Porém ele renuncia a tudo isso. “Procuro eu glória de homens?” “Procuro eu o favor dos homens?” Não! O mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo.

Todas estas coisas não têm valor algum para mim. O que vale para mim não é se o meu movimento está tendo sucesso, se eu estou obtendo muitos seguidores; o que vale para mim é a medida de Cristo nos meus irmãos; “Meus filhos, pelos quais de novo sinto as dores do parto até que Cristo seja formado em vós” (Gal. 4.19)

Cristo formado em você – este é o meu interesse, diz Paulo, ...e não grandiosidade, popularidade, a fim de que digam ...este é um ministério de sucesso; um movimento de sucesso. Tudo isso é mundano. Eu estou morto para todas essas coisas; estou crucificado com Cristo para tudo isso. O que realmente importa é Cristo – a medida de Cristo em você.

Veja como o mundo avança gradualmente ... e como nós, imperceptivelmente, podemos nos deixar levar por essas coisas - pela maneira como as pessoas pensam e conversam; o que elas irão dizer, as atitudes que irão tomar, da medida de nossa popularidade, do nosso sucesso. 

Tudo isso é o mundo, diz o apóstolo; o espírito do mundo; é como o mundo age. Esses são os valores aos olhos do mundo, mas não aos olhos do Cristo ressurreto. Para a nova criação, que está do lado da ressurreição da cruz, uma só coisa determina o que tem valor: a medida de Cristo em tudo.

Absolutamente nada mais tem valor, não importa quão popular possa ser, quão favoravelmente os homens possam falar sobre; do lado da ressurreição isso tudo não tem qualquer importância. O que interessa é quanto de Cristo há. 

Você e eu, na cruz do Senhor Jesus, devemos chegar ao ponto onde estejamos crucificados para todas essas coisas. Ah, você pode ser impopular, e sua obra pode ser muito pequena. Podem não haver aplausos; e o mundo pode te desprezar; mas em tudo deve haver algo de Cristo, e é nisto que devemos colocar os nossos corações. 

O Senhor nos dá graça para esta crucificação. Há poucas coisas mais difíceis do que ser desprezado; mas Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens. O que uma coisa representa perante os olhos do Senhor, isto deve ser o nosso padrão. 

É o padrão da ressurreição. Esta é a vitória da cruz:


“Mas longe de mim esteja me gloriar, a não ser na cruz de Cristo,
pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo.”
Gálatas 6.14

Por Theodore Austin-Sparks

FALA SENHOR













FALA SENHOR 

"Samuel... temia relatar a visão a Eli." 
1 Samuel 3.15

Deus dificilmente nos fala de forma extraordinária; ele usa os módulos mais simples os quais podem facilmente ser mal compreendidos; e então estamos questionando: "Será que é a voz de Deus mesmo?" 

Isaías disse: O Senhor me falava "tendo forte a mão sobre mim"; ou seja, pela pressão das circunstâncias. Nada perturba mais tocando nossa vida do que o próprio Deus. Será que discernimos a sua mão sobre nós, ou vemos tudo apenas como meras ocorrências?

Cultive esse hábito bendito de poder dizer: "Fala, Senhor"; e toda a sua vida se tornará uma verdadeira história de amor. Sempre que as circunstâncias o pressionarem, permita-se dizer: "Fala, Senhor"; e depois pare para prestar mais atenção. 

A correcção é mais do que um mecanismo de disciplina; ela visa obrigar-me a dizer: "Fala, Senhor". Tente também recordarse de alguma ocasião pela qual Deus lhe falou; será que já se esqueceu do que ele disse? 

Teria sido em Luc.11.13, ou foi em 1 Tes.5.23? Quando prestamos atenção, nosso ouvido se aguça e, como Jesus, ouvimos Deus incessantemente.
Deverei contar ao meu "Eli" o que Deus me falou? É aí que entra o dilema da obediência.

Desobedecemos a Deus fazendo de providência divina muitas vezes. "Preciso proteger e cobrir por Eli"; "Eli" são as pessoas que melhor conhecemos. Deus não ordenou a Samuel que contasse a visão a Eli; ele teve que decidir isso por ele mesmo. 

O chamamento de Deus dirigido a si poderá vir a magoar o seu "Eli" preferido, mas, caso tente impedir o sofrimento de outrem por sua causa, isso virá a tornar-se um obstáculo à sua alma para com Deus. Se poupar outra pessoa de "amputar a mão direita" ou de "arrancar o olho direito", também você correrá sérios riscos.

Nunca peça o conselho de outros sobre algo que Deus quer que decida diante dele a sós. 

Se pedir conselho a outro que não a Ele, quase sempre ficará do lado de Satanás. "Não consultei carne e sangue",  foi isso que Paulo disse sobre seu chamado, quando ouviu a voz do Senhor:

Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue,

Nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco.
Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias.  E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia.
E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo;
Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim.
(Gálatas 1:15-24)


A MULHER ESPIRITUAL

ABIGAIL
A MULHER ESPIRITUAL
Provavelmente a lição mais importante em 1 Samuel 25 é que, por mais que o Cristão supere a tentação numa determinada área da vida, um dia pode falhar ao surgir de novo a tentação anteriormente vencida. 

Davi nos capítulos anteriores tinha sido tentado a revidar contra seus inimigos, mas conseguiu se controlar e manter sua comunhão com Deus.

Agora surgiu uma crise diferente e a reação de Davi nos mostra que vitórias do passado não garantem vitórias futuras, e não garantem que não vamos cair em uma nova situação.

Isto é verdade em todas as áreas da vida. Um homem de negócios ou um empregado de integridade e confiança pode partir para a desonestidade, especialmente estando em aperto financeiro. 

Um irmão conhecido por sua calma pode irar-se ao ser provocado. Ótimos relacionamentos dentro do lar hoje não garantem a continuação deles nos anos futuros. Estes são apenas alguns exemplos, e tendo em vista nossa inerente fraqueza não podemos deixar de tomar cuidado.

A atuação de Abigail no incidente que ocorreu neste capítulo dá a ela um lugar entre as mulheres mais impressionantes da Bíblia. Qualquer avaliação de seu valor deve levar em conta as difíceis circunstâncias da sua vida dentro do lar. 

Este capítulo traz algumas lições práticas para nós, que vamos examinar.

Insuficiência

Davi havia sido um exemplo de graça e paciência ao recusar matar Saul quando teria sido tão fácil fazê-lo (1 Sam.24:3-22).Sua fé em Deus o sustentou e sua atitude de submissão ao rei estabelecido por Deus traz uma lição que é necessária até hoje nas igrejas. Entretanto, agora, sendo provocado, ele está pronto para levar quatrocentos homens para exterminar Nabal e todos os seus familiares. 

Se fosse permitido que ele executasse esse plano uma sombra escura teria caído sobre sua pessoa pelo resto de sua vida. Ele teria sido lembrado pela vingança injustificável e os homicídios desnecessários.

Bem podemos questionar: "Porque, Davi está fazendo isto? Como pôde mudar tanto?" Mas quem garante que algo semelhante não aconteça conosco? Muitas vezes os Cristãos perguntam a respeito dos outros: "O que é que houve?" "Como que isto pode ter acontecido?" 

Temos de nos lembrar de que a carne permanece no crente e pode nos trair a qualquer momento, independente das vitórias do passado. Que possamos aprender a lição da nossa insuficiência e que, mesmo com vitórias no passado, e as melhores intenções para o futuro, podemos sucumbir e falhar.

Duas passagens ajudam neste ponto: "Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne" (Gá1.5:16) e "Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nao tenhais cuidado da carne e,m suas concuptscencia.s (Rom,13:14). 
É somente na medida em que nos Julgamos a nós mesmos em Sua presença e nos servimos do poder do Espírito que seremos vitoriosos na caminhada. A oração e a Bíblia são indispensáveis na disciplina da vida diária.

Ingratidão

Nesta época, Davi continuava sendo vítima da inveja e do ódio de Saul. Ele tinha viajado para o sul para tentar garantir a sua segurança. Lá, ele e seus homens ajudaram muito os fazendeiros, pastores e os moradores em geral. Eles os protegiam dos ataques dos filisteus. Seria natural, então que homens ricos como Nabal sentissem certa gratidão para com Davi e seus homens. 

A época da tosa dos carneiros era a ocasião para a manifestação de generosidade nas comunidades e como Nabal tinha uma dívida de gratidão para com Davi pela prosperidade dele, tinha motivos para prestar-lhe um favor. Mas não foi assim. "Quem é Davi?" ele pergunta. Continuando no mesmo tom de escárnio acrescentou calúnia, alegando que Davi estava nesta situação por causa de sua deslealdade a Saul! Em assim falar, Nabal estava se fazendo de "grande defensor da ordem pública", mesmo ele estando muito distante do Senhor.

Já ouvimos de algo assim?

Infelizmente é uma atitude que se repete em nossos dias. É triste ver em certas ocasiões a inrrefletida ingratidão de cristão para os que têm sido seus bem feitores. Quer sejam em coisas materiais ou espirituais, devemos ser pessoas caracterizadas por gratidão.

Um dos males da sociedade atual é a "ingratidão" (2Tim.3:2).Talvez os que mais sintam isto sejam anciãos que o Espírito Santo levantou, que são fiéis em seu labor espiritual e ensinamento da Palavra. Os tais muitas vezes são desprezados e caluniados. "Quem é ele para estar dizendo isto?" seria uma forma moderna da dura crítica de Nabal. Podemos ter certeza que Deus encara isto com seriedade e o cobrará de maneira solene. Um dos problemas que afligem os santos é o esquecimento (às vezes proposital).

Se nos recordássemos das bênçãos que alguns cristãos trouxeram para nós, abandonaríamos toda a grosseria que nutrimos contra eles por motivos fúteis.

Incompatibilidade

O casamento entre Nabal e Abigail deve estar entre os mais calamitosos em toda a história desta ordenança.

Normalmente leva tempo para confirmar a compatibilidade de duas pessoas que pretendem casar. Depois do casamento haverá ainda mais tempo para pôr esta compatibilidade à prova. A salvaguarda para ambos é a lealdade total ao Senhor Jesus Cristo. Onde isto predomina sérios  problemas serão evitados. Nabal tinha riqueza, mas faltava-lhe  qualquer vestígio de cavalheirismo  ou generosidade. Até os servos de Nabal percebiam seu caráter: um tal filho de Belial, que não há quem lhe possa falar" (v.17). Infelizmente ainda há alguns assim, até entre o povo de Deus. Faltam-lhes tanto as boas maneiras que nem se pode conversar com eles. 

Em contrapartida, Abigail manifesta um excelente caráter em todos os níveis. "Era a mulher de bom entendimento e formosa" (v.3). Nela se combinava bom senso e educação, inteligência e beleza. Lendo mais um pouco vemos que ela tinha um profundo conhecimento dos caminhos do Senhor. Ela soube se dirigir a Davi com humildade e reserva. Infelizmente quando casou com Nabal ganhou um marido ignorante e certamente as riquezas dele não aliviaram seus sofrimentos.

Tentamos imaginar de que maneira o casal conseguia conviver. No mundo  de hoje o casamento não teria durado muito, mas Abigail perseverou. Ela  fez o que era certo e quando Nabal morreu ela foi libertada por Deus.

Influência

O ponto alto da história é a maneira em que Abigail conseguiu aconselhar Davi e assim evitar uma calamidade na vida dele. Ela deixou um bom exemplo para os outros seguirem. Foi muito bom o conselho que deu a Davi quando o aconselhou a não dar ouvidos a um homem como Nabal. Nem valia a pena escutar! Nós também devemos lembrar que o peso duma crítica é determinado pelo peso de quem fala. Muitas críticas podem ser esquecidas sem prejuízo algum. 

Abigail agiu com urgência, honestidade e humildade. Certos problemas, na vida particular ou na igreja, poderiam ser resolvidos se encarados com certa urgência.

A honestidade é indispensável e quem quer ajudar em tempos difíceis precisará sempre de humildade. Abigail agiu na hora certa e com muita compreensão. Ela podia usar de franqueza sem criar inimizade.

Mas além de tudo isso, ela tinha uma mente espiritual bem desenvolvida.

Suas palavras desarmaram Davi por completo. Ela lembrou-lhe de suas bênçãos, seu bom nome, suas vitórias e acima de tudo o grande futuro que Deus tinha para ele. Ele não precisava vingar-se dos insultos de Nabal!
Alguém tem dito que ela "aplicou uma mão fria numa cabeça quente".

O resultado foi que Davi começou a encarar a situação do ponto de vista do grande futuro que Deus tinha para ele.Todos nós devemos aprender com isto, ainda que exija muita paciência.

Quantas vezes agimos só com "o presente" em vista, esquecendo-nos que vamos colher o que semeamos.

A cena termina com louvor para Deus e elogios para Abigail. Assim termina um episódio impressionante na vida de Davi com as lições com a Palavra de Deus trás para nós.

Por: J. Fleck - submetido por Thomas Matthews
Tradução e adaptaçao de um artigo publicado pela "Belieter's Magazine".


A CHAMADA DE DEUS

A chamada de Deus para a Vida do Alto

“Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre. Como estão os montes ao redor de Jerusalém, assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre.”
Salmos 125:1-2

Os salmos 120 a 134 formam por si só um pequeno volume, chamados os salmos ou Cânticos dos Degrais. Eles falam de o escalar das profundezas, do vale escuro, para as alturas ensolaradas, que é onde o Senhor sempre deseja que o seu povo esteja.

O salmo 84 fala do passar através do vale de Baça, mas nesta conexão devemos sublinhar as duas palavras “passar através”, porque este vale nunca significou ser o lugar da habitação do povo de Deus, mas somente uma passagem através do qual eles passam. Sião, o lar montanha, é onde Deus quer que seu povo habite. É certamente instrutivo observar que o Senhor estabeleceu períodos de ascensão como uma ordenança em Israel; todos os homens tinham que subir a Jerusalém três vezes por ano.

Deus quis que essas ordenanças de subidas fossem de natureza governamental; isto é, o povo de Israel não era para ser governado pelas planícies ou vales, mas para ser um povo das montanhas.

Eles deveriam ter que passar um tempo, talvez muito tempo, aqui em baixo, mas a vida normal deles foi continuamente interrompida pelo comando de subir. A vida deles, sua vida real, estava em cima, nos lugares altos. Se pudéssemos ter nos ajuntado às suas caravanas, assim como três vezes ao ano eles ficavam prontos e seguiam a marcha, deixando os vales e planícies e seguindo acima em direção a Jerusalém, teríamos achado que essas jornadas tinham uma tremenda influência na vida do povo.

Essas canções, por exemplo, se tornaram canções para todos os tempos; elas foram providenciadas para os degrais daquelas ocasiões particulares, mas elas não foram reservadas para “as três vezes por ano”, tornando-se as canções perpétuas de Israel em que nós próprios encontramos muito de valor permanente. Isto é porque o cuidado do Senhor para com o seu povo é que eles não devem habitar nos vales profundos e escuros, embora de vez em quando eles podem ter que passar através dos vales, mas que eles devem ser um povo das alturas, com suas vidas governadas por aquilo que está em cima e não pelo que está em baixo.

Tenho ficado muito impressionado com o lugar de destaque que as montanhas tinham na vida e no ministério do Senhor Jesus, com pode ser verificado no evangelho de Mateus, que começa no capítulo 5 com o Monte da Instrução e termina no capítulo 28 com o Monte da Comissão. Pode ser observado que através de todo o evangelho os eventos de pico estavam associados com montes, como se eles encontrassem uma resposta no próprio coração e natureza de nosso Senhor. Não é verdade que Jesus desceu e passou através deste vale de Baça, a fim de nos encontrar e nos levantar dele?

Toda a sua vida, em cada aspecto e atividade de oração, ensino e obra, foi uma vida num plano ascendente, um levantar, um retorno em direção ao céu, que tomaria de volta com Ele tantos outros quanto possível. Não havia nada no nível baixo dos caminhos deste mundo para lhe dara prazer, assim, não é surpreza que Ele amasse as montanhas altas.

A própria natureza e espírito do Senhor Jesus era uma completa contradição do curso natural do movimento humano, que é constantemente escorregadio e cada vez mais baixo. O Senhor Jesus está em direto contraste com isto; o completo efeito e influência de sua presença em todo lugar sendo para levantar. Ele somente veio a este vale para nos levantar dele.

ASCENDÊNCIA

Montanhas sugerem e representam elevação, ascendência –“Levanto os meus olhos para os montes”. Para tirar os nossos olhos daqui – egoísmo, circunstâncias e tudo mais – e fixá-los naquele que é o Senhor de todos, acima e exaltado no seu trono, é em si mesma uma elevada experiência. “Olhar para Jesus” é a única coisa que nos trará para fora do vale de desespero, para onde os descansos de nossa visão afetam o curso de nossas vidas. É em cada sentido uma experiência que nos ergue, para nos unir ao Senhor no céu; é moralmente elevado e espiritualmente emancipador.

Talvez o que muitos de nós precisamos é de um nível mais elevado de vida. Somos tão pequenos. Nosso vale é um lugar que nos circunda e nos limita, é estreito. Devemos alcançar às montanhas, para acharmos amplidão, com o senso de sermos libertados da escassez de vida, livres da pequenez e mesquinharia. Se isto é verdade, naturalmente nos ajuda a interpretar uma verdade espiritual, fazendo-nos lembar de que Deus nos “ressuscitou juntamente com Cristo.”

Individualmente e coletivamente na Igreja, a maioria dos problemas, da fraquezas e até das paralisias que sofremos é devido à nossa falha em manter nossa verdadeira posição celestial em Cristo. Se pudéssemos ir mais alto, nos mover para a terra mais alta e deixar para trás as coisas que pertencem às sombras e aos gases venenosos, poderíamos nos encontrar vivendo a vontade poderosa de Deus em nós.

SEGURANÇA

Então, como indica o salmista, não é somente ascendência que vem das montanhas, mas também segurança. “Assim como os montes estão ao redor de Jerusalém, assim o Senhor está em volta do seu Povo...” As alturas são os lugares das fortalezas, para os refugiados. E nossa força, nossa segurança é para escaparmos das coisas baixas, para deixarmos pra trás o que é insignificante e desprezível, e irmos para junto do Senhor, nas alturas. Nos lugares baixos tornamos-nos brinquedos das más influências e correntes nervosas – há sempre poderes malignos que estão operando na escuridão. Encontraremos libertação e segurança nos lugares altos.

O maligno e as forças malignas estão tremendamente preocupadas em nos manter aqui em baixo, assim eles podem nos molestar e destruir nosssas vidas espirituais. Aqui em baixo... em baixo... este é o impulso e a direção do maligno, o qual planeja nos pegar e nos manter a em baixo, no lugar em que ele tem força. Nosso refúgio não é lutar na terra baixa, mas fugir para as alturas, escapar para o Senhor no esconderijo do Altíssimo.

Eu penso que o Senhor Jesus fez exatamente isso. No tempo em que Ele estava cosciente de toda pressão, das condições terrenas que o arrastavam para baixo, e dos desapontamentos, até mesmo com os seus discípulos, Ele dizia: Deixa-me retirar-me por um tempo e ir para os montes, para Meu Pai. Foi assim que Jesus era capaz de retornar maravilhosamente fortificado, e nós podemos fazer o mesmo, encontrar o nosso caminho de escape na companhia de Deus, nas alturas.
VISÃO

Há um ponto a mais acerca das montanhas, um muito óbvio, isto é, que elas são lugares de visão. Lugares de onde se pode ver as grandes distâncias. No final da Bíblia, somos levados para um monte muito grande e alto, de onde nos é mostrada a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, assim, a última cena na Bíblia é uma cena da montanha, e a montanha é uma verdadeira visão , que mostra a Igreja em sua plena expressão de glória celestial.

Seguramente é de suprema importância que o povo de Deus deva ter sua visão ampliada. Nossa visão é tão pequena, nossos propósitos na vida são tão pequenos; nossa concepção de salvação geralmente é tão pequena. Nós temos a tendência em estreitar tanto os nossos pensamentos que nos é importante ascendermos para o Monte da Visão, porque a perda de visão sempre causa “um cair em pedaços”. Aqueles cristãos que não possuem um grande senso dos propósitos de Deus e de Sua habilidade para alcançar seu objetivo e completar seus intentos, irão se achar à mercê das dúvidas e medos que derrotam os homens aqui em baixo, nesta terra.

A GRAVITAÇÃO SUPERIOR

O leitor pode concordar com tudo o que tem sido dito e ainda ficar confuso em com tal elevação para as alturas pode ser percebida. A resposta é que já há uma força trabalhando na nova natureza do cristão. O início da vida cristã é a descoberta de que Cristo veio do céus para nos levar para lá, e por isso nos tem dado a vida de cima.

A partir do dia em que o homem realmente chegar à uma união vital com o nosso ressurreto e elevado Senhor, então começa dentro dele um processo de gravitação superior. Ele agora descobre que ele realmente não pertence à terra, mas que tem uma natureza celestial que responde ao chamado de Deus para a vida no alto. Enquanto ele progride, ele descobre que sua nova vida o leva cada vez mais para longe do mundo em que ele vive, e embora isto o envolva em algumas dificuldades e até mesmo embaraços, ele não consegue se achar em casa aqui, como antes ele conseguia. Esta puxão interior é uma evidência que ele é uma criança da terra celestial.

A consumação da vida do crente é certamente para cima – pois ele será arrebatado para estar para sempre com o Senhor. Assim, a vida é um constante movimento para cima, desde seu início até o seu final glorioso. Isto significa que, como o seu Senhor, ele precisa aprender a responder à gravitação superior, não se agarrar aos interesses e possessões terrenas, nem se curvar às considerações terrenas, mas dar sempre uma resposta interior ao chamado celestial.
No que diz respeito a Cristo, até mesmo a sua ida física para um monte ilustrava quão desejoso Ele estava em responder a este chamado. E eu acredito que quando finalmente Ele ascendeu para o Pai, seu coração estava cheio de profunda satisfação em ir para casa. Será o mesmo conosco. Nós não iremos com relutância e arrependimentos; não, iremos ascender para onde pertencemos e para o que fomos feitos; ascenderemos para a última ascendência, e fazendo isso, estaremos respondendo a tudo em nossa nova constituição. Espiritualmente nós somos um povo da montanha.

Vamos agora procurar graça dia após dia, para que nós possamos repudiar todas as propostas do mundo e recusar habitar no vale. Frequentemente temos que passar por ele, mas nunca devemos nos estabelecer lá, porque pertencemos às alturas, em Cristo.
“Não temos aqui uma cidade permanente, mas buscamos aquela que está por vir.” (Hebreus 13:14).

Por Theodore Austin-Sparks