sábado, 14 de maio de 2022

A História do Povo Judeu (Parte 01)

 HISTÓRIA DO POVO JUDEU

 Recorda os dias do passado, considera os anos de geração em geração....

(Deuteronômio 32:7)

             O povo judeu nasceu na Terra de Israel (Eretz Israel). Nela transcorreu uma etapa significativa de sua longa história, cujo primeiro milênio está registrado na Bíblia; nela se formou sua identidade cultural, religiosa e nacional; e nela se manteve ininterrupta, através dos séculos, sua presença física, mesmo depois do exílio forçado da maioria do povo. Durante os longos anos de dispersão, o povo judeu jamais rompeu ou esqueceu sua ligação com sua terra. Com o estabelecimento do Estado de Israel, em 1948, foi recuperada a independência judaica, perdida 2.000 anos antes.

 I - PRINCIPAIS MOMENTOS HISTÓRICOS

séc. XVII-VI
a.E.C.

ÉPOCA BÍBLICA

 (a.E.C. - antes da Era Comum)

 c. sec. XVII

Os patriarcas: Abraão, Isaac e Jacob - os patriarcas do povo judeu e crentes no Deus Único - estabelecem-se na Terra de Israel.

A fome força os israelitas a emigrar para o Egito.

 c. séc. XIII

Êxodo dos israelitas que deixam o Egito conduzidos por Moisés e vagam no deserto durante 40 anos.

A Torá, que inclui os Dez Mandamentos, é recebida no Monte Sinai.

 séc. XIII-XII

Os israelitas se instalam na Terra de Israel.

 c. 1020

A monarquia judaica é estabelecida; Saul é o primeiro rei.

 c. 1000

Jerusalém torna-se a capital do reino de David.

 c. 960

O Primeiro Templo, centro nacional e espiritual do povo judeu, é construído em Jerusalém pelo Rei Salomão.

 c. 930

Divisão do reino: Judá e Israel.

 722-720

O reino de Israel é destruído pelos assírios; 10 tribos exiladas (As "Dez Tribos Perdidas").

 

586

O reino de Judá é conquistado pela Babilônia.

Jerusalém e o Primeiro Templo destruídos; a maioria dos judeus é exilada.

 

536-142

PERÍODOS PERSA E HELENÍSTICO

 

538-515

Muitos judeus retornam da Babilônia; o Templo é reconstruído.

 

332

Alexandre Magno conquista o país; domínio helenístico.

 

166-160

Revolta dos Macabeus (Hasmoneus) contra as restrições á prática do judaísmo e a profanação do Templo.

 

142-129

Autonomia judaica sob a liderança dos Hasmoneus.

 

129-63

Independência judaica sob a monarquia dos Hasmoneus.

 

63

Jerusalém capturada pelo general romano Pompeu.

 

 63 a.E.C.

DOMÍNIO ROMANO

 

(E.C. - Era Comum)

 

37 a.E.C. - 4 E.C.

O rei Herodes, vassalo romano, governa a Terra de Israel.

O Templo de Jerusalém é reformado.

 

c 20-33

Ministério de Jesus de Nazaré.

 

66

Revolta dos judeus contra Roma.

 

70

Destruição de Jerusalém e do Segundo Templo.

 

73

Último bastião judeu em Massada.

 

132-135

Revolta de Bar Kochba contra os romanos.

 

c. 210

Concluída a codificação da Lei Oral judaica (Mishná).

 

 

 313-636

DOMÍNIO BIZANTINO

 

c. 390

Concluído o comentário da Mishná (Talmud de Jerusalém).

 

614

Invasão persa.

 

636-1099

DOMÍNIO ÁRABE

 

691

O Domo da Rocha é construído em Jerusalém pelo Califa Abd el-Malik, no local dos Templos (Primeiro e Segundo).

 

1099-1291

DOMÍNIO CRUZADO
(Reino Latino de Jerusalém).

 

 1291-1516

DOMÍNIO MAMELUCO

 

1517-1917

DOMÍNIO OTOMANO

 

1564

Publicação da codificação da lei judaica (Shulchan Aruch).

 

1860

Primeiro bairro construído fora dos muros de Jerusalém.

 

1882-1903

Primeira Aliá (imigração em grande escala), principalmente da Rússia.

 

1897

Primeiro Congresso Sionista, reunido por Teodoro Herzl em Basiléia, Suíça; fundação da Organização Sionista.

 

1904-14

Segunda Aliá, principalmente da Rússia e Polônia.

 

1909

Fundação de Degânia, o primeiro kibutz, e de Tel Aviv, a primeira cidade moderna completamente judia.

 

1917

400 anos de domínio otomano chegam ao fim com a conquista britânica;
Lord Balfour, Ministro de Relações Exteriores britânico declara o apoio ao estabelecimento de "um lar nacional judaico na Palestina".

 

1918-48

DOMÍNIO BRITÂNICO

 

1919-23

Terceira Aliá, principalmente da Rússia.

 

1920

undação da Histadrut (Federação Geral do Trabalho) e da Haganá (organização de defesa judaica).
O ishuv (comunidade judaica) cria o Vaad Leumi (Conselho Nacional) para dirigir seus assuntos internos.

 

1921

Fundação do primeiro moshav, Nahalal.

 

1922

A Liga das Nações confia á Grã-Bretanha o Mandato sobre a Palestina (Terra de Israel); três quartos da área são entregues á Transjordânia, deixando apenas um quarto para o lar nacional judaico.

Criação da Agência Judaica, representante da comunidade judaica diante das autoridades do Mandato.

 

1924

Fundação do Technion, o primeiro instituto de tecnologia.

 

1924-32

Quarta Aliá, principalmente da Polônia.

 

1925

Inauguração da Universidade Hebraica de Jerusalém no Monte Scopus.

 

1929

Massacre dos judeus de Hebron por militantes árabes.

 

1931

Fundação do Etzel, organização clandestina judaica.

 

1933-39

Quinta Aliá, principalmente da Alemanha.

 

1936-39

Distúrbios anti-judaicos instigados por militantes árabes.

 

1939

O Livro Branco britânico limita drasticamente a imigração judaica.

 

1939-45

2a. Guerra Mundial; Holocausto na Europa.

 

1941

Formação do movimento clandestino Lechi; criação do Palmach, força de combate da Haganá.

 

1944

Formação da Brigada Judaica, como parte das forças britânicas.

 

1947

A ONU propõe o estabelecimento dos estados árabe e judeu no país.

 

1948

O ESTADO DE ISRAEL

 

1948

Fim do Mandato Britânico (14 de maio)
Proclamação do Estado de Israel (14 de maio).
Israel é invadido por cinco exércitos árabes (15 de maio)
Guerra da Independência (maio de 1948-julho de 1949)
Criação das Forças de Defesa de Israel (FDI)

 

1949

Assinatura de acordos de armistício com o Egito, Jordânia, Síria e Líbano.

Jerusalém é dividida, sob domínio de Israel e da Jordânia.

Eleição do primeiro Knesset (parlamento)

Israel é aceito como o 59o. membro da ONU.

 

1948-52

Imigração em massa da Europa e dos países árabes.

 

1956

Campanha do Sinai

 

1962

Adolfo Eichmann é julgado e executado em Israel por sua participação no Holocausto.

 

1964

Completado o Conduto Nacional, para trazer água do Lago Kineret, no norte, ao sul semi-árido.

 

1967

Guerra dos Seis Dias, reunificação de Jerusalém.

 

1968-70

Guerra de Desgate do Egito contra Israel

 

1973

Guerra do Iom Kipur

 

1975

Israel torna-se membro associado do Mercado Comum Europeu.

 

1977

O Likud forma o governo após as eleições para o Knesset; fim de 30 anos de governo trabalhista.

Visita do Presidente egípcio Anuar Sadate a Jerusalém.

 

1978

Os Acordos de Camp David presentam as linhas gerais para uma paz abrangente no Oriente Médio e uma proposta de auto-governo para os palestinos.

 

1979

Assinatura do Tratado de Paz Israel-Egito.

O Primeiro-Ministro Menachem Begin e o Presidente Anuar Sadate são agraciados com o Prêmio Nobel da Paz.

 

1981

A Força Aérea Israelense destrói o reator atômico do Iraque pouco antes de sua entrada em operação.

 

1982

Completam-se as três etapas de retirada de Israel da península do Sinai.

A Operação Paz para a Galiléia expulsa os terroristas da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) do Líbano.

 

 

1984

Formado um governo de unidade nacional (Likud e Trabalhista) após as eleições.

Operação Moisés: imigração dos judeus da Etiópia.

 

1985

Assinado o Acordo de Livre Comércio com os Estados Unidos.

 

1987

Distúrbios violentos e generalizados (intifada) irrompem nas áreas administradas por Israel.

1988

Governo do Likud após as eleições.

 

1989

Israel propõe uma. iniciativa de paz de quatro pontos.
Início da imigração em massa dos judeus da antiga União Soviética.

 

1991

Israel é atacado por mísseis Scud do Iraque durante a Guerra do Golfo.

Reúne-se em Madrid a conferência de paz para o Oriente Médio.
A Operação Salomão traz a Israel por via aérea os demais judeus da Etiópia.

 

1992

Estabelecimento de relações diplomáticas com a China e a Índia.

 

1993

Israel e a OLP, representante do povo palestino, assinam a Declaração de Princípios sobre os procedimentos do auto-governo interino para os palestinos.

 

1994

Implementação do auto-governo palestino na Faixa de Gaza e na região de Jericó.

Plenas relações diplomáticas com a Santa Sé.

Marrocos e Tunísia estabelecem escritórios de representação de interesses.

Assinatura do Tratado de Paz Israel-Jordânia.

Rabin, Peres e Arafat são agraciados com o Prêmio Nobel da Paz.

 

1995

Ampliação do auto-governo palestino implementado na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza; eleição do Conselho Palestino.

Primeiro-Ministro Yitzhak Rabin é assassinado num comício em prol da paz.

Shimon Peres torna-se o Primeiro-Ministro.

 

1996

Escalada do terrorismo árabe fundamentalista contra Israel.

Vinhas da Ira, em retaliação aos ataques terroristas da Hizbullah ao norte de Israel.

Abertura de escritórios de representação comercial em Omã e Qatar.

O Likud sobe ao poder após as eleições para o Knesset.

Abertura em Tel Aviv de um escritório de representação comercial do Omã.

 

 

A Historia da Tatuagem no Mundo

 

A Historia da Tatuagem no Mundo

 

·         No Egito, a tatuagem tinha sentido médico ou mágico, as que se vêem na
múmia de uma sacerdotisa de Hathor (2.000 a.C.) seriam um exemplo desta
proteção, contra a gravidez, contra as doenças em geral. 


São linhas horizontais, paralelas, postas à altura do estômago.


·         Múmias com sinais semelhantes a tatuagens tem sido encontradas no Vale do
Rio Nilo, tratar-se-ia, segundo especialistas, de prisioneiros, assim
marcados para não fugirem. 


Algumas tem, de fato, as mãos amarradas as costas.

·        
* Tatuavam-se, também, as concubinas, bailarinas, cantoras, por coqueterie,
provavelmente.


·         Na Itália, fronteira com a Áustria, em 1991 foi encontrado um corpo
congelado com linhas paralelas ao longo da região lombar, uma cruz abaixo do joelho esquerdo e faixas no tornozelo direito, as medições arqueológicas
apontam para a data de 5300 a.C. A revista Time publicou a opinião de Konrad Spindler, chefe do Instituto de Pré-História de Innsbruck, Áustria, sobre as marcas do corpo encontrado: 


"Já que todas essas tatuagens estavam cobertas pela roupa, deveriam ter um significado pessoal para o homem e não tinham a função de identificação diante de outras tribos." 


* Na Trácia, segundo Heródoto, seria prerrogativa de aristocracia. 


Mas segundo Plutarco, as das mulheres, feitas nas mãos, lembrariam o sangue de Orfeu, que suas avós tinham derramado.

 

·          * Os citas, povo de características Helênicas e Iranianas, que habitaram a Ásia e Europa durante séculos, estavam dentre os primeiros povos a dominar a arte de cavalaria, seus exércitos eram compostos de homens livres que lutavam em troca de comida e vestimentas ( recebiam uma parte dos saques de guerra, caso apresentassem a cabeça cortada de algum inimigo). 


Possuíam rituais funerários complexos, os quais exigiam o sacrifício da viúva e de cavalos do falecido, exigiam também tatuagem no cadáver do soberano.

·        
Tatuavam-se habitualmente. 

 

·         * Os nativos da Polinésia, Filipinas, Indonésia e da Nova Zelândia
tatuavam-se em rituais complexos, muitas vezes por caráter religioso, aí a
arte conhecida por moko chegou a um alto grau de perfeição.

* Na França, região de Dordogne, arqueólogos encontraram ferramentas
pontiagudas, feitas de pedras e chifres pertencentes à cultura Magdaleniana
(15 mil à 10 mil a.C.) 

  

·         * Na Austrália, os aborígines reproduzem cicatrizes, as chamadas escarificações produzidas com cortes sucessivos, muitas vezes utilizando fuligem no corte para a formação da cicatriz. 

 

·         * Incas, Maias e Astecas tatuavam-se com linhas e pontos, além dos símbolos
específicos, como, sol, lua e estrelas. Já foi assinalada a grande
semelhança entre os desenhos moko e os pré-colombianos.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

O MAIOR JULGAMENTO DA HISTÓRIA – PARTE 04

 

O OUTRO LADO DA CRUCIFICAÇÃO

 

Ao falar sobre a crucificação de Cristo no passado e como ela se repete num paralelo espiritual hoje, mostramos que ela figura nossa rejeição para com Deus. Este é um aspecto. Mas existe o outro lado. Deus nunca perde com nada; para Ele nada é refugo, tudo pode ser reciclado, transformado, e aproveitado.

Permita-me mostrar-lhe o outro lado da crucificação, e o no que ela resultou. Se por um lado ela significa rejeição, por outro é a demonstração do amor divino, usando nossa própria rejeição como um caminho para oferecer-nos a sua salvação.

Tenho enfatizado que no reino espiritual os acontecimentos históricos da Bíblia se repetem, e o que passarei a narrar agora, é como o julgamento de Pilatos se repetiu na vida de uma amiga, Vilma Laudelino de Souza, quando ela ainda nem mesmo conhecia a Jesus e jamais havia lido uma página sequer dos Evangelhos. Não falo de uma desconhecida, mas de alguém que tem tocado minha vida e a de minha esposa, bem como meus companheiros de ministério e nossa própria igreja; e o que temos visto em sua vida cristã e ministério atestam que é uma serva de Deus e que de fato tem sido marcada pelo toque sobrenatural de Deus.

Nenhuma experiência espiritual, sejam sonhos, visões ou êxtases, tem mais valor do que a Bíblia; se estão em harmonia com a Palavra, devem ser aceitas; se não estão, devem ser rejeitadas; mas o que essa nossa irmã em Jesus Cristo viveu está em plena harmonia com a Bíblia, e levou-a a render-se ao senhorio de Jesus Cristo.

Estou extraindo esta narrativa do livro Escalando o Abismo, de sua própria autoria, e editado pela Vinde:

"Chorando interiormente, questionei:

- Deus, por que o Senhor permitiu que eu nascesse? Para fazer e receber o mal e ser levada ao inferno? Eu sofri na terra mais que teu filho!

Falava como uma louca, mas Deus provou neste instante a grandeza do seu amor, tirando-me do chão e conduzindo-me a um lugar onde contemplei a cena que mudou todos os rumos futuros de minha vida.

Me vi andando por uma rua estreita, de barro. As casas eram feitas de pedras. Alguma coisa anormal acontecia ali. As pessoas trajavam túnicas longas e andavam apressadamente em direção a uma grande praça. Corri também na mesma direção que os outros, mas na verdade não entendia bem se estava vivendo aquela cena ou se tinha morrido. Porém, já não sentia medo.

Enquanto caminhava, pude ver de longe um prédio com altas colunas, parecido com um palácio de justiça. Em frente a ele, milhares de pessoas se aglomeravam e gritavam freneticamente levantando os punhos. Cheguei o mais perto que pude. Alguém estava sendo julgado por um homem. À minha frente via muitos soldados, trajados como os romanos da Idade Antiga, formando um cordão de isolamento. O homem que julgava apontou para o jovem amarrado numa das colunas e perguntou:

- Que farei de Jesus de Nazaré?

Esforcei-me para vê-lo, mas seus cabelos cobriam o rosto levemente inclinado e os muitos soldados ao redor impediam uma visão melhor. Após ouvir a pergunta, a multidão começou a gritar:

- Crucifique, crucifique!

Para a minha surpresa, me vi gritando a mesma coisa, e ao olhar em redor para ver quem mais fazia parte daquela cena, reconheci todos os meus amigos de farra, de macumba, candomblé, espiritismo, rodas de samba, terreiros, bailes, bebedices, além de pessoas de todos os tipos, raças, povos e nações. Eu não compreendia nada.

Queria enxergar o homem que estava sendo julgado mas só consegui ver que ele usava uma roupa comprida e muito branca. Novamente o juiz indagou: - Que farei de Jesus de Nazaré? - ao que todos nós, de punhos cerrados, respondíamos: - Crucifique, crucifique! - aquele homem lavou as mãos e entregou o acusado aos soldados, que o levaram para dentro do prédio. Eles desceram as roupas brancas do réu até a cintura e o amarraram a uma coluna do interior do pátio. Um soldado ergueu o chicote, feito com vários fios de couro e um metal na ponta de cada fio.

Começaram a golpeá-lo. A cada golpe abriam-se profundos sulcos rasgando a sua carne e o sangue escorria abundantemente. A multidão aplaudia, gritava, assobiava, divertindo-se com aquele espetáculo. O único a permanecer em silêncio, de olhos fechados, era o próprio jovem sofredor. Seu corpo estremecia pela dureza dos golpes, uma indescritível expressão de dor transtornava seu rosto mas seus lábios se moviam silenciosamente. Ele estava orando!

Nunca antes ouvira falar sobre este Homem-Deus. Jamais conheci a Bíblia, onde estes fatos são relatados. Nunca me haviam falado de Jesus, mas eu o conheci através de sua própria, indecifrável, e singular revelação de amor. Não acreditava nele, da mesma forma que descria do inferno e do diabo, ao qual no entanto, servia por ignorância, até que ele mesmo se revelou para mim.

Passaram-se algumas horas e aqueles soldados afastaram-se, depois de entregar o réu à turba enfurecida. A multidão continuava a gritar, assobiar e zombar daquele homem, cuspindo no seu rosto, batendo e esmurrando. O sangue do seu nariz e boca escorriam. Havia hematomas nos olhos. Eu assistia petrificada àquela covardia. Muitas pessoas se revezavam nos golpes.

Os soldados retornaram, trazendo sobre uma almofada uma coroa feita de espinhos. Ergueram com brutalidade a cabeça daquele homem e debaixo de aplausos cravaram-lhe a coroa na cabeça, forçando-a com um pedaço de pau. Seu rosto se encolheu num gesto de dor, que o fez apertar com força os olhos e os lábios. O sangue jorrava pelas têmporas, transformando o corpo em uma massa ferida e ensangüentada. Ele era uma ferida só. Não suportando mais a cena, comecei a gritar:

- Parem, parem. Não façam isto. Este é o Filho de Deus. Ele não merece tal sofrimento. Eu sim, que sou uma feiticeira e miserável suicida.

Todos olharam para mim, admirados. Não sei de onde retirei estas afirmações, pois nunca havia conhecido o Evangelho ou acreditado em Jesus. Ele também voltou os olhos para mim pela primeira vez no decorrer daquela cena e me olhou diretamente nos olhos. Cheguei a pensar que estava com ódio de mim, mas foi totalmente o contrário. Em toda minha vida nunca vi um olhar tão cheio de amor, de bondade, compaixão e misericórdia como o olhar de Jesus de Nazaré. Por instantes nossos olhares fixaram-se e ele falou:

- Não, minha filha Vilma. Ninguém suportaria este sofrimento - ele apontava seu corpo dilacerado e ensangüentado, enquanto sua voz dulcíssima prosseguia, em meio às lágrimas que jorravam pela minha face: - Somente eu o fiz por amor de ti, para salvar e libertar tua vida.

Não compreendia como alguém podia amar tanto, sofrer e morrer por uma pecadora, ovelha negra da família, como eu. Entretanto, minha alma foi invadida por um gozo indescritível e entendi que Jesus é uma pessoa real. Ali estava ele, todo ensangüentado, a viva expressão do sofrimento, mas real e tratando-me como filha. Estendi minhas mãos para ele, mas o despertador retiniu, avisando-me sobre a hora em que deveria me suicidar, realizando assim a ordem do príncipe das trevas.

Caí de joelhos e chorei, amargamente arrependida. Minha alma desabafava o peso do pecado e ao mesmo tempo uma grande paz enchia o meu ser. Me dirigi ao Deus que até poucos instantes era ignorado por mim, orando:

- Ó Deus, toda a minha vida está destruída, mas reconheço minha maldade. Creio agora que o teu Filho sofreu e morreu por mim. Por isso quero entregar totalmente minha vida nas tuas mãos para que faças dela o que Tu quiseres.

Hoje, pela graça de Deus, sou uma testemunha viva do Evangelho e do grande poder de Jesus Cristo. Ele tem toda força. Todo poder e amor pelas almas perdidas. Ele pode perfeitamente salvar, curar e libertar o mais miserável ser humano, como diz o evangelho de João: 'e conhecerão a verdade e a verdade os libertará. Se o filho os libertar, vocês serão de fato livres' (Jo.8:32)."

Fiz questão de relatar esta experiência para mostrar-lhe que realmente a história se repete dentro de nossa individualidade. Assim como Deus abriu os olhos da Vilma através deste paralelo histórico, espero que também abra e ilumine os seus. O outro lado da crucificação não fala da nossa rejeição para com Cristo, mas da aceitação e do amor divino para conosco!

Tudo o que Jesus sofreu, sofreu no meu e no seu lugar. O castigo e culpa do pecado que nós deveríamos pagar, Ele, um inocente e santo, se dispôs a pagar em nosso lugar. O outro lado da cruz revela o perdão e a salvação de Deus para com cada um de nós.

 

RECONCILIAÇÃO COM DEUS

 

Algo aconteceu com o homem lá no jardim do Éden, quando ele pecou: morreu espiritualmente. Deus o avisara que no dia em que pecasse certamente morreria (Gn.2:17), e isto aconteceu; Adão não morreu fisicamente naquele dia, mas espiritualmente. Como está escrito: "porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Rm.6:23).

Só que Adão não "morreu" sozinho, ele levou toda a descendência junto, pois na criação Deus estabeleceu um princípio: "e cada um reproduza segundo a sua espécie". Encontramos uma afirmação clara desta conseqüência na Bíblia: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." (Rm.5:12). Toda humanidade colheu e ainda colhe o fruto do pecado original. Já nascemos em pecado (Sl.51:5) e como conseqüência, mortos espiritualmente.

Quando a Bíblia fala de morte, não fala de fim de existência, mas de separação. A morte espiritual, portanto, significa estar separado de Deus; foi o que o pecado gerou entre nós e Deus – separação. As Escrituras dão testemunho disto também: "Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" (Is.59:2). Deus é santo e não pode ter comunhão com o pecado; é como água e óleo: não se misturam. A santidade de Deus não pode aceitar a presença do pecado, e quando o homem passou a estar em pecado, automaticamente afastou-se de Deus. Uma grande parede divisória levantou-se. Mas a crucificação de Jesus Cristo aconteceu justamente para que esta parede fosse derrubada!

O apóstolo Paulo escreveu sobre isto aos coríntios. Ele falava muito sobre a cruz de Cristo, e explicou o que lá ocorreu do ponto de vista de Deus:

"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação."

II Coríntios 5:17-19.

Naquele momento de dor e morte, Jesus fazia algo por mim e por você. O texto diz que Deus estava em Cristo, RECONCILIANDO consigo o mundo! Ou seja, aquela parede do pecado, a inimizade e separação gerada por ele estava sendo removida para que pudéssemos ter acesso a Deus novamente. Ali ocorria o perdão, quando ele não nos imputava as transgressões, mas as removia. É por isso que hoje pregamos esta reconciliação:

"De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus."

II Coríntios 5:20,21.

Somente por meio da cruz de Cristo alguém pode receber perdão dos seus pecados e achegar-se a Deus. Este é o outro lado da crucificação.

Reconciliação.

E mais: Dívida paga, o que chamamos de justificação.

DÍVIDA PAGA

 

A entrada do pecado deixou uma dívida alta. O salário do pecado é a morte. Isto não significava apenas que a recompensa do pecado era a morte, no sentido de conseqüência, mas também de punição. No livro do profeta Ezequiel está escrito: "a alma que pecar, essa morrerá" (Ez.18:4). O homem teria que pagar pelo seu pecado morrendo. Só a morte teria este poder, contudo, se o homem morresse pelo seu próprio pecado, poderia resolver as coisas aqui na terra, mas seu espírito iria para a perdição eterna, pois ao morrer por si mesmo em pecado, seria automaticamente lançado no inferno, pois estava espiritualmente morto, separado de Deus! O fato é que não havia nada que pudesse ser feito, como bem relata o livro dos Salmos:

"Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre), para que continue a viver perpetuamente e não veja a cova"

Salmo 49:7-9.

Ninguém poderia resolver nem o seu próprio problema, nem o de nenhum outro. E Deus não poderia simplesmente "perdoar-nos" fazendo vista grossa aos nossos pecados, pois Ele é justo e o pecado não poderia ficar sem punição; a dívida tinha que ser paga! Mas é claro, nenhum ser humano poderia pagá-la, pois para enfrentar a morte sem ser aprisionado por ela, tal homem teria que ser santo, sem pecado, pois sobre o pecado a morte tem direito, como vimos nos princípios bíblicos. E nunca houve um homem assim. Até que Deus interferiu.

Esta é a razão de Jesus, como Deus, ter se sujeitado a encarnar e viver como um homem:

"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida."

Hebreus 2:14,15.

Jesus Cristo viveu de forma imaculada e santa todos os seus dias e por isto a morte não tinha autoridade para prendê-lo; e ao morrer, ele pagou a nossa dívida para com Deus. Satisfez as exigências legais da justiça divina. E nos libertou do medo da morte e a escravidão espiritual que a seguiria: o inferno. A cruz é um lugar de dívida paga, como lemos na epístola aos Colossenses:

"E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz"

Colossenses 2:13,14.

Graças a Deus! Este escrito de dívida era de um valor tão alto que jamais poderia ser pago. A justiça de Deus o cobrava de nós, por isso ser ele mencionado como nos sendo contrário, contra nós. Mas Jesus o removeu completamente, sem nada deixar para trás, e pregou na cruz! A dívida foi paga. O pecado que eu e você deveríamos pagar (e não tínhamos como) Cristo pagou naquela cruz. O profeta Isaías foi usado por Deus com muita clareza quando centenas de anos antes da vinda de Jesus profetizou sua morte na cruz e as conseqüências espirituais deste ato:

"Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.

Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca."

Isaías 53:3-7.

A crucificação tem dois lados. Um reflete nossa rejeição e maldade a ponto de matar o Filho de Deus, e não devemos mais repeti-lo continuando a rejeitar Jesus. O outro, é que Deus no seu mui grande amor por nós, fez deste ato humano tão bárbaro contra seu Filho, uma forma de nos providenciar RECONCILIAÇÃO consigo mesmo e também a JUSTIFICAÇÃO que se dá com cada um de nós por meio da fé no pagamento da dívida que Jesus já efetuou.

O que Cristo sofreu, foi em nosso lugar. As Escrituras são claras neste sentido: "Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele"; e ainda: "mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos".

O que nos resta é agradecer a Deus e receber pela fé esta dádiva. E encerro esta exposição bíblica, perguntando-lhe pela última vez:

O que você fará de Jesus chamado Cristo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- CONCLUSÃO -

 

Se você se recusa a agir como Pilatos e quer tomar a decisão certa, de reconhecer Jesus como Rei e entrar num alto nível de compromisso COM ELE, sem a omissão provocada pela pressão contrária da maioria, mas ficando firme, quero que faça uma oração comigo.

É importante que você saiba que a Bíblia nos ensina a crer e confessar Jesus; ou seja, não é só ter a fé no coração, mas devemos expressá-la com a nossa boca:

"Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação."

Romanos 10:9,10.

Em razão disto, convido você a expressar sua fé e decisão por Jesus fazendo em voz alta a oração que se segue, intitulada, "Oração de Entrega". Porém, vale ressaltar que confessar Jesus com a boca não é apenas fazer esta oração em voz alta, mas o que é ainda mais importante, é que você não se envergonhe dessa decisão e esteja sempre falando dela aos outros. Você perceberá que à medida que expõe os fatos bíblicos e os declara a outros, eles vão ganhando vida em seu interior. Não se trata de convencer a si mesmo, é muito mais que isto! É penetrar na realidade espiritual dos fatos.

Libere agora sua fé em Deus, bem como confirme a decisão que você já fez em seu interior fazendo esta oração:

 

ORAÇÃO DE ENTREGA

 

Senhor Jesus, neste dia reconheço que, como cada ser humano, tenho que tomar uma decisão. E uso nesta hora do meu poder de escolha para abrir meu coração a ti. Eu o faço pela fé na tua Palavra que me foi exposta neste ensino e creio que a partir de hoje serei uma nova pessoa.

Reconheço que o Senhor morreu por mim para o perdão dos meus pecados, e ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte e o diabo e hoje está assentado à direita de Deus, intercedendo por mim.

Reconheço que em minha vida, a partir de agora, tu és o Senhor. Decido que tu és verdadeiramente Rei e Senhor e quero que reines na minha vida. Te entrego todo o meu ser: meu espírito, minha alma e meu corpo. Faze de mim, peço-te, tua habitação; vem morar em mim enchendo o meu coração com a tua presença por meio do Espírito Santo.

Renuncio neste dia à todo e qualquer envolvimento, direto ou indireto com o ocultismo e os poderes das trevas, em nome de Jesus! Clamo sobre minha vida o poder do sangue de Jesus e a libertação completa que vem por meio de sua morte e ressurreição. E declaro que agora pertenço a Deus para sempre, para fazer a sua vontade.

Ajuda-me, ó Deus, a não ceder às pressões e ficar firme em tua graça, mantendo sempre este compromisso com o Senhor Jesus Cristo. Dá-me entendimento para compreender a Bíblia e por meio dela crescer no conhecimento de Ti,

em nome do Senhor Jesus Cristo, Amém.

 

PALAVRAS FINAIS

 

A partir de hoje você é uma nova criatura em Cristo Jesus. Tudo se fez novo. Creia nisto de todo coração, independentemente do que estiver sentindo. Sustente esta fé e desenvolva-a.

É importante saber que a melhor maneira de crescer espiritualmente não é sozinho, mas juntamente com outros que já tem vivido esta mesma experiência; portanto, aconselho-o a procurar uma Igreja Evangélica que professe Jesus como Senhor e Salvador e creia na Bíblia toda, como a revelação da vontade divina aos homens. Informe-se com quem lhe ofereceu este exemplar, e certamente esta pessoa poderá lhe ajudar.

Que Deus o abençoe e fortaleça nesta sua decisão que certamente foi o que de mais importante você poderia fazer em toda sua vida. É uma decisão eterna, com uma recompensa eterna!